A Bruxa de Blair (The Blair Witch Project. 1999)

the-blair-witch-project-011Um dos roteiros mais originais dos últimos tempos, ou melhor dizendo, da década de 90, foi o do filme A Bruxa de Blair. Considero-o um dos mais sensacionais e formidáveis, já fazendo parte do meu acervo; é um dos meus filmes de cabeceira. Realizado pelo diretor Daniel Myrick e Eduardo Sánchez, uma idéia genial, simples e barata, custando a bagatela de 50 mil dólares; uma trama perfeita com um final instigante.

Esse filme conta a história de três jovens universitários de cinema que tem como tarefa de curso produzir um filme. Os três resolvem fazer um documentário sobre uma lenda norte-americana de uma bruxa que vivia na floresta de Black Hill, uma pequena aldeia do Estado de Maryland – EUA (evidentemente).

the-blair-witch-project_06Chegando ao local, à pequena aldeia, esses jovens entrevistam moradores, perguntando se realmente a tal bruxa existe. A maioria confirma sua existência contando o que sabem, o que ouviram e um pouco de imaginação e delírio, que, se não mata, engorda.

E assim, os três estudantes se embrenham na floresta para fazer o tal documentário com as suas parafernálias e começa, então, estranhos acontecimentos mata adentro, a grande aventura, ou seria terror, suspense, drama?

the-blair-witch-project_04O filme A BRUXA DE BLAIR, gerou polêmica por confundir-se com algo que poderia ser real, por manter o máximo de veracidade antes, durante e após toda a sua gravação. Os próprios atores não tinham um roteiro de todo o procedimento da obra em questão, do que deveriam falar, como agir, e até sem um ensaio prévio; a maior parte, enfim, era o improviso. Em momento algum os atores sabiam o enredo. Propositalmente, para que o filme se aproximasse de um fato verídico, o diretor apenas os orientavam através de bilhetes que diziam o que cada um deveria fazer e deixando com cada ator com uma câmera de vídeo. Eis, afinal, o mistério desse filme sensacional ter se tornado um dos maiores fenômenos e recordistas de bilheteria.

Os jovens desapareceram misteriosamente. Somente um ano depois, todo material utilizado por eles é encontrado numa sacola, e, a partir daí, das imagens registradas pelo trio, dariam pistas do macabro destino.

a-bruxa-de-blairA idéia de se encontrar a câmera um ano após o desaparecimento dos estudantes numa casa escura e abandonada na floresta, e mostrando todo o conteúdo desse material registrado, impedindo-os de continuarem suas filmagens pelo pavor, pelo medo intenso, deixando um dos equipamentos cair, correndo o risco de perderem todo aquele trabalho, e o risco principalmente de perderem a própria vida, correndo para tentar salvar primeiramente a própria pele, faz-nos argumentar temas divergentes:

1º – que é possível fazer filme barato e inteligente como esse – A BRUXA DE BLAIR;

2º – faz-nos devanear sobre a história em si. Real ou fictícia? Um dos entrevistados falou da existência da casa abandonada na floresta onde a bruxa fazia suas possíveis vítimas. Uma abstração profunda. O que aconteceu depois? Realmente existe a bruxa? Alguém se salvou? Por que nenhum dos três teve a idéia de subir em uma árvore, por exemplo, para tentar se localizarem? Por que não fizeram uma fogueira? (Diz o ditado que, onde há fumaça, há fogo);

3º – e o que aconteceu com todos eles? Estariam vivos? Estariam mortos? Se mortos, por que a dificuldade em localizar os restos mortais, já que encontraram seus equipamentos?

É realmente um grande filme inovador e necessário para a bagagem cultural de todos os amantes de cinema.

É um filme bem pensado, que mexe com a imaginação das pessoas, e a melhor forma de assustá-las. Não se tem como definir o que significa; todas as sensações ou se fundem, se confundem, ou se completam; um medo psicológico de não sei o quê, ou tudo pode acontecer. Medo, ansiedade, insônia, calafrio, se fundem ao pavor na escuridão da mata e barulhos ensurdecedores do silêncio, do vento, dos animais, de crianças, medo do nosso próprio eu. O filme é simplesmente perturbador.

O objetivo é transmitir esse medo ao espectador, em um grau de tensão que aumenta ao longo do filme, e, com certeza esse objetivo foi alcançado. É um suspense psicológico brilhante.

O final não podia ser melhor…o que realmente aconteceu? Até agora me questiono isso; para bom entendedor, meia palavra, ou nenhuma, basta. Para um filme independente é uma obra-prima. Uma idéia absolutamente original, um marco para o cinema de terror. Constantemente põe nossa imaginação fértil à funcionar e nossa abstração a devanear. Um filme criativo, bem feito, sem dúvida, e inteligente. Era o filme que eu gostaria de ter feito.

