Menina de Ouro (Million Dollar Baby. 2004)

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Não quero medir a altura do tombo. Nem passar agosto, esperando setembro. Se bem me lembro, o melhor futuro este hoje, escuro… Eu não quero ter o tédio, me escorrendo das mãos…

Eu assisti mais esse filme porque um amigo disse que ‘Menina de Ouro’ era melhor que ‘Mar Adentro‘ e ‘O Escafandro e a Borboleta‘. De imediato, deu para imaginar o que estaria contido nele, já que ligou esse aos outros dois. Dois que eu amei! Mas em se tratando de luta de boxe, uma fatalidade não seria tão inusitada assim… Calhou do dvd estar em promoção, e lá fui eu comprá-lo e constatar se era ou não. Se eu gostaria desse tanto quanto os outros dois. Mas…  Antes de contar o que eu achei, dois pontos relevantes.

Um deles sobre a minha resistência em somente agora ver um filme tão aclamado pelo público; nem lembro se pela crítica especializada, também o foi. Bem, o filme a grosso modo foca o mundo do boxe. Mais adiante eu entrarei na história em si. Mas sem dúvida nenhuma temos nesse os bastidores do boxe. Filmes com essa temática, eu não curto muito. Na infância eu até assistia algo similar na tv, o TeleCatch. Mas se a memória não falhou, era tudo encenação. Sem esmurrar de fato o adversário. E via mesmo, por estar na casa de primos, dai, era mais pela companhia, ou falta de opção… De lá para cá… vi ‘Rocky, Um Lutador‘, mas o que ficou mesmo retido na memória, foi o choro do menininho no filme ‘O Campeão’, e só.

O outro ponto a destacar é que irei contar detalhes do filme. Terá spoiler. Agora, outros que também viram ‘Mar Adentro’ e ‘O Escafandro e a Borboleta’ e ainda não viu ‘Menina de Ouro’ já podem imaginar o que o filme irá abordar também. Alguma sequela grave, seria uma. E também a eutanásia. Pronto! É isso.

O que temos nesse filme é praticamente a aposentadoria forçada de um homem. Que ela não saiu como ele esperava. Será? Pois se sua profissão era quase como preparar galos de brigas. Então nem vejo méritos nela. Nem honrarias no que se viu obrigado a fazer. Algo meio que: o criador pondo fim na criatura. Ele não teve culpa, nem diretamente. Seus reflexos estavam bons, mas a distância não o deixou chegar a tempo de retirar o banquinho fatídico.

menina-de-ouroO que se tem no boxe? Ali no meio do ringue ficam duas feras prontas para matar o outro de socos. Que seria o adversário ali naquela hora? Que prazer era aquele em bater sem dó nem piedade? Que tipos de pessoas escolhem essa profissão? A mim, pode até ser preconceito meu até por pouco entender desse universo, pois o que penso é que são desprovidos de inteligência. De não saberem canalizar sua força destruidora em outra profissão. Agora, e quem é o comandante dessas marionetes? Ele, o treinador.

O começo do fim… na vida de um treinador. E que nos é contada por uma das suas criaturas… Um, que sobreviveu o bastante para contar essa história.

Ele, o treinador, é Frankie Dunn (Clint Eastwood). Alguém que acha que poderá eternizar a vida profissional dos seus fantoches. Um deus dos bastidores. Mas essas feras pelo menos sabem que não podem perder tempo na lapidação, pois têm que agarrar o momento do estrelato, e ele é curto, e ele é o agora! Sua lição maior: ‘Proteja-se, sempre!‘ Ok! Mas no afã da luta as regras podem ser esquecidas.

Para mim, o jovem Danger Barch (Jay Baruchel), é o que melhor se enquadra no perfil do boxeador. Não estou sendo irônica. É que como já contei, é o esteriótipo que tenho deles. Pois pobreza, rejeição dos pais… não é motivador para os levarem a esmurrar a vida. Nem em apanhar até a se rebentarem todo. Ou mesmo a perderem a vida. Mais! E a troco de que?

Que prazer é esse que leva a todos a essa arena?

