Tropa de Elite (2007)

tropa-de-eliteMuito bom filme.

Tropa de Elite sem mais nem menos, é o retrato de um sistema que se move por vícios, no termo geral da palavra (defeito, corrupção, habitualidade ilegal), vindo de todas as partes da sociedade seja militar, civil ou do Estado, deixando a sociedade doente e sem saída. Faz pensar, e quem sabe assim, buscar a tal saída.

Quem tem o mínimo de consciência, culpa a si mesmo, ou pelo menos, se engloba nesse emaranhado de violência, descobrindo que não basta vestir-se de branco e ir as ruas gritar por paz; a injustiça social e a conivência com o crime, voltam para nós mesmos, ainda que não sejamos cientes disso.

Capitão Nascimento é o homem que se considera o “virtuoso” do BOPE, aquele que comanda a tropa, que parte para a guerra, que elimina corruptos, que aniquila seus inimigos (e do povo também), e que evita ter sentimentalismos, embora seu lado humano apareça. Vê tudo isso como a sua única verdade – e como poderia ser diferente diante daquela realidade e das necessidades que o transformaram? É ele, o que há de mais perverso, mas isso não vem muito ao caso, pois ele é produto do meio, assim como os traficantes e os que curtem um baseado.

Sobre a cena final, não tive dúvidas, pois naquele estado, polícia e bandido tem um desejo sanguinário equiparável por motivos diferentes, mas que não faz a menor diferença quando o alvo é um inocente. Fiquei realmente na dúvida sobre apertar ou não o gatilho, mas olhei para baixo e me contorci. Penso que balancei na vingança.

Por: Tita R. P.  Blog: Na Tela.

Tropa de Elite. 2007. Brasil. Direção: José Padilha. Elenco: Wagner Moura (Capitão Nascimento), Caio Junqueira (Neto), André Ramiro (André Matias), Milhem Cortaz (Capitão Fábio), Fernanda de Freitas (Roberta), Fernanda Machado (Maria), Thelmo Fernandes (Sargento Alves), Maria Ribeiro (Rosane), Emerson Gomes (Xaveco). Gênero: Ação, Drama, Policial. Duração: 118 minutos.

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19 comentários em “Tropa de Elite (2007)

  1. Amei o filme, amei a produção, que na minha opinião leiga é uma das melhores do cinema brasileiro. A hisória choca, mas traz à tona questões de integridade que são pouco exploradas em nossa sociedade. Uma ótima indicação.

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  2. Eu também gostei muito desse filme! E só não revejo por conta daquele funk. Foi preciso ouvir horas de Vivaldi para que essa praga saísse da minha mente.

    E o filme me levou a pensar no texto do Affonso Romana de Sant’Anna: ‘Nós, os que matamos Tim Lopes’

    (…) Enfim, matamos Tim Lopes todos nós que de maneira direta e indireta pactuamos com o crime. Porque chegamos a um tempo em que a participação indireta tornou-se tão infamante quanto a prática direta do próprio crime.

    E não se trata de um exercício do famoso complexo de culpa judaico-cristão. Trata-se, isto sim, de fazer uma autocrítica pessoal e do sistema que engendramos.(…)

    http://www.ogamita.com.br/txt_timlopes.htm

    Enquanto tiver viciados, haverá os traficantes.

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  3. Que maravilha me ver num espaço bacana como este e falando sobre um filmaço nacional.

    Não concordo com opiniões atuais que implicam com o fato de o cinema brasileiro ser direcionado apenas aos filmes sobre favelas e violência. Esse é um retrato vivo da sociedade, assustadoramente se instituindo como algo normal no cotidiano, sem mais despertar o questionamento da população. É sério isso. Certamente, quando alguém de competência como o diretor José Padilha se joga para um bom roteiro, formam-se pérolas a qualquer tema, seja um romancinho, regionalismo, comédia etc. Mas, não culpemos alguns excelentes diretores por preferirem falar das doenças sociais e direcionarem seus esforços à jóias como este Tropa de Elite.
    Outra coisa que sinto, é uma parcela da população descontente com o filme por achá-lo uma apologia ao sistema do Bope, ao invés de uma crítica social instrutiva. Ora, o cinema não foi feito para educar didaticamente no beabá, ele é arte e a educação que emana das telonas não tem que ser didática, ela é para se pensar, questionar, distinguir isso é primordial.

    Vejam, quem não faz tal distinção, chegará a achar o filme uma apologia ao Capitão Nascimento, aprendendo seus bordões e até cantando o funk desgraçado que a Valéria citou(uma chatisse mesmo), mas quem se propõe a ir além, entenderá que ali está um sistema policial brutal contra um sistema criminoso brutal, e, principalmente que torna a sociedade civil tanto vítima como culpada por ambos.

