Entrevista com o Vampiro (Interview With The Vampire. 1994)

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Louis perdera sua esposa e seu filho no decorrer do parto da mesma. Sua primeira morte. Na obra, Louis diz: “Não suportava a dor da perda; queria me livrar dela. Queria perder tudo: minha riqueza, minha propriedade, minha sanidade. Mais do que tudo, eu queria morrer. Eu sei agora, EU A ATRAÍ. Uma libertação da dor de viver. Meu convite estava aberto a qualquer um. À prostituta ao meu lado. Ao cafetão que seguia. Mas foi um VAMPIRO que o aceitou.”

Eis que Lestat entra na vida de Louis e o morde; drena seu sangue e o deixa à beira da morte. Pergunta-lhe: “Ainda deseja morrer ou já experimentou o suficiente?” Louis responde: “Suficiente“.

Vejamos o que já tenho para dissertar diante desses primeiros dez minutos de filme.

Schopenhauer é sábio ao dizer: “Cuidado com seus desejos, eles acontecem“. Sim! Os desejos acontecem, sobretudo esses que são de uma ordem que o sujeito não imagina tê-los pois são inconscientes. Aqui não me refiro sobre desejar uma pessoa e tê-la… não… isso é uma bobagem! Desejo aqui é de outra ordem… refiro-me ao desejo, por exemplo, de sentir dor e cair no chão sem mais nem menos; ou desejo de morrer e a partir disso “gripar” com frequência… Essas coisas são pouco associadas ao desejo, pois os sujeitos tendem a pensar que desejo é sempre altruísta, e não é!

Ora, vamos Vampira, quer dizer então que eu atraio a desgraça? SIM! Se este for seu desejo, mesmo que inconsciente, sim! Nada, além de você, é responsável por aquilo que lhe acomete! E Louis sabia disso… e disse: EU A ATRAÍ. Quem? A Morte! Pelas mãos de quem? De Lestat. Casal perfeito na ocasião: um queria morrer e o outro queria matar.

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E então, depois de Lestat ter abandonado Louis nas margens do Mississipi, em algum lugar perto da vida e da morte, Louis foi se despedir do amanhecer. Ele diz: “Naquela manhã, eu não era um vampiro e vi meu último amanhecer. Lembro-me muito bem, mesmo que não me lembre de nenhum anterior a esse. Vi a magnitude do amanhecer pela última vez como se fosse a primeira. Então me despedi da luz do Sol e me preparei para me tornar o que me tornei“.

Quantas vezes damos valor aquilo que aparentemente temos todos os dias? Quando se perde, há o valor? Louis implorou para perder tudo e perdeu… embora toda perda implique num ganho, mesmo que secundário.

É o que a Psicanálise chama de Ganho Secundário da Doença. Por exemplo, o sujeito quer atenção, carinho, amor e não sabe falar que quer isso, nem sabe dizer de quem ele quer receber isso, pois nem dele mesmo não serve. Então ele adoece, e assim recebe carinho, nem que seja dos médicos… quantos não vemos nessa condição? Nesse pedição de esmolas? Muitos né? Louis não era diferente disso… em nome de seu desejo, ele encontrou-se com a morte em vida. E como todo bom neurótico, a condição existencial dele, como vampiro, era culpa de Lestat rs. Não culpemos os desejos do bom rapaz… rs

Acredite: você que me lê agora, assim como eu, é culpado de muita desgraça alheia rs. Lestat brinca, em certa ocasião, com Louis, aliás, com a culpa de Louis. Lestat diz: “Como você ama essa maldita culpa“.

Sensacional!!! Matou a charada!!!

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Aliás, Lestat é brilhante! Ao menos para mim. Enquanto Louis choraminga sua condição existencial perante à sua natureza e à natureza em si; Lestat vive em conformidade com à natureza, inclusive e sobretudo, à sua própria. Sente dor? Obviamente que não! Dor desprazerosa é para quem não aceita sua condição. E Lestat diz isso… Ele fala: “O mal é um ponto de vista, Louis. Você é o que é! A dor é terrível para você? Sente-a como nenhuma outra criatura porque és um vampiro. Não quer continuar a sentir dor? Então faça como manda a sua natureza“.

Vejamos, aqui não digo que devemos maltratar as pessoas, mas devemos ser como nós somos independente se isso causará um desamor, um desafeto; isso nos evita adoecermos!!!

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Lestat transforma Claudia em Vampira e a entrega a Louis como sua nova filha. Louis, de repente, ganha outra família! Mas a sua culpa, seus excessos de lamúrias o faz perder tudo, menos a vida de vampiro… E depois que perde tudo, percebe que perdeu duas famílias, propriedades, riquezas; como ele assim desejou.

