Evil: Raízes do Mal (Ondskan. 2003)

evil-raizes-do-malHá um tempo atrás, fiz um comentário e uma análise a respeito de um filme intitulado Klass, que refazia o percurso do episódio conhecido o “Massacre de Columbine” e que justificava, do ponto-de-vista dos assassinos, que para atos extremos, atitudes extremas precisavam ser tomadas. Ao término do filme, uma sensação de angústia e perturbação toma conta de nosso ser, e nos leva à uma profunda reflexão.

Depois, tive a oportunidade de assistir um outro longa-metragem que segue uma linha semelhante, com uma temática bastante polêmica. Se trata de “Ondskan” que saiu no Brasil com o título “Evil – Raízes do Mal“.

A trama básica trata da história de um garoto problemático, que é expulso dos últimos colégios a qual foi aluno, e vai parar numa instituição de ensino tradicional (a única que o aceita, devido ao alto valor que custa o ingresso na mesma) onde somente os filhos de pessoas ricas e influentes estudam. Ele promete a sua mãe que irá terminar os seus estudos sem arrumar mais confusões, porém se defronta com diversas situações de injustiças e humilhações por parte dos alunos-monitores, que possuem o seu próprio código de regras (acima, até mesmo, das regras da instituição), onde ultrapassam os limites da ética e do bom-senso. Desta forma, o protagonista fica entre uma encruzilhada: cumprir a promessa que fez a sua mãe ou revidar os maus tratos?

Enfim, se trata de mais uma obra cinematográfica perturbadora e inquietante. É impossível não se sensibilizar com as atitudes extremas que são mostradas na película. O que mais incomoda é a forma que um colégio aparentemente correto e de tradição pode se mostrar indiferente ao vandalismo praticado por uma classe que podemos denominar como marginais de elite. Em parte, isto não é somente um filme, pois retrata fielmente como os filhos de homens poderosos passam invisíveis aos olhos da justiça, sendo que “os intocáveis” são a matéria-prima para palavras como “impunidade” poderem ser ditas e explicadas.

Temos inúmeros exemplos de como a lei não se aplica para as pessoas de imagem pública, empresários, políticos e influentes, basta que se procure no Google. Nos casos mais chocantes, eles acabam presos (em celas especiais) por pressão da mídia, e tão logo não se fale mais no assunto, eles voltam novamente para as ruas. É necessário a mídia investigue o paradeiro destes jovens, que teoricamente estão presos, o que eu duvido, como no caso dos assassinos do índio pataxó Galdino, que em 1997 foi incendiado por um grupo de jovens que hoje estão soltos e já foram flagrados bebendo em bares e se divertindo à noite, afinal um deles (Max Rogério Alves) é filho de um ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral – o TSE – o outro (Antônio Novelly Villanova) é filho de um juiz federal e por aí segue a roda da impunidade.

E o caso mais recente da empregada doméstica Sirley Dias de Carvalho Pinto, aquela que enquanto esperava o ônibus de casa foi brutalmente espancada por um grupo de jovens que alegaram que só fizeram isto “porque achavam que era uma prostituta” – ou seja, se ela realmente fosse então estaria tudo justificado! Um terceiro exemplo é aquele do caso do estudante, Caio Meneghetti Fleury, atropelou um frentista num posto de gasolina em Ribeirão Preto, e depois tentou fugir. Na época a “justiça” (sic) negou o pedido de prisão solicitado pela polícia civil.

Enfim, estes são apenas alguns casos para aproximar melhor o enredo do filme com a nossa realidade, sendo que na prática a ficção se converge em mais um capítulo de nosso universo como ele é, com seus animais soltos numa selva urbana, onde a emoção e a insanidade falam mais alto do que a razão e a coerência.

Ondskan é um bom filme: chocante, pertubador, com uma série de elementos que nos fazem pensar por horas e ainda assim, com muita tristeza por dizer isto, não tem nada de novo. Obscuramente, é mais do mesmo por se tratar de coisas que acontecem por aí, num beco sem saída ou na luz do dia, onde, no fim, todos são vítimas de uma sociedade desestruturada que já não sabe mais conter os nossos impulsos e punir os verdadeiros criminosos.

Mesmo assim eu recomendo para não esquecer que, no fundo, todos somos animais selvagens. Como diria Nieztche “A diferença entre o homem e a égua é que a égua é mais feliz por não ficar pensando no passado e no futuro“, ou seja, de resto não há tantas diferenças assim. Salve Nieztche!

Por: Evandro Venancio.  Blog:  EvAnDrO vEnAnCiO.

Evil: Raízes do Mal (Ondskan). 2003. Suécia. Direção: Mikael Häfström. Elenco. Gênero: Drama. Duração: 113 minutos.

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8 comentários em “Evil: Raízes do Mal (Ondskan. 2003)

  1. olá gostei mt desse filme mesmo q ainda nao tenha assistido mais ele parece ser mt bom e eu gostaria de ver esse filme online mais nao encontro

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