A Onda (Die Welle. 2008)

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Fortemente inspirado na experiência The Third Wave, de Ron Jones, Die Welle é um dos grandes filmes da nova safra de bons filmes alemães do momento. Como a maior parte dos filmes europeus, ele não é despropositado. Por trás de sua excelente história, temos uma excelente mensagem à respeito da possibilidade de urgir novos movimentos autocráticos, como os organizados por Hitler e Stalin, onde todas as decisões são tomadas por um único ser, que detém o poder absoluto sob uma nação, que por sua vez aceita tudo de bom grado.

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Rainer Wenger é um daqueles professores modernos e que todos os alunos gostam: com sua camiseta da banda punk Ramones, planeja ministrar a semana de disciplina eletivas com o tema anarquia. Porém, o diretor acaba por lhe dar um tema diferente do acordado e agora ele terá que lecionar o tema autocracia.

Como forma de improviso, o professor decide dar uma aula diferente do convencional. Através do tema nazismo surge uma discussão na classe de como a insanidade proveniente do nazismo poderia ser explicada. Na dificuldade em utilizar palavras, Rainer Wenger decide iniciar uma experiência para demonstrar como se constitui uma legião de seguidores que não se importam em executar ordens, independente de quais sejam.

A primeira forma aplicada na sala de aula é o poder através da disciplina: para isto o professor exige que mantenham a postura ereta, que se levantem quando dirigirem-lhe a palavra, assim como lhe tratarem somente pelo sobrenome. Também exige que as perguntas e respostas sejam breves e objetivas.

Todos passam a gostar da brincadeira, afinal todos falam a mesma língua e todos sentem fazer parte de um todo maior. Logo a segunda forma é aplicada: o poder através da união. Então criam um nome para o grupo, Die Welle (Em português, a onda), um símbolo, um cumprimento padrão e um estilo de vestimenta: calças jeans e camisas brancas.

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Os alunos começam a fazer do grupo um estilo de vida e levam a experiência para fora da escola. Passam a ajudar qualquer um que ostenta o símbolo do grupo, começam a pregar a filosofia e o estatuto do grupo, participam de festas e reuniões e excluem todos aqueles que não participam do Die Welle. Logo o orgulho e a satisfação em fazer parte de algo maior fazem com que eles começam a pixar as ruas com o símbolo da organização, e até mesmo o patrimônio público.

O próprio professor se sente orgulhoso pelo desfecho de sua experiência e começa a ficar ambicioso, em contrapartida de seus objetivos iniciais. Temos, portanto, uma representação pequena, porém idêntica, ao que foi iniciado por Hitler no início do nazismo. E, como mostra a história, é impossível que todos saiam ileso deste condicionamento subliminar.

A experiência de Ron James, anteriormente, virou um romance, um curta metragem de 1981 para a televisão, no canal ABC, e agora este sensacional filme com um trágico final (onde não poderíamos esperar algo diferente). Die Welle segue a risca a história descrita por James, cujos elementos do filme de 81 estão todos presentes, a não ser o final, que é arrebatador e fantástico nesta nova versão.

Enfim, vale a pena assistir e se chocar com Die Welle, que deixa um aviso: o que aconteceu em nosso passado não é impeditivo para que aconteça novamente. Neste caso, evoluímos, permanecemos ou entramos em ruptura com o tempo? São questões que ninguém jamais estará apto a responder.

Para saber mais sobre a experiência original – A Terceira Onda: Um Experimento -, clique aqui.

Por: EvAnDrO vEnAnCiO.   Blog: EvAnDrO vEnAnCiO.

A Onda (Die Welle). 2008. Alemanha. Direção e Roteiro: Dennis Gansel. Elenco: Jürgen Vogel (Rainer Wenger), Frederick Lau (Tim Stoltefuss), Max Riemelt (Marco), Jennifer Ulrich (Karo), Christiane Paul (Anke Wenger), Jacob Matschenz (Dennis), Cristina do Rego (Lisa). Gênero: Drama, Thriller. Duração: 101 minutos. Baseado em livro de Todd Strasser.

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25 comentários em “A Onda (Die Welle. 2008)

  1. Vi o filme de 81 na televisão e desde então acho esta experiência fantástica, apesar de assustadora também!!!
    Nos achamos imunes ao fanatismo, nazismo e etc mas com este experimento, pode-se ver o quanto estamos enganados. Principalmente no que se refere aos jovens de todas as épocas!!! Fiquei curiosa para assistir esta nova versão.

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  2. Já vi no colégio o novo filme e digo: vale muuuuuuito a pena! nem conhecia a versao anterior, mas nao teve o menor problema. o filme é até o tema da minha apresentacao no exame de alemao… parabéns pelo post!

