À Espera de Um Milagre (The Green Mile. 1999)

the-green-mile_posterAs Leis foram criadas para realmente manter uma certa ordem na sociedade, ou para privilegiar certas classes sociais? Se atualmente a Justiça ainda é parcial que dirá nos idos de 1935 para um negro ao sul dos Estados Unidos.

Esse filme, ‘À Espera de Um Milagre‘, também traz o embate entre o Bem e o Mal, mas fora das esferas das Leis dos Homens, do campo Cívil, como dos dogmas religiosos. Já que é fato que as Escrituras foram escritas por homens. Mais que um confronto, é saber que há em cada um de nós, esses dois opostos: o bem e o mal. Onde a questão é saber qual deles é o verdadeiro senhor de si próprio. Qual é a essência da pessoa.

Ele mostra que há também uma força em nosso interior: a de sermos justo mesmo tentando fazer justiça. Mas como se somos regidos por códigos de ética? Alguns tende a pesar as consequências. Por se verem impotentes para quebrá-los. Ou mesmo não tendo tempo hábil para reverter a pena. Quando, ou como quebrar o código já estabelecido? Vai depender da ética que cada um traz em si. E então aplicá-la numa situação onde não se tem muito tempo para pensar.

Agora, como no exemplo do filme, além da cena em si, havia na época toda uma carga discriminatória para um negro. Nem lhe deram chance de se defender. O quadro que os ‘brancos’ presenciaram… não lhes deixaram dúvidas. A sentença se deu ali. O julgamento num Tribunal fora apenas para cumprir formalidades.

Por que há quem simplesmente aceitam suas sentenças mesmo sendo inocentes? Saindo um pouco do contexto do filme, até por conta de toda a carga de preconceito da época, essa aceitação quando ocorre não pode ser vista apenas como um ato cultural. Há de se ter uma outra explicação. Seria pela falta de uma mão amiga em ajudá-lo? Mas então não entraríamos num ciclo em contar com um julgamento ou mesmo uma avaliação de uma outra pessoa? Para o bem ou para o mal, o homem como vive numa sociedade não é tão livre assim, mesmo mantendo uma conduta ética é constantemente avaliado. Inclusive por si próprio.

Voltando ao filme… É meio por ai que surgiu um forte laço entre dois homens. Entre ambos havia a grade de uma prisão. Pior! Pois ela ficava no corredor da morte. Onde não havia mais volta para os condenados. Era só um seguir a fila de espera. Esperando a sua vez de sentar na cadeira elétrica.

De um lado, Paul (Tom Hanks), que era o Chefe da guarda. Alguém que se purificava daquela sua rotina, ouvindo os Clássicos. Por que escolhera aquele serviço, se na essência era um cara bom? Com o desenrolar da história, nota-se que fora uma escolha acertada. Nele, e em alguns outros dos guardas, havia o respeito, e não o sadismo.

Do outro, havia o John Coffey (Michael Duncan). Acusado de violentar e assassinar duas meninas. Apesar de ter um físico enorme, era como uma criança assustada, e dócil. Trazia um mistério consigo. Um poder que não se sentia capaz de tê-lo. E que foi a sua perdição. É preciso de um certo tino para que um dom não vire uma maldição.

Paul foi o primeiro a perceber que havia algo errado ali. Pelo temperamento de John. Não condizia com o que estava escrito nos autos. John por sua vez sentiu que enfim ganhara o amigo que sempre quis ter. Mas que já era tarde demais. Mesmo assim, quis dar a esse amigo a prova da sua inocência. Acontece que isso teria um preço para Paul. Se fora para lhe tirar qualquer dúvida que ainda existia, ou não, o certo que Paul decidiu aceitar. Então… Paul decide com isso dar um outro rumo em sua vida. Atuando nas escolas reformatórias. Não mais no final de linha.

