Há Tanto Tempo que te Amo (Il y a longtemps que je t’aime. 2008)

ha-tanto-tempo-que-te-amo1Há quem em determinados momentos da vida se vê diante de um dilema. Onde sua decisão deverá ser calcada ou na razão – pura e simples -, ou na emoção. Principalmente se for um ato punido por lei. Difícil será avaliar por si próprio se sua decisão ficou totalmente num lado apenas. De qualquer forma, sendo um ato criminoso ou não, se premeditou, se decidiu fazer conscientemente, terá que arcar.

A personagem principal da trama Juliette (Kristin Scott Thomas) sai da prisão após 15 anos. Cumpriu a pena por assassinato. Ainda em condicional terá que comparecer a Delegacia a cada 15 dias para assinar um prontuário. Aqui, acaba por despertar a simpatia do Delegado. Ambos amargurados pelo rumo que tomaram em suas vidas. Ainda comentando um pouco sobre essa relação, parte dele um outro crédito a ela para uma volta a sociedade. Mesmo não sabendo o porque ela fez o que fez, ele credita nela uma oportunidade de um recomeço.

Juliette aceitou o seu crime. Nada poderia lhe doer mais do que tivera que fazer. Mas houve uma dor se não maior, tão dolorida quanto. A de ser excluída pela própria família: os pais e uma irmã caçula. Todos aqueles anos sem nenhum contato.

Mas é essa sua irmã, Léa, que a acolhe em sua casa. Junto a sua família. Pois agora não era mais a menina que fora obrigada pelos pais a esquecer de Juliette. Ainda ressentida, Juliette já deixa claro que quem a procurou fora o pessoal do Serviço Social. Léa entende a armadura da irmã, e diz que eles fizeram muito bem em procurá-la.

Quem ela matou é dito logo no início. O porque apenas no finalzinho. Deixo a sugestão que não fiquem voltado apenas nisso. Pois além de perderem um pouco do crescimento dessas duas mulheres – e isso eu ressalto por mostrar o universo feminino com muita sensibilidade -, poderão não perceber tudo mais. No que resultou na vida de todos com aquela tomada de decisão de Juliette a quinze anos atrás, como na dos demais com a convivência atual com ela.

Um outro ponto que quero salientar, é sobre o de empregar ex-detentos. Eu destaquei isso também num outro filme, recentemente. No ‘Evidências de um Crime‘. Quando esse assunto é abordado num filme abre caminho para uma diminuição no preconceito que há no mundo real. Essa chance deles voltarem de fato a sociedade após cumprirem sua sentença. Tendo um emprego já terão como começar uma vida nova.

Há tanto Tempo que Te Amo‘ é um líbelo ao amor fraternal. Mesmo a mais forte das criaturas há de chegar uma hora que vai precisar da mão estendida de alguém não tão forte. As lembranças pesadas, o tempo se encarregará em apagar. São, foram os espinhos…

O filme aborda um outro tema que de certa forma também é algo que ainda não é tão aceito pela sociedade. Daí também é interessante o debate que fará surgir após assistirem. Mas é melhor parar por aqui para não correr o risco de trazer spoiler. Por hora só uma dica: está relacionado com o tal crime cometido por Juliette.

Assistam! É um filme belíssimo! Nota 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Há Tanto Tempo que te Amo (Il y a longtemps que je t’aime). 2008. França. Direção e Roteiro: Philippe Claudel. Elenco: Kristin Scott Thomas (Juliette Fontaine), Elsa Zylberstein (Léa), Serge Hazanavicius (Luc), Laurent Grévill (Michel), Frédéric Pierrot (Capitaine Fauré). Gênero: Drama, Suspense. Duração: 115 minutos.

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18 comentários em “Há Tanto Tempo que te Amo (Il y a longtemps que je t’aime. 2008)

  1. Realmente é um filme extremamente sensível. Vale a pena ver principalmente pela atuação das duas protagonistas e da música.

    Gostaria de saber se qual o nome e quem canta a música do final do filme.

    Obrigada e abraços
    Ruth Venturoli

    Curtido por 1 pessoa

    • Oi Ruth!

      Primeiro, grata por participar!

      Em relação a música…
      Essas duas fazem parte da trilha sonora de ‘Há tanto tempo que te amo’.
      Veja se é a que está querendo:


      p.s: Creio que essa segunda, é só com o cantor.
      E volte sempre!
      Abraço,

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  2. belíssimo filme de uma sensibilidade a flor da pele. um retrato da dor humana diante da perda de um filho e a tentativa de conservar intacta a imagem bela deste filho. autanasia como possibilidade de amenizar o sofrimento de uma mãe.
    o filme reatrata também a exclusão humana. o autor foi muito feliz quando coloca as crianças como inspiração para o perdão. lembro da frase de um epistemólogo francês que diz pardonner c’est resister a la cruauté du monde( perdoar é resistir a crueldade do mundo)

    Curtido por 1 pessoa

  3. Belíssimo, apesar de algumas críticas que li a respeito da direção. Para mim ele cumpre um papel…… avaliar a dor dasperdas a que somos submetidos em nossa existência diante de atos legal ou ilegalmente justificáveis….. Toca a alma em todas as cenas…..

    Curtido por 1 pessoa

    • Oi Larissa,

      eu não entendo porque um filme com uma trilha sonora tão linda, não colocaram as músicas num CD. Pois assim, ficaria mais fácil achar uma lista.
      Olha, veja se é essa a música:

      É que vi o filme faz um tempinho.
      Beijo,

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