Nascido em 4 de Julho (Born on the Fourth of July. 1989)

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Um dos melhores do Oliver Stone (ainda acho que este fica no topo), se mostra com tudo para ser uma grande obra-prima até sua metade final, quando começa a se perder em alguns momentos. A direção do Stone aqui é magnífica, uma das maiores do final dos 80’s, eu diria, destacando-se nas cenas de batalha (poucas, mas intensas), nas cenas do hospital dos veteranos e nos momentos finais, no confronto com os policiais. Ele nos mostra um talento único para dirigir figurantes. Aliás, o filme é de uma crueza intensa. As cenas do campo de batalha no começo e os 20 minutos passados no hospital parecem 2 horas. Eu confesso ter ficado um pouco chocado em alguns momentos.

Vale salientar que as cenas do hospital representam, particularmente, uma das mais bem elaboradas críticas ao Vietnam que um filme já mostrou, pois não cai na pieguice de ‘Olhem, inocentes estão morrendo por lá! A guerra é ruim para todos!, sim, mas mostra que quase sempre os que começaram o conflito acabam sendo dos mais afetados, no caso, os próprios americanos, que além de lutarem por uma causa perdida (a lavagem cerebral é notada já no começo do filme), sofrem com o descaso de um governo que pouco liga para eles e os considera tanto quanto, ou talvez bem menos, que aos próprios vietnamitas. Não que seja ignorado o mal feito ao ‘outro lado’, mas mostra que, pelo menos eles estavam se defendendo, que não escolheram sofrer, enquanto que os americanos estavam lá porque queriam e, numa analogia bem porca, ‘mandando seus filhos ao abate com um belo sorriso no rosto’.

Naquele tempo (e até ainda hoje), muitos defendiam a guerra pelo seu significado (aquilo de ‘mundo livre’ e bla, bla, bla…), tentando acobertar os efeitos negativos aos próprios americanos. O filme tenta retratar isso.. Que muitos de seus jovens morriam em uma guerra ingrata, gratuita, além de mostrar os traumas (como a invalidez decorrente do personagem e os apertos passados no hospital e etc).

Vale destacar também que essa é a melhor atuação do Tom Cruise.. E eis o grande problema do filme: A MAIOR ATUAÇÃO DO TOM CRUISE é quase o mesmo que NADA!!!

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Os 15 minutos que o Willen Dafoe permanece em cena desbancam as quase 2 horas e meia do Cruise em todo o longa. Ele apresentava a mesma expressão em cena para sorrir, chorar, gritar.. Seu únicos momentos dignos de elogios foram no prólogo, na cena do baile (linda demais a transição da fase da inocência à frieza de um já veterano de guerra ao som de ‘Moon river‘ – a música de ‘Bonequinha de Luxo’) e no ‘desabafo’ na casa dos pais (o que, mesmo assim não quer dizer muito por sua atuação, mas sim pela cena em si). Mas isso não compromete.

Um grande filme que tinha tudo para ser MAIOR e que merece uma análise muito mais detalhada que farei logo que tiver mais tempo.

Por: Luiz Carlos Freitas.

Nascido em 4 de Julho (Born on the Fourth of July). 1989. EUA. Direção e Roteiro: Oliver Stone. Elenco: Tom Cruise, Kyra Sedwick, Seth Allen, Raymond J. Barry, Tom Sizemore, Willen Dafoe, Tom Berenger, Stephen Baldwin, William Baldwin, Oliver Stone. Gênero: Biografia, Drama, Guerra. Duração: 144 minutos. Baseado em livro de Ron Kovic.

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