O filme é um tanto claustrofóbico. Por se passar em grande parte dentro da penitenciária. Ele também é mais um a mostrar que a pena de morte precisa de uma Justiça totalmente imparcial, e sobretudo que seja justa. Não sou favorável a ela. Muito embora não creio na correção de um psicopata. Enfim, é um filme que vale muito a pena ver, e rever. Nota 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

À Espera de Um Milagre (The Green Mile). 1999. EUA. Direção e Roteiro:  Frank Darabont. Elenco: Tom Hanks (Paul Edgecomb), James Cromwell (Warden Hal Moores), Michael Duncan (John Coffey), Bonnie Hunt (Jan Edgecomb), David Morse (Brutus “Brutal” Howell), Michael Jeter (Eduard Delacroix), Graham Greene (Arlen Bitterbuck), Doug Hutchison (Percy Wetmore), Sam Rockwell (William “Wild Bill” Wharton), Barry Pepper (Dean Stanton), Gary Sinise (Burt Hammersmith), Jeffrey DeMunn (Harry Terwilliger), Harry Dean Stanton (Toot-Toot), William Sadler (Klaus Detterick), Patricia Clarkson (Melinda Moores). Gênero: Crime, Drama, Fantasia. Duração: 188 minutos. Baseado num livro de Stephen King.

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12 comentários em “À Espera de Um Milagre (The Green Mile. 1999)

  1. Esse filme sempre me deixava com uma sensação estranha após assistir. Acho essa coisa do Stephen King deve ter me traumatizado na infância. As cenas de cadeira elétrica, as mentes perturbadas ainda marcam minha mente, mesmo após muitos anos. E eu peguei uma espécie de medo de filmes baseados na obra dele.

    Quando eu era menor, não parei para pensar na mensagem do filme, tamanho o espanto que causou. Mas agora, justamente por causa desse espanto, que registrou o filme na minha mente, é possível finalmente entender as perguntas que tentam fazer. O que transforma as pessoas em criminosos? Quão justos são julgamentos? O que é loucura e o que é maldade?

    Enfim, apenas após assistir Um sonho de Liberdade que eu fiz as pazes com o Stephen King, mas até hoje, quando estou zapeando a tv e me deparo com À espera de um milagre, tento assistí-lo, mas não consigo, a atmosfera do filme me sufuca.

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  2. Olá Valéria! Excelente texto, repleto de questionamentos, a quais grande parte não há resposta (e viva o espírito filosófico!).

    Saiba que esta é a adaptação mais fiel de um livro que eu pude experimentar entre tudo aquilo que eu li no papel e vislumbrei diante das câmeras.

    No início este livro saiu numa coleção vários livros pequenos chamado “No Corredor da Morte”. Somente depois com a chegada do filme aos cinemas é que compilaram tudo em um único volume e passaram a lhe chamar “À Espera de Um Milagre”.

    Excelente, como tudo do mestre Stephen King!

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  3. Pois é, e o filme também ao trazer certos ‘ajustes’ para não dizer ‘justiça com as próprias mãos’, logo fora do politicamente correto, nos faz pensar que são necessárias. E isso assusta um pouco.

    E Laís, preciso rever também, ‘Um Sonho de Liberdade’. Eu adoro esse filme. Agora, se quiser escrever sobre ele, e compartilhar conosco, eu publicarei aqui.

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  4. Já assisti esse filme 10 vezes, tanto na tv como no meu PC. Esse filme é muito bom, um dos melhores filme q eu ja assisti, sou fã desse filme e não me canso de assistí-lo. Bem q poderia ter À Espera de UM Milagre 2, com novas cenas de execuções na Faísca Velha e todas aquelas coisas do primeiro filme.

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  5. Poxa Lella, se eu te falar vc vai achar q é mentira minha… Vi esse filme pela primeira vez com 12 anos de idade, me amarrei tanto q fiz uma cadeira elétrica de brinquedo com os policiais e td… Tem até a chave 1 e 2. Ahsaushauhsauhsauhsasss, sou fãzão desse filme

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