Desde que Otar Partiu ( Depuis qu’Otar Est Parti)

desde-que-otar-partiu_poster

tbilissiTbilisi é uma multicultural cidade. A cidade é lar de mais de 100 grupos étnicos diferentes. Cerca de 80% da população é etnicamente georgiana, com importantes populações de outros grupos étnicos que incluem russos, arménios e azeris. Juntamente com os referidos grupos, Tbilisi é também a casa de vários outros grupos étnicos, incluindo ucranianos, gregos, judeus, estônios, alemães, curdos, assírios, e outros.
Tbilisi é a capital e a maior cidade da República da Geórgia, situada nas margens do rio Kura. A demografia da cidade é diversificada e historicamente tem sido a casa de povos de diferentes culturas, religiões e etnias. Apesar de ser extremamente ortodoxa cristã, Tbilisi é um dos poucos lugares no mundo (Sarajevo e Paramaribo ser outra) onde uma sinagoga e uma mesquita estão localizados próximos uns aos outros.

Sempre tive vontade de fazer um passeio pelos bastidores de um filme, ver a preparação dos atores, a decupagem, as locações, o idioma, a cidade e o país escolhido, enfim, curiosidades de um cinéfilo. Acabei escolhendo um que de certa forma muito me chamou a atenção: DESDE QUE OTAR PARTIU, pelo fato de ser um título pra lá de sugestivo.

As perguntas que imediatamente surgem são: 1º Quem é Otar? 2º Partiu para onde? 3º Por que partiu?

Na verdade Otar nada mais é que um retrato na parede, uma lenda urbana, nem aparece na trama, apenas é citado através de suas cartas que chegam e são lidas. Desculpa esfarrapada para a história existir.

Então se prepare! Faremos uma viagem nesta história que boa parte dela acontece Tbilissi, capital da Geórgia (uma das ex-repúblicas da antiga URSS), depois vamos nos aventurar até Paris, capital das Luzes.

A trama é sobre segredos, mentiras e coisas mais de uma família de três mulheres e faixas etárias diferentes: Eka (honesta, patriota, altruísta e stalinista com orgulho, como ela mesma se denomina) mãe de Otar e arina e avó de Ada; Ada, filha de Marina vivem nessa cidade pós-soviética onde faltam água, luz e outras precariedades.

Não costumo contar detalhes para não estragar a surpresa e o impacto de quem ainda vai assistir; apenas sugerir para que atente aos detalhes que aparentam insignificância. E este é recheado deles.

Otar é um médico desempregado que resolve tentar a sorte em outro país, e sua escolha não podia ser melhor que Paris, deixando para trás sua família. Ele passa sete meses se correspondendo com ela através de cartas, enviando juntamente algum dinheiro. Outras vezes, mantém contato por telefone. Segundo o que conta nas cartas, a vida em Paris, a princípio, não é nada fácil, trabalhando ilegalmente na construção civil, sem contrato, sem nenhum direito.

Ada, a neta é que faz a leitura das cartas de Otar para a avó e posteriormente as responde. O ciúme entre os irmãos Otar e Marina é evidente; Eka não escondia sua preferência pelo filho querido que agora estava distante.

desde-que-otar-partiu_01De repente, as cartas param de chegar. Marina fica sabendo por um amigo do irmão que ele morreu num acidente de trabalho e foi enterrado como indigente. Parece que caíra de um andaime. Sem saber o que fazer, Marina conta com a ajuda da filha e decidem não contar o fato à Eka para não entristecê-la e fazê-la sofrer. E ambas acham uma solução insólita e mágica: resolvem que elas escreveriam as cartas se passando pelo falecido Otar. E a mentira perdura por tanto tempo que Eka resolve vender a biblioteca de sua casa para comprar as passagens das três até Paris e visitar o filho.

Em Paris, enquanto Marina e Ada vão ao cemitério, Eka vai ao endereço de Otar, e lá descobre por um dos vizinhos que ele falecera já há alguns meses. Parece que no íntimo ela já sabia por não expressar nenhuma reação. Agora o segredo é de Eka e ao encontrar a sua filha e neta conta-lhes uma mentira, dizendo que Otar foi para a América do Norte que era o seu sonho. O instigante jogo de mentiras nesta história não pára por aí.

Niko, Vai até a casa de Eka entregar uma mala com os pertences de Otar. Especula-se a morte de Otar. Niko, um dos amigos dele conta que não havia segurança e nenhuma proteção aos trabalhadores. A empresa, para não se responsabilizar diz que Otar andava depressivo e que ele se suicidara. Mas isso já é outra história.

E nos bastidores um mundo de encanto e magia à parte tanto quanto ao filme pronto.

‘Desde que Otar Partiu’ tem produção e direção francesa. Dirigido por Julie Bertucelli. A maior parte da história se passa em Tbilissi. Dos três idiomas – francês, russo e georgiano – a diretora optou pelo último já que é o idioma oficial falado na Geórgia, onde o filme foi rodado, a outra locação foi Paris.

A cultura, o folclore é freqüentemente mostrado em close up, como por exemplo, a ÁRVORE DOS DESEJOS, localizada numa estrada movimentada, onde pessoas param amarram um lenço nos galhos e fazem seus pedidos; a leitura de borra de café deixado na xícara por Ada, a neta; um passeio pelo campo e colheita de frutas silvestres por Eka, a avó; na casa, a preciosa e imponente biblioteca de causar inveja, e o quarto de Otar com todos os seus objetos e coisas pessoais, minuciosamente escolhidos e ali plantados. A sensualidade na cena do namoro de Ada dentro do carro a plena luz do dia não passa despercebida.

Muita água rola, antes de se ouvir a frase “VAMOS RODAR!” É gratificante e emocionante saber como é a realização e a preparação do filme, que trabalheira que dá. A escolha das locações, dos objetos e todos os seus acessórios. Os mínimos detalhes na casa onde a família viverá, desde o abajur comprado na vizinhança até o varal improvisado, e todos outros detalhes de jardim e pequena horta na entrada; na sala não se deve esquecer da vela derretida no castiçal (pelo calor que faz na Geórgia), uma foto de Paris na parede (lembrança de Otar), o detalhe da marca registrada do envelope florido russo das cartas respondidas pela mãe, o retoque constante no roteiro, cenas de três segundos que duram uma eternidade para se rodar…

O nome OTAR é homenagem a Otar Losseliani diretor Georgiano de ‘Adeus, Doce Lar e Bandoleiros, Capítulo 7’. Migrou para a França devido à censura; seus filmes foram proibidos repetidamente na URSS.

Em Tbilissi há um famoso Mercado de Pulgas onde engenheiros, professores etc vendem seus próprios objetos; a equipe de filmagens esteve lá e comprara muita coisa. Há uma cena maravilhosa gravada num parque charmoso de Tbilissi, fizeram muitas fotos, para se filmar quatro ou cinco cenas com Eka fumando numa roda-gigante.

Por: Karenina Rostov.  Blog: Letras Revisitadas.

Desde que Otar Partiu ( Depuis qu’Otar Est Parti). 2003. França. Direção: Julie Bertuccelli.Elenco: Esther Gorintin (Eka), Nino Khomasuridze (Marina), Dinara Drukarova (Ada), Duta Skhirtladze (Niko). Gênero: Drama. Duração: 103 minutos.

Anúncios

Um comentário em “Desde que Otar Partiu ( Depuis qu’Otar Est Parti)

Seu comentário é importante para nós! Participe! Ele nos inspiram, também!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s