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  3. Sem dúvida um relato sensacional, que choca ainda mais quando se sabe que tais acontecimentos não são ficcionais. Mostra que os jovens, não apenas os de hoje mas já na metade do século passado, são muito influenciáveis e não diferem muito bem o certo e o errado quando a causa maior lhes é mais interessante. Um grande filme, não pode ser esquecido!

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  4. Sou professor de história da SEE-SP. Convidei cerca de 50 alunos para assistirem A ONDA, numa sala da capital.
    Agora estou elaborando um questionário sobre o filme.
    A idéia é discutir o filme e trocar experiencias sobre o filme como agente de conhecimento.
    Vamos ver no que dá.
    Os jovens – seja de periferia ou abastados – têm uma predisposição fascitóide. E isso é aterrador.
    O filme mostra que as práticas autocráticas não foram definitivamente sepultadas.
    Recomendo também outro belo filme alemão, direçãod e Uli Edel – O Grupo Baader Meinhof – resgatando a trajetória da RAF, grupo de extrema esquerda que autou na Alemanha na virada dos anos 60 até meados dos 70.
    150 minutos de porrada.
    Há um diálogo entre esses filmes, incluindo aí “Edukators”, outra fita alemã e o belo e terrível ” Para Sempre Lilya”, de Lucas Moodyson.
    Grato.

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    • Oi Leonardo,

      sucesso nessa empreitada!

      E se puder, volte para contar o que resultou.

      Não esmoreça. Com a maioria dos políticos que há atualmente… onde o Conselho de Ética vira uma troca de favores… fica uma esperança de jovens mais éticos.

      Grata também pelas outras sugestões!
      Volte sempre!

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  5. Alem das forças do totalitarismo, fica sub-entendido no filme a incrivel força que os jovens tem para abraçar uma causa, uma ideologia, um sentido.

    Seja isso para o bem, seja para o mal.

    Otimo filme para se discutir.

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  6. Achei o filme maravilhoso, fiquei muito chocada também com o final. Já tinha ouvido falar na experiência, mas preferi ver o filme sem procurar saber mais detalhes. Agora quero saber aquele final realmente aconteceu na experiência real de Ron Jones em 67. Até agora só soube que a reunião no auditório para a dissolução da Onda é verdadeira.

    Recomendo demais, assistiria de novo facilmente.

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  7. Todos os elementos de formação do nacional-socialismo estão lá: a doutrinação da juventude, a simbologia, os uniformes, o autoritarismo, o sentimento de união, a segregação dos contrários, o dinheiro dos ricos para o financiamento (o aluno rico que paga pela propaganda), a aprovação de certas classes dominantes (na história foram os militares, parte do clero, certos políticos, os banqueiros, no filme foi a diretora da escola), etc.etc. A morte do estudante mais fanático no final é bem ilustrativa, porque ele era o mais carente, o mais deslocado, o mais solitário, o mais problemático e se apoiou na causa. No nazismo, os mais fanáticos foram os bandidos que matavam em Auschwitz. Filme emblemático. Deve ser mostrado e discutido em todas as escolas. Pena que por esse motivo, muitas das coisas boas da educação, como o respeito, a disciplina, o engajamento, a união, possam ser confundidos com doutrinas totalitárias (que pode muito bem ser comunista ou nazista…)…

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  8. Dizem que é remake de The Wave, mas não concordo. A temática é a mesma, apenas. Mesmo assim, um dos melhores filmes que vi nos últimos anos. Está no top 10 com certeza!!

    É um pouco assustador quando você percebe que podemos ser controlados tão facilmente, não é? Gosto dele pq gera uma discussão política e social muito bacana…

    Falo mais um pouco sobre minha opinião no meu blog. Dá uma passada lá e me conta o que achou…

    Abs.

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  9. é um otimo filme
    meu professor de geografia esta passando esse filme, q ainda ñ terminanos de ver, e ele vai entrar pros filmes de NaziFascismo

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  10. Assisti ao filme A Onda na apresentação da Gestão de Sistemas Educacionais II, a professora queria fazer uma relação com a gestão educacional, foi impactante e surpreendente, principalmente o final. Gostei muito do filme e recomendo que assistam, supresas sempre são bem vindas, e a prepotência sempre existirá……………….

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  11. Bah! Assisti ao filme ontem à noite, na aula de alemão. Cacetada! O desenrolar dos acontecimentos foi previsível, ao menos p mim. Não é jactancia, é q aos 64, louca por História, cinema, e grde leitora, foi só esperar … Grande filme!

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  12. Pingback: VolksWagen e Die Welle « André D. Moura

  13. Um filme muito bom! que mostra como podemos sem perceber virar nazistas ou facistas. Esse acontecimento é algo histórico.
    Filme muito bommmmm! RECOMENDO

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