Aurora (Sunrise: A Song of Two Humans. 1927)

sunrise-a-song-of-two-humansUma história de degradação e elevação humana. Fazendeiro casado (George O`Brien) e com um filho pequeno se envolve com garota da cidade (Margaret Livigston) . Esta tenta convencê-lo a matar a mulher (Janet Gaynor) e fugir com ela para a cidade. No decorrer deste plano vil, várias reviravoltas acontecem e o homem tem que lidar com o imprevisível.”

Não sou profundo entendedor das ‘escolas’ (ou qualquer outro que seja o termo) cinematográficas. Disso que chamam Expressionismo Alemão conheço pouco ou quase nada, tudo limitado a alguns posts lidos em fóruns de cinema e contra-capas de DVD’s. De todos os (poucos) que vi, este aqui foi o que mais me arrebatou.

Vale ressaltar que Aurora é um filme de contrastes e paradoxos.

O contraste – A forma como os ambientes são tratados: a cidade, como fonte da desgraça dos protagonistas e o campo como a representação da pureza e da felicidade.

O paradoxo – No campo, vemos o marido tentando afogar sua esposa (logo no primeiro ato – a cena mais forte e tensa do filme) a mando da amante…

Uma cena pesada e que, ao mesmo tempo que cruel, revela o quão inocente e puro era aquele homem que se deixou levar pelos caprichos de sua amante. Na cidade, ele brinca e se diverte no parque de diversões.. Mas aquela diversão não era real. O jogo de luzes e sombras deixa implícito algo soturno por trás daquilo tudo. Simultaneamente à cada gargalhada do casal, era mostrado o marido pagando alguma coisa, evidenciando toda a artificialidade dali.

sunrise-a-song-of-two-humans_01Tecnicamente falando, somos brindados com uma fotografia espetacular, uma fantástica sobreposição de planos e o uso genial da mise-én-scene, além dos closes exagerados nos rostos com expressões caricatas mais exageradas ainda que conseguem resgatar do íntimo de seus personagens seus sentimentos mais profundos e nos passar com maestria, deixando-nos imersos à obra.

Além disso, há uma mistura de estilos que gera controvérsia. O drama e o romance contrastam com um suspense aterrador logo no começo que, em questão de minutos, subverte-se numa comicidade que chega a lembrar as comédias de Chaplin (vide a cena do porco no parque de diversões) e que, justamente por isso, fazem com que alguns críticos considerem o primeiro ato o mais importante do filme, que passa a perder seu ritmo na segunda parte.

sunrise-a-song-of-two-humans_02Eu já discordo. Tudo nesse filme é sublime. Há uma sensibilidade tamanha em cada plano mesmo ao mostrar o lado obscuro do homem. Na verdade, esse é outro dos paradoxos que mais me encantaram. Quantos filmes conseguem uma elipse do cruel ao belo em questão de minutos, culminando novamente no trágico sem destoar da harmonia em um único momento sequer?

Enfim, uma obra-prima que, apesar de separada de nossa época por quase um século, ainda mantém-se atual. E não digo isso somente por este ocupar o primeiro lugar do meu singelo TOP 100. Isse aqui vai além. Uma obra intensa que após vista e sentida, não te abandona nunca mais.

Por: Luiz Carlos Freitas.

Aurora (Sunrise: A Song of Two Humans). 1927. EUA. Direção: F. W. Murnau. Elenco: George O`Brien, Margaret Livigston, Janet Gaynor. Gênero: Drama, Suspense.

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