Número 9 (The Nines. 2007)

Por: Eliude A. Santos.

the-nines
O drama dirigido por John August é dividido em três atos.
No primeiro, intitulado O Prisioneiro, Gary (Ryan Reynolds) vive um ator em prisão domiciliar que imagina que a casa é assombrada e que pode estar sendo perseguido pelo número nove, e compartilha seus medos com a vizinha (Hope) e uma fã (Melissa) que está lhe ajudando a passar pela condicional.
No segundo ato, intitulado Televisão Realidade, Gavin (Ryan Reynolds) é um roteirista de tv que está tentando colocar seu programa no ar e que incentivado por sua agente executiva (Hope), precisa livrar-se da atriz que faz a personagem principal do show e que é sua melhor amiga (Melissa que, nesse papel, vive ela mesma, citando inclusive sua participação em Gilmore Girls).
No último segmento Conhecimento, Ryan Reynolds vive Gabriel, um afamado designer de vide-games que fica preso num parque com a esposa (Melissa) e a filha (Elle Fanning) e sai para procurar por ajuda e acaba encontrando-a em Sierra (Hope), uma estranha mulher que está caminhando na rodovia.
Com um argumento originalíssimo, “Número 9” amarra essas três histórias e cria uma nova mitologia metafísica que de fato me deixou impressionado com a capacidade desse talentoso roteirista, que também é o diretor desse drama de suspense excelente.

Agora, somente para quem viu o filme:

Muita gente pode ficar confusa ao assistir esse drama nem um pouco convencional, por isso, decidi explicar o argumento do filme para as pessoas que possam não ter entendido ou estejam simplesmente buscando uma confirmação de que não tenham de fato viajado na maionese:

O filme utiliza-se de uma metáfora que remonta os mitos de antigos deuses, onde o personagem principal cria uma realidade no trançar das linhas de uma pulseira em suas mãos e, quando resolve destruir aquela realidade ele simplesmente arranca a pulseira e desfaz o trançado.

Garry, Gavin e Gabriel são algumas das personalidades vividas por um dos “Nove”, uma espécie de semi-deus responsável por criar realidades onde os humanos (que seriam os “Setes”) possam viver. Por mais de 4000 anos ele foi criando universos para sua diversão. Essas realidades são criadas de pequenos cristais (cracks) e ele é viciado em fazer isso. Em cada universo esse semi-deus vive uma nova identidade, tentando fugir da própria. É como se tivesse de certo modo inveja de sua criação (os “Setes”), e passa a querer ser como eles. E sua habilidade como criador é tão grande que convence a si mesmo que é uma criatura, e precisa de outra deidade que o lembre de sua própria natureza.

Então, outros três “Nove” como ele entram em sua realidade para tentar fazer com que perceba quem é (a loira, o policial e a prostituta). Eles estão tentando tirá-lo de seu vício para que ele retorne pra “casa”, ou seja, volte a exercer seu papel de semi-deus criando realidades para os humanos sem tomar parte delas. Em todas as realidades, Melissa é a encarnação de seu vício em ser humano. É ela que o prende à sua condição pois desenvolveu amor por seu criador da mesma forma que ele desenvolveu pela criatura. Somente quando esse “Nove” entende que precisa desprender-se dela para assumir sua identidade superior ele se desprende do vício criando uma última realidade no melhor de todos os mundos possíveis para que sua amada criatura possa ainda ter existência longe dele.

A última cena pode confundir algumas pessoas, que pensam que tudo não passou de imaginação da Melissa, que criara em sua cabeça todas aquelas realidades. Especialmente porque acham que a frase da executiva de tv para Gavin, dizendo que ele não é um “homem” está mais associada ao seu gênero (masculino>feminino) que à sua espécie (ser humano>semi-deus). E essa é uma visão muito simplista e limitada da história, inclusive porque não engloba muitos detalhes apresentados no filme e descarta a última frase da menina e o olhar de agradecimento da própria Melissa ao fazer o bolo com a filha e o novo marido. Assim, para quem interpreta o apalpar do rosto como uma constatação de personalidade (do tipo, “Eu sou mulher!”), eu diria que aquela cena na verdade é uma constatação de materialidade (algo mais do tipo, “Eu ainda existo!”)

Por: Eliude A. Santos.  Blog:  Ode ao Ego.

Número 9 (The Nines). 2007. EUA. Diretor e Roteirista: John August. Elenco: Ryan Reynolds (Gary, Gavin e Gabriel), Melissa McCarthy (Margaret, Melissa e Mary), Hope Davis (Sarah, Susan e Sierra), Elle Fanning (Noelle), David Denman (policial), Octavia Spencer (prostituta). Gêneros: Drama, Fantasia, Suspense, Ficção Científica. Duração: 100 minutos.

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9 comentários em “Número 9 (The Nines. 2007)

  1. ola vi o filme hoje, num entendi, achei seu blog, assisti de novo o filme e comecei a entender, mas na 2 parte tem uma ligação com a 3 parte, qual a ligação da primeira parte? onde ele queima uns ursinhos de pelúcia q seria da menininha? e pq tem tudo gravado numa câmara que esta com a menina no final do filme?
    Vlw

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  2. Acabei de rever o filme e talvez The Nines enfoque teorias de ser multidimensional e realidades simultâneas. A escala numérica de 10 – Deus, 8 – Coalas, 7 – Macacos e 9 – ser multidimensional é uma jogada do diretor. Além disso, mostra que o personagem principal (9), esqueceu de sua condição multidimensional e se apegou extremamente á realidade linear dos seres humanos (7) E me parece que os personagens (Sarah, Susan e Sierra) são (9), pois buscam despertar o personagem principal de sua condição multidimensional. Notem que o personagem principal deixa a matéria corporal, tornando-se um bólido luminoso e arremessado ao espaço sideral ao final do filme. Segue um apanhado teórico, filosófico e científico da teoria quântica multidimensional – “Ser um humano multidimensional é estar conscientemente em vários locais diferentes ao mesmo tempo, pois existimos em diversas realidades. Vocês já devem ter ouvido falar que existem outras porções de vocês mesmos que estão muito mais unidas e que sabem muito mais que vocês, pois é, isso é verdadeiro, então, como vamos poder saber quando esses outros aspectos do nosso ser vão começar a se manifestar? Aí então, começaremos a descobrir aspectos nossos que existem no não físico, ou partes de nós que vivem de outra forma, desenvolvendo outros potenciais e até mesmo, vivendo em outros planetas.” danielbrasilsm@hotmail.com

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