Nem vou entrar no mérito de quem assiste, muito embora, se não houvesse público o boxe já teria acabado. Ai, fica-se a imaginar o porque de ainda existir. No Brasil, por exemplo, temos o futebol como um meio de ascensão para jovens carentes. Pelo menos nesse esporte a violência em campo são pelos que jogam sujos. Diferente do boxe onde a violência é incentivada. Em lugares como os Estados Unidos deveriam dar outra opção aos jovens carentes, mais ainda aos jovens “não-branquinhos“. Se bem que com a Invasão do Iraque a opção dada não é tão diferente do ringue. Pois os jovens recrutas também são programados para matar. Pior! Recebem licença para isso.

Na vida desse treinador ora pendia confrontar-se com o sagrado (o padre), ora com o profano. Mas quem seria esse? Ou a que papel ele representava de fato em sua vida? Um amigo de fé? Pelo ringue? Ou alguém a lhe mostrar que sua profissão também mutilavam as pessoas tal qual numa guerra?

million-dollar-baby-02O instrutor, zelador da academia, mais do que um amigo, Eddie Scrap (Morgan Freeman) acabou como uma sombra ao lado de Frankie. Mostrando que há falhas nesse processo de criação? Pode ser. Mas o que ressalta também é que não há futuro para quem se perdeu pelo caminho. Claro que há quem não almeje o topo. Que queira viver, mais que sobreviver na selva da civilização. Eddie como já que não poderia mais atuar no ringue e sem ter por onde tomar outro rumo fora do boxe ficou como o segundo homem dali. Generoso e sem as encucações de Frankie vive na e pela a academia. E ele meio que adota Danger Barch.

million-dollar-baby-5Para completar essa trindade, surge Maggie (Hilary Swank). Uma mulher obstinada a… a esmurrar os outros!? Ela se sentia como um peixe fora d’água no seio de própria sua família. A bem da verdade: “Que família!” Mas por que aos 31 anos de idade vai atrás de algo perigoso? Até porque com essa idade e já com tantas amarguras a lhe pesar nos ombrosseria difícil se deixar guiar por completo. Não sei, mas creio que em seu interior já havia um desejo de sair de cena. Claro que o acidente fora por conta e obra da oponente que não respeitou o toque do intervalo lhe dando o soco que a derrubaria para cima daquele banquinho virado.

A queda! Caramba! Aquele barulhinho foi um dos sons mais angustiantes de se ouvir. Se bem que em filmes com personagens máquinas-assassinas tal som é até aplaudido. Voltando a esse filme. Com o ocorrido haveria de se culpar alguém? Quem? O rapaz que preso a sua função corre para colocar o banquinho, mas tão automático que nem presta mais atenção no que faz? A oponente que ainda presa na idéia de vencer a partida vai ao encontro de Maggie para derrubá-la de vez? Se ali ambas estão programada a vencer sem pensarem se vão desfigurar, ou até levar a morte o outro.

Bem coube ao treinador o tiro de misericórdia. Nada adiantou todos os seus questionamentos a sua religião pelo aquilo que acreditou e creditou toda a sua vida até então: o universo do boxe. Naquela decisão tomada seria apenas ele a cumprir. O Criador daquilo, daqueles. E logo para aquela que lhe trouxera o sentir ser um pai. E foi a esse Pai que ela pediu a sua redenção.

Sobre a decisão que ela tomou não cabe a mim julgá-la. Não o fiz também em ‘Mar Adentro’.  Fico sim no respeito a decisão tomada! Não deve ser fácil depender quase que cem por cento da generosidade alheia para sobreviver. Há de se ter uma grande tesão em continuar vivo. Somando-se a isso: o fato de ter que dar trabalho a outras pessoas. E que para ela iria contar com quem? Com a família que possuía é que não! Frankie? Scrap? Não, pois seria jogar neles um alto tributo. Assim, sem nenhuma perspectiva, não quis adiar, e Frankie acatou.

menina-de-ouro-posterEnfim, por fim, o filme é dele, desse Treinador! Desse Deus para seus seguidores. Mas que é mortal. E que não queria sair de cena assim. Scrap e Maggie foram mais que seus louros. Lhes deixaram um sabor agri-doce como o daquela torta de limão.

