O Advogado do Diabo (Devil’s Advocate. 1997)

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O Advogado do Diabo“. Um filme excelente e brilhante! Quem assistiu com os olhos na beleza do Keanu Reeves e não prestou atenção nas ações dele, por favor, corra à locadora e reveja essa obra! A palavra Diabo, em alguns, já trás uma resistência, como algo do MAU e MAL. Você mesmo que me lê, faça o favor de suspender os preconceitos, as religiosidades, as igrejinhas e os credo de todo santo dia e de todo dia santo.

Al Pacino, o Diabo, no filme chamado John Milton, levantou questões primordiais: Livre-arbítrio, Humanidade, Ambição, Vaidade, Amor, Amor-Próprio, Culpa. Mas ainda não é hora de falar sobre isso. Agora é hora de apresentar a ficha técnica da obra:

Título Original: Devil’s Advocate
Suspense
Origem/Ano: EUA/1997
Duração: 144 min
Direção: Taylor Hackford

Kevin Lomax (Keanu Reeves) é um brilhante advogado convidado a trabalhar na empresa de advocacia de John Milton. E aceita! Então ele e sua esposa Mary Ann (Charlize Theron), que tinham uma vida mais simples, mas mais amorosa, mudaram completamente suas rotinas: mudaram para NY, Kevin praticamente não tinha mais tempo para a esposa. A partir daí, os testes começaram…

Aliás, como diz Milton, as negociações começaram…

Que negociações são essas? As do livre-arbítrio. Afinal, o que é livre-arbítrio? É a doutrina filosófica de que os homens têm o poder de escolher suas ações. Veja bem, aqui não se trata de dizer que o sujeito é livre para voar ou qualquer coisa parecida.

Levando-se em conta que algumas coisas são pré-determinadas e exigem certas predisposições, estou dizendo que o homem têm o direito à escolher, mesmo que dentre as opções impostas.

O que muda absolutamente tudo.

E Kevin escolheu… escolheu não ter tempo para a família, mesmo com sua esposa adoecendo a olhos vistos, que também escolheu permanecer doente. Kevin escolheu a profissão, a vaidade de vencer sempre, a ambição de ser o melhor advogado criminal de NY, o que equivale dizer ser o melhor advogado dos EUA.

E a vida cobrou o preço disso… sempre alto! A vida não cobra barato nunca! As pessoas devem se conscientizar disso: pra tudo tem um preço. Esse preço, essa dívida simbólica é cobrada ao longo da existência e ninguém tem alguma culpa de sua dívida, ela é apenas sua e de suas escolhas.

O preço que Kevin pagou foi o suicídio de sua esposa. Depois de internada numa clínica psiquiátrica, num momento delirante, ela se matou. E Lomax foi pedir as contas com Milton…

Chegando na Torre de Milton, Kevin o acusa de ter matado Mary Ann.

E aí, no final do filme, há um fechamento, uma síntese de todo desenrolar do filme, de forma brilhante!

Reproduzirei:

Milton diz:

-“ Livre-Arbítrio. É como as asas da borboleta. Se tocar, não saem do chão. Eu só preparo o palco. Você só manipula suas cordas. Nunca perdeu uma causa. Por quê? O que você acha? Por que você é bom? Sim! Mas por quê? Ninguém ganha sempre, Kevin”.

E continua, ao falar de Mary Ann:

-“Mary Ann… Você poderia tê-la salvado. Ela só precisava de amor. Você não tinha tempo… Pare de se iludir! Eu mandei você cuidar de sua mulher. O que eu falei? O mundo vai entender! Não falei? E o que você fez? “Sabe o que me assusta, John? Eu largo o caso, ela melhora, e eu começo a odiá-la”. Lembra-se? Eu não fiz isso, Kevin? O que eu disse naquele dia do metrô? Talvez fosse sua hora de perder. Você não concordou.

John então respondeu:

-“Perder? Eu não perco! Eu ganho! Eu ganho! Eu sou advogado! Essa é minha profissão!