E como eu sempre digo: vale a pena conferir.

Observação: conseguiu causar polêmica nos cinco cantos do mundo devido ao seu marketing. Por sinal, um dos melhores já feitos em cima de um filme.

Por:  Karenina Rostov.     Blog:  Letras Revisitadas.

A Bruxa de Blair (The Blair Witch Project). 1999. EUA. Direção e Roteiro: Daniel Myrick e Eduardo Sánchez. Elenco: Heather Donahue, Michael C. Williams, Joshua Leonard, Bob Griffin, Jim King, Sandra Sánchez, Ed Swanson, Patricia Decou, Mark Mason. Gênero: Aventura, Mistério, Terror, Thriller. Duração: 88 minutos.

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14 comentários em “A Bruxa de Blair (The Blair Witch Project. 1999)

  1. Concordo com a Karenina e com o Alexandre.

    A Bruxa de Blair é um dos grandes filmes de todos os tempos, que inovou o genêro definitivamente.

    Cloverfield e [REC] também são sensacionais, tensos e deliciosamente angustiantes, como todos filmes do genêro deveriam ser.

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  2. Um ótimo 2009 para vc também.
    Acho que esse filme eu não vi (Colcha de Retalhos).
    Aliás, olhando o seu site, tenho visto que estou atrasada na programação dos filmes. Vicky Cristina Barcelona eu só vi no domingo e Lemon Tree só entrou na segunda no cineclube daqui.
    Enfim, um 2009 com ótimos filmes para todos nós!!!!

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  3. Lella, como vai? Estava procurando uma informação sobre o filme “Enfim, Juntos” para embasar meu texto, e acabei caíndo no seu blog. Excelente, diga-se de passagem!

    Olha, eu acho A Bruxa de Blair interessante mesmo. Inovou? Sem dúvida. Nunca tinha se visto terror documental desta forma anteriormente. Mas não o coloco nem entre os 100 melhores filmes já feitos.

    Vou continuar te visitando, ok??

    Até mais!

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  4. Acho que eu serei crucificada agora 😀 é que eu cochilei vendo esse filme. Tenho um atenuante: o vi na tv, e dublado. Dai mais parecia um piquenique entre colegiais.
    Mas o texto da Karenina, me motivou a voltar a vê-lo. Mas com o som original.

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  5. Kau,

    esse texto meu sobre o ‘Enfim, Juntos’, eu já vi um plágio dele. Trocaram algumas palavras. Mas ao lê-lo, cheguei a exclamar: ‘Opa! Eu conheço esse texto!’ 😀
    Fazer o que… pelo menos a pessoa mostrou que gostou dele.

    Quando terminar seu texto, linke num comentário lá no desse filme, para que eu leia o que escreveste 🙂 até para que eu saiba onde o filme se perdeu.

    Grata, também pela visita! E querendo compartilhar resenhas suas, também serão bem-vindas. Como pode ver o blog está construindo um acervo de impressões de filmes, bem legal!

    Beijo grande,

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  6. Alexandre,

    ainda não temos no acervo, textos sobre Cloverfield e [REC]. Caso queiras compartilhar, serão bem-vindos!

    ———–

    Pândego,

    o mesmo para Matrix, querendo compartilhar, também publicarei seu texto.

    Beijo grande,

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  7. Evandro,

    na espera de mais textos seus! Eu vou ver se já salvei mais algum além do A Antena.

    ———-

    Adilene,

    o filme ‘Colcha de Retalho’ (How to Make an American Quilt) é lindo! Eu gostaria de rever.
    Uma Sinopse:

    Enquanto elabora sua tese e se prepara para se casar Finn Dodd (Wynona Ryder), uma jovem mulher, vai morar na casa da sua avó (Ellen Burstyn). Lá estão várias amigas da família, que preparam uma elaborada colcha de retalhos como presente de casamento. Enquanto o trabalho é feito ela ouve o relato de paixões e envolvimentos, nem sempre moralmente aprováveis mas repletos de sentimentos, que estas mulheres tiveram. Neste meio tempo ela se sente atraída por um desconhecido, criando dúvidas no seu coração que precisam ser esclarecidas.

    ——-

    Beijo grande,

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  8. Pingback: Atividade Paranormal « Cinema é a minha praia!

  9. Amei o filme a tensao o suspense o sentimento de pavor que o filme nos passa é muito interesante nossa eu me senti com medo depois de ver o filme pois e bastante realista meus parabems.

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