A Noiva Cadáver (Corpse Bride. 2005)

corpse-brideDefinitivamente, este filme não é somente para crianças. A despeito da técnica sensacional utilizada o “stop motion”, do domínio das cores, com a inversão delas. No mundo dos mortos tudo é colorido e claro, e no dos vivos a coisa escurece. Cada boneco de plasticina foi fotografado 24 vezes por segundo, para ter esse efeito! Uma trabalheira doida!

Mas a história e a composição dos personagens é que surpreende. O noivo é inseguro e carente. Uma vozinha por um fio. Praticamente um sósia do Johnny Deep, melhor ator de cinema atual, na faixa dos 40 anos. Suas características físicas correspondem às emocionais. E isso se espalha pelos diversos personagens. A noiva cadáver voluptuosa e quente. O olhar doce da noiva “de verdade”. O casal díspar, uma alta e longilínia e o outro baixo, atarracado, travado. Vejam como é difícil para ele apenas… sorrir.

Uma mórbida crítica a nossa sociedade. Na Inglaterra vitoriana, um casal de novos ricos, que vendem peixe, tenta atar laços com os decadentes Everglot. Um casamento de conveniência. Os ricos só casam com ricos ou com beldades estupendas. Ou você já viu uma menina rica e bonita casar com um modelo pobre? Ou um milionário casar com uma feia da sua idade e ainda por cima pobre?

Depois de não passar no teste do ensaio, o noivo resolve treinar na mata. E por acidente, celebra seu casamento com uma morta. Vai para o mundo dela. E que é muito mais interessante do que o seu. Adorei as cenas do encontro com o antigo cão. E o musical também.

Uma luta se desencadeia. Entre a sem sal viva, e a sensual morta. Mas honesta. O que é extremamente raro entre mulheres. A primeira é declarada louca e a segunda é desestimulada a brigar pelo seu homem. Ambas prosseguem. Até que o candidato a casar-se com ela – a vivia-  se revela como o antigo assassino da noiva cadáver.

Diante da tal surpresa encontramo-nos em um grande impasse. Como casar com alguém que já está morto e como impedir que um vivo case com um outro vivente? Somente matando o desgraçado. E é o que acontece, numa seqüência inteligentíssima.

O final é belo. Singelo até. Mudei de opinião durante o desenrolar da fita. Comecei torcendo pela noiva cadáver e depois para a de carne e osso. No finalzinho eu queria algo feliz. Como um menino sonhador. Como um cinéfilo.

O que há de bom: cenas e mais cenas de closes arrebatadores, com sutis nuances de humor e ângulos diferentes, inusitados
O que há de ruim: as mensagens de valores e encontros e desencontros, não chegarão ao público de direito, as pessoas ricas que acham que tudo se resolve por contratos
O que prestar atenção
: vários atores que dublam já fizeram três ou mais filmes com Tim Burton, isso dá uma espontaneidade incomum em outras obras, tornando-o cada vez mais personalista, e bom
A cena do filme: a fina ironia de quando ela canta que sente o coração doer, embora ele não bata, está se partindo… lindo!

Cotação: filme ótimo (@@@@) para cinéfilos, claro…

Por: Giovanni Cobretti – COBRA.   Blog do C.O.B.R.A.

A Noiva Cadáver (Corpse Bride). 2005. EUA. Direção: Tim Burton e Mike Johnson. Elenco (Vozes): Johnny Depp (Victor Van Dorst), Helena Bonham Carter (Noiva-Cadáver), Emily Watson (Victoria Everglot), Albert Finney (Finnis Everglot), Richard E. Grant (Barkis Bittern), Christopher Lee (Pastos Galswells). Gênero: Animação, Comédia, Fantasia, Musical, Romance. Duração: 78 minutos.

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2 comentários em “A Noiva Cadáver (Corpse Bride. 2005)

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