Traffic: Ninguém Sai Limpo (2000)

traffic_movie

Por: Giovanni Cobretti C.O.B.R.A.
Filmaço. Em forma de documentário, lembra-me muito o falecido Nélson Rodrigues e sua coluna: a vida como ela é. O diretor tentou de todas as maneiras dividir o tempo de aparecimento e das falas de cada personagem. Cronometricamente ajustados. Para não existir um ator principal. Falhou. Benício Del Toro, como Javier Rodrigues & Rodriguez (provavelmente a sua mãe era prima do seu pai, como em Goiás Velho…) está sobrando!

Estamos em Tijuana, fronteira mexicana. Filtro ostensivamente amarelado e desértico na câmera. Efeito estupendo na platéia. A palavra “tingado” é repetida inúmeras vezes. Show. Como “prego” em italiano, “porra” em português e “fuck” em inglês. Ela é de multi-uso. Podendo designar desde uma vida toda lascada, até uma grande transa com a mulher desejada… Mas devido as condições fuderosas que se apresentam, tingado é tingado mesmo!

Corta para um juiz da Suprema Corte de Ohio, tá tudo azul! Deparamos com o não menos “mala” Michael Douglas, que já foi de tudo um pouco no cinema. Desde presidente da república até policial detonado que fatura a loiraça belzebu, Sharon. Neste ambiente pasteurizado e desnatado, seu destino é traçado. Mal sabe ele que quem vai traça-lo é sua menina. Literalmente. Ela o implode. Como dirigir o DEA se sua filha tá largada?

Ledo engano achar que somente a pobreza fuma crack. Mais ainda pensar que só os desajustados são chegados no cortado. Muita gente boa fuma, cheira, bebe e aplica. Mesmo tirando notas altas e sendo o destaque no colégio. Se explica? Algo como… Se eu não tenho mais nada pra fazer, porque não … besteira? Se ninguém presta atenção em mim, que tal eu sair deste mundo palha e viajar?

A esposa dedicada e amorosa, Catherine Zeta-Jones é gata aos 6 meses de gestação. Casada com um traficante-mor, não sabia disso. Surpreendente, mas real. De pequena felina transforma-se em leoa. Defende a cria e peita – insofismável – os chefões mal-vestidos do tráfico. Pede até a polícia para ajudá-la. E sutilmente não dá moral pro advogado melífluo que quer faturá-la e ficar com a herança do big-boss. Atirando pra todo lado consegue atingir o alvo. A grana escondida no quadro. Todas as suas cenas são claras e brilhosas, diferente do resto do filme, marcado pelo pastel-poeira e azul-hospitalar.

Dupla de excluídos, os dois policiais investigadores são um caso à parte. Amizade sincera e total entrosamento. Seus diálogos são a lá “Pulp Fiction”. Seus sonhos são simples e diretos como eles. Pegar os “big-fish”. Melhor que isso só churros na porta de supermercado.

Todos temos perdas e ganhos. Steven Soderbergh mostra habilmente uma lista, em que se ganha e perde; respectivamente:
– Juiz Robert Lewis= um cargo respeitável X uma filha querida
– Javier Rodrigues= destaque na profissão X seu melhor amigo
– Helena Ayala= um novo cargo X a inocência
– O policial preto= certeza de que o que faz é o certo X best friend, again
– Traficante de Segunda classe= ninguém é amigo no tráfico X sua vida
– Carlos Ayala= a liberdade X a mulher dedicada, o respeito, o advogado bom, mas ladrão
– A filha do juiz= um pai presente X a dignidade

Não existe um fim explícito. É um contínuo. Adorei a crueza da coisa. Apesar de toda minha experiência, fiquei chocado com algumas cenas. Não tem jeito.

O que há de bom: a direção criativa e direta ( nem sempre essas duas qualidades se somam)
O que há de ruim: o governo claramente não pensa em reabilitar os adictos, só punir e prender, alguma sugestão poderia pintar
O que prestar atenção: alguns personagens se cruzam durante o transcorrer do história, e nessas cenas a fotografia não sabe se fica borrada, clara ou viva…
A cena do filme: a crueza da mocinha com o negrão, a piadinha da primeira vez do policial na praia ( única hora em que ri neste tempo todo )

Obs.: liçãozinha pros que acham que seus parceiros de rock são amigos de verdade: quando a coisa aperta, eles vão te deixar na chapada, babando no chão, na porta do pronto socorro. Verdade.

Cotação: filme excelente ( ***** )

Traffic: Ninguém Sai Limpo. 2000. EUA. Direção: Steven Soderbergh. Elenco: Steven Bauer (Carlos Ayala), Don Cheadle (Montel Gordon), Erika Christensen (Caroline Lewis), Benicio Del Toro (Javier Rodriguez), Michael Douglas (Juiz Robert Lewis), Miguel Ferrer (Eduardo Ruiz), Luis Guzmán (Ray Castro), Amy Irving (Barbara Lewis), Dennis Quaid (Arnie Metzger), Catherine Zeta-Jones (Helena Ayala), Salma Hayek, Albert Finney, James Brolin, Benjamin Bratt. Gênero: Crime, Drama, Suspense.. Duração: 147 minutos. Baseado na mini-série escrita por Simon Moore.

Anúncios

5 comentários em “Traffic: Ninguém Sai Limpo (2000)

  1. ´´Obs.: liçãozinha pros que acham que seus parceiros de rock são amigos de verdade: quando a coisa aperta, eles vão te deixar na chapada, babando no chão, na porta do pronto socorro. Verdade.“

    Putz, e depois tem gente diz que cinema nao ensina, oxi.

    Curtir

  2. Cris,

    após 2 tentativas de postar lá (Blogger indisponível), deixarei aqui:

    Cris, deixando um convite. Caso queiras compartilhar um texto seu sobre filme, ficarei feliz em publicá-lo.

    Um Bom Dia!

    Curtir

  3. Adoro esse filme. Foi a primeira vez que prestei mais atenção no ator Del Toro. Nao consegui odia – lo. Michel Douglas praticamente desapareceu.

    Curtir

  4. Pingback: Califórnia – The Loop em 10 paradas « Blogbier – Bierboxx. Cervejas Especiais.

Seu comentário é importante para nós! Participe! Ele nos inspiram, também!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s