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  4. Tita!

    Seus textos serão sempre bem-vindos!

    Assistindo ao filme ‘Edson – Poder e Corrupção’, eu fiquei em dúvida se algo do tipo Tolerância Zero, de NY, se seria viável no Rio de Janeiro. Pela força dos que corrompem o sistema.

    Agora, uma política de segurança pública mais enérgica, se faz necessário. E com urgência.

    Eu estou em falta com o Cinema Nacional, mas é por falta de oportunidades.

    Beijão,

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  5. ATENTADO A DIGNIDADE HUMANA E AOS DIREITOS HUMANOS.

    Fui um dos acusados inocentes da chacina de Vigário Geral em 1993. Preso disciplinar por “não atualizar endereço”. No CD (conselho disciplinar /ADM) provei tê-lo informado, entretanto fui excluído pela acusação da chacina. Vários princípios constitucionais do artigo 5º da Constituição da República Federativa Brasileira foram feridos, “O DEVIDO PROCESSO LEGAL”, entre outros.de igual gravidade, como também tratados internacionais ratificados pelo Brasil. Libelado por não informar endereço, entretanto excluído pela chacina sem ser ainda julgado (Tribunal de exceção). No BP-Choque prestei depoimento sob efeito de tranqüilizantes, no CD (conselho disciplinar), com conhecimento dos oficiais, membros. No BP- Choque fomos torturados com granadas de efeito moral às vésperas do depoimento no II TJ, cujos fragmentos foram apresentados à juíza, que enviou a perícia, consta nos autos, mas nada aconteceu conclusivamente. Na véspera do natal de 1993, quando transferido para a POLINTER, protestei aos gritos a injustiça e no curso fui enviado ao hospital de loucos, em Bangu, mas por não ter sido aceito, retornei e, em dias, fui transferido para Água Santa. Neste também fui agredido e informei no dia seguinte em juízo, estando com ferimentos, mas nem fui submetido à perícia. Transferido para o Frei Caneca (UPE), pude ajudar a gravar as fitas com as confissões cujas 23 inocentes puderam alcançar a liberdade e, transferido para o CPI/PM (COMANDO DE POLICIAMENTO DO INTERIOR). Após a perícia das fitas, fui solto provisoriamente; Dei entrevistas me defendendo e tive minha liberdade provisória caçada e enviado ao 12ºBPM, acredito, para me silenciarem. No júri fui absolvido. Meus pedidos de reintegração nunca foram respondidos até há alguns dias, quando um Coronel PM informou via correspondência que meu direito processual havia precuído, esperaram o tempo passar para não discutirem o meu direito material. Tive um filho com 18 anos, assassinado por vingança, tive vários atentados e um deles me aleijou a perna esquerda, com limitação parcial, sofro de diabete, enfartei aos 38 anos, possuo um tumor na tireóide. Tento reintegração em ação rescisória Processo No 2005.006.00322 TJRJ com pedido de tutela antecipada para cirurgia no HPM buscando extração do tumor.Portanto vários atentados à minha dignidade humana e direitos constitucionais indisponíveis foram cometidos. As pessoas responsáveis nunca responderão por diversas prisões de inocentes? Afinal foram 23 inocentes presos (PROCESSO VIGÁRIO I) por quase quatro anos com similares seqüelas. Ajudem-me a resgatar minha dignidade. No menor prazo possível estarei providenciando os documentos, todavia esclarece que alguns destes, foram extraviados, quando sofri o assalto descrito na denúncia, cujos foram levados no carro que me levaram; seria necessário desentranhamento dos meus depoimentos no processo da chacina do II TJ. A injustiça queima a alma e perece a carne!

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  6. Vigário Geral: tragédias por todos os lados
    Por Gustavo de Almeida

    Nesta sexta-feira, completaram-se 15 anos da triste chacina de Vigário Geral, quando 21 inocentes foram assassinados da forma mais insana possível, em uma vingança sangrenta que tomou conta do noticiário internacional.
    O noticiário na TV vai ficando mais ralo…
    Vigário Geral e o Rio de Janeiro se refletem em um espelho, quando somam impunidade e injustiça.

