KLASS (2007) e a Questão da Morte

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O texto contém spoiler.

Tive a felicidade de assistir aquele que talvez seja o melhor filme produzido em 2007. Se trata de Klass, uma produção da Estônia, país que não tem tradição no cinema mas que merece ser respeitado desde já.

A película fala sobre a história de dois garotos que são extremamente humilhados e torturados por seus colegas de classe até que acendem o estopim. Não suportando mais serem agredidos eles entram no pátio da escola e chacinam diversos alunos. No fim se suicidam.

De certa maneira o filme repete os fatos do episódio conhecido como o “Massacre de Columbine”, porém o foco está presente nos dois assassinos, na angústia, na tortura física e psicológica, e nos seus temores de estudar em um colégio onde os alunos estão mais preocupados em formar gangues e organizar festas do que realmente aprender alguma coisa.

O filme pode ser polêmico pois, ao seu término, dizemos em nosso íntimo: “toda esta turma merecia coisa muito pior do que morrer” e “é uma pena que eles tenham cometido suicídio“. Pois é, o diretor sabe como transitar o nosso sentimento através do decorrer da história e dá um motivo compreensível para a execução da chacina.

Mesmo não sendo esta a intenção (creio que a intenção maior seja um alerta para pensarmos na consequência de nossos atos – afinal jamais aqueles jovens imaginavam que as suas brincadeiras levariam-os até a morte), o filme levanta algumas perguntas importantes para a nossa reflexão: mesmo sendo contra a lei, será que realmente é errado matar em qualquer tipo de ocasião? Será que tem gente que não merece morrer? O mundo não seria melhor se certas pessoas simplesmente deixassem de existir?

Não conheço tão a fundo as motivações da duas pessoas que cometeram a “Chacina de Columbine” para fazer qualquer julgamento de suas atitudes, muito menos daqueles que foram assassinados (me baseio somente pelo filme) porém temos alguns outros exemplos mais próximos e que podemos aplicar os mesmos questionamentos: o bandido Champinha e o do Francisco de Assis Pereira, conhecido como o “Maníaco do Parque”.

A única motivação dos dois para cometer crimes é o prazer de torturar e assassinar pessoas. Não há mais nada em jogo. Para este perfil de pessoa, não seria mais justo finalizar a sua existência do que prolongar a sua vida atrás das grades (isto quando não estão livres)?

Eu entenderia muito bem se os parentes das vitimas resolvem agir por si mesmos e resolvessem acabar com a vida destes dois exemplos, pois justiça – neste país principalmente – é apenas uma palavra sem significado concreto. Ou seja, nada mais justo do que aplicarmos o nosso senso de justiça nestes casos extremos.

Também vejo desta forma para alguns políticos que se enriqueceram a base do dinheiro do povo trabalhador: ora, isto é roubo e deveria ser punido. Como a palavra “crime político” não existe, nada – absolutamente nada – acontece. Pois bem, um cara que está nadando em dinheiro que não é dele poderia muito bem morrer por um atentado, para que ficasse de exemplo para os próximos que resolvessem fazer o mesmo. Para mim isto não está errado.

Bem, não vou me alongar muito para não ficar muito nervoso ou muito revoltado, afinal o dia está apenas começando e não quero que a minha alma fique congestionada pelo senso de injustiça que permeia nossa sociedade.

Mas que é um bom filme é, sem sombra de dúvida.

Por:  Evandro Venancio.

KLASS 2007. Estônia, 2007. Direção e Roteiro: Ilmar Raag. Elenco: Vallo Kirs (Kaspar), Pärt Uusberg (Joosep), Lauri Pedaja (Anders), Paula Solvak (Thea), Mikk Mägi (Paul), Riina Reis (Riina), Riina Ries (Riina), Joonas Paas (Toomas), Virgo Ernits (Tiit), Karl Sakrits (Olav). Gênero: Drama. Duração: 99 min.

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5 comentários em “KLASS (2007) e a Questão da Morte

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