Para aquilo que se propôs a mostrar, a aposentadoria forçada de um treinador de boxe, digo que é um ótimo filme. Mas que a mim não deixou a vontade de rever. Nota? Um 09.

Por: Valéria Miguez (LELLA)

Menina de Ouro (Million Dollar Baby). 2004. EUA. Direção: Clint Eastwood. Elenco: Clint Eastwood (Frankie Dunn), Hilary Swank (Maggie Fitzgerald), Morgan Freeman (Eddie Scrap-Iron Dupris), Jay Baruchel (Danger Barch), Mike Colter (Big Willie Little), Lucia Rijker (Billie ‘The Blue Bear’). Gênero: Drama, Esporte. Duração: 137 minutos.

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11 comentários em “Menina de Ouro (Million Dollar Baby. 2004)

  1. Oi Lella querida, Feliz 2009 com muitos filmes sensacionais e tudo o mais que te faça muito feliz!!!!!

    Não assisti este. Ainda não chegou a minha hora, mas talvez eu assista pelo Morgan Freeman. Eu também sou de família com muitos homens e por falta de opção assistia as lutinhas (nada a ver comigo!) Quanto ao escafandro e a borboleta, li há muito tempo o livro e para minha surpresa foi para o cinema. De jeito nenhum iria (ou irei) assistir na telinha.
    beijos

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  2. Oi Isa!!

    Um 2009 supimpa para ti também!!!

    Eu também sou fã do Morgan Freeman, mas como contei no texto, o motivo para ver foi pela comparação…

    Olha, eu não li o livro, mas amei o filme. Para mim, ele soube captar toda a angústia do Bauby. E foi mágico na cena onde ele nos conta o porque do título – O Escafandro e a Borboleta. Por mais idéia que possamos fazer sobre o porque ligou esses dois nomes, a forma como apresentaram, ainda nos surpreende. Nossa! É de querer aplaudir de pé!
    Como também com o pai no telefone… Arrepia fundo!

    Beijo grande,

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  3. O ápice da cinematografia de Eastwood sobre a culpa. Se em “As Pontes de Madison” ele fazia a culpa vencer sobre o prazer, e “Os Imperdoáveis” é seu mea culpa em cima do western e a violencia, este filme retrata com toda a sutileza a tentativa de “reconciliação” de um homem com seu passado. Quem consegiur enxergar, verá um filme além da discussão sobre a eutanásia, além de uma visão (sórdida) do mundo do boxe.
    Uma obra-prima, que, para meu espanto, ganhou o merecido Oscar.

    Curtido por 1 pessoa

  4. Oi Edu,

    uma ‘reconciliação’ ou um ingresso da Igreja para alcançar os céus? Para atenuar a culpa que sentia com a profissão escolhida.

    Já vi tantos que acham que a Religião irá redimi-los dos atos passados. Buscam a absolvição nela.

    Mas aqui nesse filme, todas as mutilações de todos os seus alunos não foram o bastante para fazer o seu mea culpa. Somente com o que aconteceu com a sua menina de ouro, o fez dar um passo além das suas aulas…

    Beijo grande,

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  5. Chato, conservador, minimalista e Limitado.

    Desculpe você foi muito preconceituosa. Devia conhecer mais sobre determinado assunto quando for falar dele.

    E sim, eu simplesmente escrevi aqui para defender o esporte. Você foi tão infeliz nesta ponderação, que eu não pude deixar de registrar meu repudio.

    “O que se tem no boxe? Ali, no meio do ringue ficam duas feras prontas para matar o outro de socos. Quem seria o adversário ali, naquela hora? Que prazer era aquele em bater sem dó nem piedade? Que tipos de pessoas escolhem essa profissão? A mim, pode até ser preconceito, até por pouco entender desse universo, pois o que penso, é que são desprovidos de inteligência.”

    Ok. Duas feras uma pronta para matar a outra?

    Aquilo é boxe moça, não as gladiações romanas.