Amém, que seja feita as nossas vontades

Por: Vampira Olímpia.  BLog: Castlevanya.

Entrevista com o Vampiro (Interview With The Vampire). 1994. Com a direção de Neil Jordan, apresentaram-se nessa linha tênue vida/morte um elenco de primeira qualidade: Tom Cruise – Lestat; Brad Pitt – Louis; Antonio Banderas – Armand; Stephen Rea – Santiago; Kirsten Dunst – Claudia; Christian Slater – Malloy. Gênero: Terror. Duração: 123 minutos. Baseado em livro de Anne Rice.

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13 comentários em “Entrevista com o Vampiro (Interview With The Vampire. 1994)

  1. Que bom que gostou da edição 🙂

    Esse filme foi o que me fez voltar a ver filmes do gênero Terror. Antes, tinha visto o “A Dança dos Vampiros”, mas com esse eu ri muito, logo seria mais um Terrir 😀

    Quando criança, eu assistia muito filmes desse gênero. Mas pela televisão, porque nos Cinemas acho que eram censurados. E por conta de um ter me deixado assustada, eu decidira não mais ver nenhum. Foi o “Obsessão Macabra”, cuja temática era a catalepsia.

    Assim, até pelos galãs do elenco, eu fui assistir a esse “Entrevista com o Vampiro”. Gostei muito! Até li a Trilogia da Anne Rice. E acho que no sobre o Lestat, tem uma passagem que meu deu calafrios. É com jovens num calabouços.

    Sua visão sobre esse filme, me fez ficar com mais vontade de revê-lo. Tomara que coloquem o Dvd numa promoção 🙂 eu estou montando minha Dvdoteca com os de ‘9,90’ 🙂

    Linda! Grata por compartilhar seu belíssimo texto!
    E na torcida por outros 🙂

    Beijo grande,

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  2. Eu gosto muito da estética desse filme…Até hoje espero a continuação…O Vampiro Lestat. Grandes lições aprendemos com ele, que é muito mais interessante que o choramingão do Louis..rsrs…Me impressionou nele a análise fria das mazelas da sociedade…Eu não cheguei a ler o livro da Anne Rice, mas gostaria de saber mais sobre a vida de Lestat. Quem aparece no filme é Kirsten Dunst, muito a vontade como a vampirinha Claudia…Vi recentemente “Tudo Acontece em Elizabethtown” e realmente ela se transformou em uma boa atriz.
    Abraços.

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  3. Silvania,

    se também gostou do Lestat, não deixe de ler o livro. O que traz ele como título. Fui dar uma pesquisada… Achei o menor preço, salgado…

    Eu li os três, emprestados por um dono de uma locadora de dvd.

    Beijão,

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  4. Oi Lella!

    Eu já não gosto tanto assim do filme, apesar de reconhecer que ele tem algumas coisas muito boas.

    Tenho um problema sério de aceitação com Tom Cruise. Aí já viu… Tudo fica prejudicado.

    Sobre Desejo e Reparação, pode pegar sem nenhum problema lá. Aliás, a única coisa que peço aos que usam meus textos é o que todos pedem: crédito. Sinta-se à vontade!

    Beijocas

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  5. Oi Cecília!

    Grata por compartilhar! E quando trago os textos para cá, é só depois de consentirem. E em relação aos créditos, tendo algum site, eu linko o blog ao lado da assinatura. Só não coloquei ainda os nomes dos blogs ao lado das assinaturas lá na lista no Acervo (na aba lá em cima). Mas os nomes dos convidados estão também por lá.

    Sobre o Tom Cruise… sabia que a autora do livro também tinha alguma implicância com esse ator. Mas antes de vê-lo fazendo o Lestat. Ela contou numa longa entrevista num jornal, na época. Disse que não o via como o seu Lestat.
    Mas que vendo-o já no filme pronto, ela ficou encantada. A ponto de vir a público e contar tudo. Era algo que só ficara com ela, nem precisaria ter contado isso. Bastaria só ter elogiado o Lestat de Tom Cruise.

    Eu já não tenho grilos com ele. E aquele “Não morre, porra!”, dele, em “Magnólia, para mim ficou memorável. Eu até quero rever esse filme para trazê-lo para o blog.

