Juventude Rebelde (Kidulthood. 2006)

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Se eu não tivesse assistido ‘Kids‘, ‘Trainspotting‘ ou ‘Romper Stomper‘, talvez eu tivesse me surpreendido um pouco mais com este filme, visto que a fórmula é a mesma: o retrato de uma juventude selvagem, cega e ignorante que só pensa em drogas, sexo e crimes, como furtos à lojas e bullying. Vemos aqui adolescentes de 15 anos que se acham os maiorais, os intocáveis, e que pouco importam-se com o legado deixado por seus pais, que geralmente batalham muito e não sabem – ou fingem não saber – das coisas más que seus filhos fazem.

Ainda que não tenha ficado surpreso, é impossível não ficar sentido ao revermos todos estes atos de selvageria. Talvez a intenção seja justamente esta: alertar os pais e as pessoas para a realidade de nossos jovens, que cada vez mais se envolvem em ciclos de “amizades” fúteis e que servem apenas para desconstruir todos os valores éticos e morais sobre como conviver em harmonia e parcimônia na sociedade.

Assim como em Kids, o enredo foca na história de diversas personagens em paralelo, sendo que todas as personagens se conhecem e possuem elos que permitem que na trajetória da personagem A conhecemos detalhes da personagem B, e assim por diante.

Numa escola de periferia, uma garota não aguenta mais ser vítima de bullying e acaba por se suicidar, tamanha é a pressão. Na mesma escola, Sam é um negro que comanda uma gangue que aterroriza todos os alunos. Ele é um dos que maltratam a pobre garota.

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Trife, Jay e Moony são amigos de infância inseparáveis. Pequenos vândalos, eles gostam de falar em gírias e se vestirem como cantores de hip hop. Eles estudam na mesma escola que Sam, que apenas por diversão, amedronta o trio e rouba um videogame portátil de um deles. O que Sam não sabe é que Jay está tendo um caso com a namorada de Sam.

Alisa é a ex-namorada de Trife, que acaba de descobrir que está grávida dele. Vive um dilema entre assumir a criança ou abortá-la. Sua melhor amiga, Claire, é uma garota que descola drogas e dinheiro vendendo o seu corpo para adultos e só pensa em se divertir. Ela ficará responsável por aconselhar Alisa o que deve fazer.

Esta é a premissa básica do filme. A partir daí uma série de eventos vai desenrolar a história. O suicídio da garota fará com que na escola onde todos os jovens estudam não tenha aula. Neste dia, o trio composto por Trife, Jay e Monny resolve aterrorizar a cidade: vão a algumas lojas, azaram algumas garotas e arrumas pequenas brigas nas ruas de Londres. De repente eles têm uma idéia: pegar o videogame portátil roubado de um deles. Vão até a casa de Sam, dão uma surra nele, derrubam a sua mãe no chão e ainda pegam a namorada do cara.

Obviamente Sam não irá deixar barato e vai atrás de cada um deles. Durante todos os eventos daquele dia, Trife decide que não quer ser mais um marginal, que irá mudar e que irá cuidar do filho que Alisa, sua namorada, espera. Mas é tarde demais: Sam o encontra, dá um surra em Trife, mas passa da conta. Trife falece na frente de todos.

Embora o enredo seja simples, alguns arranjos acabam por dar um certo destaque no filme e justificam uma série de atrocidades marginais: Monny, negro e vestido como um rapper americano, quer pegar um taxi, porém diversos passam e nenhum para. Se ele quiser chegar ao seu destino, terá que ir a pé. Numa das lojas que eles entram, então vendo uma série de bonés. O segurança praticamente cola neles. Ao sair, são abordados e Trife é acusado de ter pego um boné da estante (visto que ele vestia um igual ao daquela seção). O gerente é chamado e também o acusa. Trife argumenta que ele já havia entrado na loja com aquele boné, mas eles não querem saber e pedem pela polícia, até que uma vendedora confirma o que Trife havia falado: ele realmente já estava com aquele boné.

O que o escritor Noel Clarke, que também interpreta Sam, deixa claro é que nenhum daqueles jovens são criminosos em potencial, mas adeptos de um modismo transviado onde todos parecem fazer parte. Eles querem, apenas, aparecer para seus amigos e para sua tribo. Querem demonstrar que eles são insuperáveis e que podem fazer o que bem entender. Querem mostrar para todos que as leis não valem para eles, que eles são livres para fazerem o que bem entenderem e que não devem justificativas para ninguém. Querem mostrar que são destemidos, que não é por causa da pouca idade é que eles devem ser desrespeitados. Enfim, necessitam da violência para ser firmarem como ser num mundo onde ninguém parece prestar atenção em nada. No mundo das aparências, eles também querem aparecer.

Talvez o alerta seja para darmos mais atenção aos nossos jovens e vigiar para que eles não se percam em más companhias. Há um consenso que aquilo que irá determinar a formação moral e ética de um jovem tem mais a ver com suas amizades do que com a sua família. A sabedoria popular uma vez disse que ao saber com quem andamos é possível saber quem somos, e isto é verdadeiro. Isto explica porque irmão criados debaixo do mesmo teto podem seguir caminhos tão diferentes. Ademais, o filme também deixa claro que cada ação tem uma consequência e que certas ações também devem ser vigiadas por a consequência pode ser fatal.

Enfim, embora seja mais do mesmo, eu recomendo este filme para que esta preocupação, que as vezes insiste em dormir em nosso íntimo, seja desperta e assim possamos agir enquanto ainda é tempo, pois a omissão também é um ato que também gera uma consequência.

Por: Evandro Venancio. Blog: EvAnDrO vEnAnCiO.

Juventude Rebelde (Kidulthood). 2006. Inglaterra. Direção:  Menhaj Huda. Elenco: ImDb. Gênero: Drama. Duração: 91 minutos.

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