    Ninguém entra com intuito de matar ninguém, são atletas. Moldam seu corpo e sua mente em busca de um objetivo, que é sim inegavelmente de derrotar o oponente, mas tão somente isso. O que te leva a pensar que a carreira de pugilista é dotada de mais “envolvimento pessoal” do que a carreira de “critico de cinema”?

    O adversário é somente o obstáculo para a vitória, ultrapassasse o adversário e alcançará a vitória.

    Próximo. Prazer em bater sem dó?

    Ainda não conheci alguém que desejava fazer um trabalho de maneira porca. Conheço sim gente que o faz, mas pura e simplesmente por não conhecer outra maneira de o fazê-lo.
    O pugilista, da mesma forma que o critico de cinema, deseja sempre fazer seu trabalho de forma solida e obter o desejado sucesso através dele. Todos querer ser eficientes. A eficiência no boxe significar derrubar o oponente através de golpes de punho, em menos tempo.

    Quanto a bater sem dó, até concordo com você. Seria estranho dois atletas boxeadores se enfrentando, um com dó do outro.

    Esta dó não faz parte das regras.

    Você quando se depara com um péssimo filme, você tem receio em dizer que a coisa toda é uma porcaria? Você fica com dó do diretor ou do péssimo ator? Não. Exatamente. Essa dó não faz parte das regras.

    Que tipos de pessoas escolhem essa profissão?

    Que tipos de pessoas escolhem a profissão de “critico de cinema”? Nem vou comentar essa sua colocação. Teria muito motivos para falar mal da sua profissão, no entanto não vou fazê-lo. Tenho certeza que se você tivesse lido mais uma vez esse parágrafo teria retirado este questionamento. Com o perdão da palavra, uma merda. Horrível.

    “A mim, pode até ser preconceito, até por pouco entender desse universo, pois o que penso, é que são desprovidos de inteligência.”

    Aqui você mata seu próprio argumento afirmando o desconhecimento de causa. Logo após admite o preconceito. E no segundo seguinte coloca todos os pugilistas numa vala comum. A Vala dos idiotas. Quantos pugilistas você conhece? Quantos “críticos de cinema” você conhece?

    São todos inteligentes? São todos idiotas? Como você classifica o idiota e o inteligente.

    Aqueles que escrevem magistralmente? Aquele que ganha muita grana? O que é feliz, porque sente os resultados de seu êxito profissional e pessoal, independente de sua profissão? Os que sentem que amam e são amados de verdade? Aqueles que conquistam o poder e dele fazem o que bem entendem? Aqueles que buscam na simplicidade das boas coisas da vida uma maneira feliz de existir?

    Não sei, ainda não separar o inteligente do idiota, simplesmente por achar que de inteligente e de idiota, todo mundo tem um pouco. O exemplo esta tua resenha.

    Preconceito. Nada mais, nada a menos.

    Desculpe se me prolonguei ou se fugi ao assunto de seu blog. Imagino que todo meio de comunicação é também um meio de discutir assuntos.

    Peço vênia a me despedir, e deixo registrada a minha opinião indignada sobre o assunto.

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  6. Rafael,

    se você, antes de sentar para ver um filme, sai lendo de tudo o que vai ser abordado nele, que continue. Se o faz depois que o assiste, idem. Agora, não concordo que queira impor isso aos demais! Eu não quis ler nada sobre o boxe.

    Eu não sou Crítica de Cinema! Eu gosto de Cinema! E me dou o direito sim de escrever sobre o que eu vi, senti… após ver um filme.

    Assumi meu preconceito com o Boxe. Eu não gosto! Tem quem goste? Claro que tem! Como tem quem goste de se drogar, por exemplo. E é algo que eu também nunca curti!

    Por que em vez de ter se doído todo porque eu não gosto do boxe, você não descreveu o filme, numa de mostrar os benefícios de entrar nesse ringue? Seria bem mais proveitoso o debate.

    Já que nem você vai passar a desgostar, nem muito menos eu vou passar a gosta de Boxe!

    Saudações Cinéfilas!

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