    Poucos sabem, mas há um PM no caso de Vigário Geral que acabou se tornando vitima. Trata-se de Sérgio Cerqueira Borges, conhecido como Borjão.
    Borjão foi um dos presos que em 1995 já eram vistos como inocentes, colocados no meio apenas por ser do 9º´BPM. A inocência de Borjão no caso era tão patente que ele inclusive foi o depositário de um equipamento de escuta pelo qual o Ministério Público pôde esclarecer diversos pontos em dúvida.
    Borjão foi expulso da PM antes mesmo de ser julgado pela chacina. Era preso disciplinar por “não atualizar endereço”.
    Borjão conta até hoje que deu depoimento em seu Conselho de Disciplina sob efeito de tranqüilizantes, ainda no Batalhão de Choque. Seus auditores sabiam disto. “No BP-Choque, fomos torturados com granadas de efeito moral as vésperas do depoimento no 2º Tribunal do Júri, cujos fragmentos foram apresentados à juíza, que enviou a perícia. Isto consta nos autos, mas nada aconteceu”, conta Borjão.

    A história de Borjão ao longo de todos estes 15 anos só não supera mesmo a dor de quem perdeu alguém na chacina. “A injustiça queima a alma e perece a carne!”, desabafa. Borjão hoje conta com ajuda da OAB para lutar por sua reintegração. Mas o desafio é gigantesco. Triste ironia do destino: o policial hoje mora em Vigário, palco da tragédia que o jogou no limbo.

    No Rio de Janeiro é assim: as tragédias têm vários lados e a tristeza de quem tem memória dificilmente se dissipa. Pelo menos nesta data, neste 29 de agosto que nos asfixia.

    Texto na íntegra:
    http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2008/09/428347.shtml

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  7. Borges,

    os trechos onde verteu para outras línguas o seu depoimento, eu retirei. Como tem o link do seu blog, poderão ler por lá.

    Assim como, todos os 22 comentários sobre o texto do Guilherme. Como achei o link, eu o trouxe. Poderão ser lidos por lá.

    No mais, que encontre justiça para ti!

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  8. Obrigado pelo seu espaço.
    Já fui absolvido pela justiça, entretanto por ter sido um dos responsáveis pelas gravações que revelaram toda a verdade estou sendo perseguido a ponto de todos os absolvidos com este terem alcançado a reintegração na PM; o meu processo ADM e Judicial (Processo de reintegração) é uma grande aberração jurídica, entretanto busco uma nova esperança em uma “ação rescisória” no TJ RJ.

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  9. Consegui fazer um RO na Delegacia Virtual a respeito das minhas denúncias e esta foi enviada para a CGU/RJ, entretanto surpreedentemente esta a encaminhou ao comandante da PM para as providencias cabíveis, ocorre que o atual comandante, a época participou das investigações. ” Você já imaginou se os generais de Hitler fossem apurar crimes cometidos contra Judeus, não seria no mínimo uma vergonha, se não contraria-se a atual legislação processual no que tange ao impedimento legal?

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  10. Na verdade era pertencente ao serviço de inteligência da PM, vi coisas ao longo do meu tempo na “briosa” cujo transformaria tropa de elite em história para “boi dormir”, talvez por isso que tenham tentado me matarem tantas vezes; por exemplo o “grande investigador” CEL PM Brum nos anos 80 para 90, forneceu os serviços de toda a PM2 para serviço de segurança a Cesgranrio na prova de admissão a nível nacional da ESCOLA DE DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA (OPERAÇÃO APELIDADA POR ELE DE “PANE”), que seria de responsabilidade da PF; fui um dos agentes que foi destacado para a missão; fiquei hospedado no melhor hotel de Belém o “EQUATORIAL” por conta desta fundação, acreditando ser uma missão normal, entretanto quando me informaram para comparecer a fundação para buscar um cheque cujo valor nem sei qual foi a título de ajuda de custo, não compareci, fui questionado pelo Brum. – porque? respondi-lhe que não me sentiria bem; acredito que ele não tenha gostado, talvez tornei-me a ele um desafeto. Talvez esta missão tenha sido de cunho oficial, mas não quis receber, apenas isso, este canalha é um hipócrita que destruiu várias vidas de inocentes de forma dolosa e consciente; mas para a sociedade posa de “paladino da justiça”.

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  11. Borges,

    eu posso entender a sua dor. Mas ressalto que esse é um Blog exclusivamente para trocar impressões sobre Filmes. Claro que se o filme em questão dá margens para traçar um paralelo com a realidade, também é bem-vindo essa troca.

    Agora, como o mundo digital é extenso, com tantas informações a serem lidas, deixo como dica que não detalhe muito todas essas ações jurídicas que está passando. Pois aqui é só um Blog de Filmes. Novinho, ainda.

    Eu mesma, nem sei o que aconselhar.
    Quem sabe deva procurar Blogs sobre Direitos Trabalhistas.
    Como esse aqui:

    http://defesadotrabalhador.blogspot.com/

    Abraço,

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  12. Pingback: GARAPA SEM PASTEL « Cinema é a minha praia!

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