E Milton responde brilhantemente, em minha opinião:

-“A vaidade é, com certeza, o meu pecado predileto. Amor-próprio, a droga mais natural. Sabe, não que você não gostasse de Mary Ann, é que você estava mais envolvido com outra pessoa. Contigo mesmo…

Estou te dizendo, a culpa é um saco cheio de tijolos. Tudo que você tem de fazer é largá-lo. Pra quem você está carregando esse saco de tijolos?

Deus? É isso? Pra Deus? Escute aqui! Vou te dar algumas informações sobre Deus.

Deus gosta de observar. Ele é um gozador. Pense! Ele dá instintos ao homem. Ele lhe dá esse extraordinário dom, e o que faz depois?

Eu juro, para a própria diversão, para a própria comédia cósmica particular, ele cria regras contrárias. É a maior piada de todas:

Olhe, mas não toque. Toque, mas não prove. Prove, mas não engula.

E, enquanto você pula de um pé para outro, o que ele faz?

Ele fica se mijando de tanto rir! Ele é um sacana!! Ele é um sádico!!! Ele é um patrão ausente! Adorar isso? Nunca! … Eu me preocupei com seus desejos e nunca o julguei. Por quê? Porque eu jamais o rejeitei, apesar de suas imperfeições. Eu sou fã do homem! Eu sou um humanista! Talvez o último humanista”…

Ficaram sem fôlego rs?

Confesso que essa parte do filme é demais!

Bom, o mal da humanidade é se prender ao pré-julgamento interno do que seja mal e bem. Do fazer bem e mal… Onde nada disso conta, pois tudo não passa de ser Humano, demasiadamente humano…

Ninguém conseguirá ser imagem-semelhança de Deus. Pois ser Homem é ser instintivo, é ser ambicioso e é colocar em jogo a auto-preservação; o que nos torna egoístas e competidores natos de uma cadeia alimentar vasta.

Os instintos “que Deus nos deu” são imperfeitos para o objetivo de ser igual a ele desde e para sempre. Nosso duplo é o diabo, como já dizia o Filósofo Cioran. O Diabo é humano!!! Deus é desumano…

Como Lestat falou em Entrevista com o Vampiro: o Mal é um ponto de vista.

Kevin queria dinheiro, sucesso profissional e fama! Isso é um mal? Quem não quer isso que atire a primeira pedra! Isso é HUMANO!!!

Obviamente que temos o livre-arbítrio de termos uma vida mais simples, de tomarmos na cara sempre, de tentarmos ser a perfeição de Deus… Tudo é uma escolha! Escolha que jogo jogar lembrando-se sempre que SEMPRE há um preço nisso, independente da escolha feita.

Por: Vampira Olímpia.

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7 comentários em “O Advogado do Diabo (Devil’s Advocate. 1997)

  1. Oi Robson!

    Quando na montagem do blog, eu optei em selecionar os filmes por países, em vez de gêneros. E que até nos deixa uma curiosidade maior em conhecer mais dos locais, e por um olhar deles.

    Beijo grande,

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  2. Pois é sabemos que tudo tem sem preço, mas minha alma não tem preço, assim como a alma de ninguém. O filme é fantástico, e realmente, pra falar a verdade, o personagem de Keanu Reeves só pecou no final, como todos sabem por orgulho. Vcs falam que peitar o diabo é coisa de amador, como se fosse impossível vencê-lo. Sim, vencer nosso lado B é bem difícil, a dualidade está em nosso mais profundo de nossa alma. Mas daí a proclamar aos sete ventos que não é possível vencer é um discurso, não de amadores, mas de perdedores. E o mal, na forma de diabo, demônio, como queiram, não entra pra perder, não tem cara de quem vai dividir o troféu no fim do jogo. Ingenuidade uma pessoa falar em amadores e profissionais, quando se está falando de vidas. Amador e profissional são os jogadores de futebol, os atores de uma companhia mambembe e uma emissora de tv, não se divide pessoas que estão barganhando suas almas como amadores e profissionais. Já que cinema é arte e a arte imita a vida, não acho que estou sendo radical em meu ponto de vista Licença poética é pra quem usa a arte como fuga do mundo real. O mundo em que vivo é mais real do que eu gostaria…

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