    Vou lá pegar o texto e os créditos 🙂

    Beijo grande,

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  6. Cecília…Eu devo confessar que tb. tenho problemas com o Cruise…rsrs….Mas vejo os filmes com olhos para tudo…Gosto dos detalhes da direção,a fotografia, a trilha sonora, o figurino…ih….sou louca por essa coisa louca!!!!
    Mas confesso que só pego filmes com o Cruise se for recomendado por alguém que me conheça, como foi o caso do Entrevista… e do A Firma ( um filme antigo do Sidney Pollack)…E em nenhum desses casos eu me arrependi…
    Lella, esse livro tá na minha lista faz tempo…Acho que nessas férias ele sai de lá…Qto ao preço, eu compro muito em sebo ou alugo…Tenho sorte que aqui na minha cidade tem um professor de filosofia que abriu um sebo maravilhoso…Viva o Luciano!!!

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  7. Assim como a Silvania, também gostei da estética do filme, da fotografia e do figurino, mas confesso que eu também não curto muito o Tom Cruise, mas é um filme interessante… vale a pena assistí-lo!

    Bjo, Val!

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  8. Amo os livros da Anne Rice sobre Lestat e vampiros. Já li todos e, na verdade, a série continua depois do “A Rainha dos Condenados”, mesmo que não mais centrada somente no Lestat. Dos livros o melhor é o “Vampiro Lestat”, na minha opinião.
    Do filme “Entrevista…”, gostei bastante apesar das diferenças existentes com o livro, mas como foi a própria Anne Rice quem adaptou, o filme também tem seu charme, apesar de nem todos estarem bem… o Antonio Banderas não me convence no papel…
    Uma pena que as adaptações de Vampiro Lestat e A Rainha dos Condenados, tenham resultado no desastroso filme “A Rainha dos Condenados” (as duas histórias estão neste filme).
    Não sei como a Anne Rice se sentiu quando viu este horror, literalmente, de filme!!!!
    “Entrevista com o Vampiro” pode ser assistido mais de uma vez, com certeza!!! Mas assistir “A Rainha dos Condenados” uma vez já é um suplício…

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  9. Bom dia meninas!
    Aproveito para, antes de tudo, dizer que estou admirado pelo conteúdo exposto por vocês.
    Sinto-me compelido a enviar alguma contribuição.

    Singela. Pois, apesar de sermos da mesma categoria profissional, sou um comportamentalista.
    E como não pretendo debater os pontos filosóficos, principalmente por respeitar e admirar muito a beleza da visão das psicologias analíticas, estarei neste momento me limitando a colocar uma sugestão de filme.

    Ao ler sobre ‘relação edípica’ em algum comentário aqui, sobre algum filme que agora não me lembro qual foi, me fez lembrar imediatamente de ‘Bad Boy Bubby’ (http://www.imdb.com/title/tt0106341/) – confesso que fiquei tentado a solicitar a opinião de vocês sobre esta obra. Mas pensei em sugerir mesmo um filme que fosse de mais acordo com a elegancia que ‘Entrevista com o Vampiro’ também oferece.

    Sendo assim, fica aqui o pedido de um leitor que anseia pela crítica do filme ‘Encontro Marcado’ (http://www.imdb.com/title/tt0119643/) feita por mulheres tão refinadas como vocês.
    Um filme que gosto muito. Construido com diálogos bem elaborados e uma sensibilidade que impressiona. Termino o filme emocionado todas as vezes que assisto.

    Parabéns pela diversidade de filmes e elaboração das análises!
    Novamente, bom dia e bom trabalho!

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    • Oi Marcelo!

      Grata por ter gostado do blog! Como também por participar! É sempre gostoso essa troca de impressões, de informações, de sugestões…

      Querendo também ter um texto seu publicado aqui, é só dizer. Que trocaremos os detalhes via email.

      Farei um adendo ao que citou. É que a Vampira Olímpia, é sim da área Psico, mas de outra linha. É Psicanalista. Digo isso só para não deixar às demais pessoas a impressão de que ela é junguiana.

      Não conhecia esse filme, ‘Bad Boy Bubby’. Fui ler uma sinopse…

      BAD BOY BUBBY (1993) Austrália:
      Aos 38 anos e completamente isolado do mundo exterior, Bubby vive com a mãe no apartamento sem janelas onde nasceu. O pai, um padre bêbado, os abandonou e ele vive um relacionamento incestuoso com a mãe. Essa existência incomum acaba quando o pai reaparece e toma o seu lugar na cama da mãe. Frustrado e enciumado, Bubby sai para explorar o mundo pela primeira vez.

      Parece interessante! O ‘Encontro Marcado’ também o é, e mais fácil de locar o dvd. Vou ver com alguns dos autores do blog, inclusive com a Olímpia, se querem escrever sobre esses filmes.
      É que no momento estou com uns textos em atraso. Mas colocarei esses dois na lista.

      Volte sempre!
      Beijo,

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