Por Amor (Personal Effects. 2009)

personal-effectsVão-se as pessoas, ficam os anéis

Mesmo o peso do filme focando nos objetos pessoais dos que foram mortos, é com o avaliar o peso desses bens que conta mais: se manterão ou se irão se desfazer desses bens herdados. Por conta do título nacional, eu definiria o filme numa única palavra: gratidão. Woody Allen abordou em ‘Annie Hall‘ esse se sentir grato por alguém numa relação, mas sem querer mantê-la baseado nisso. Se um ajudou o outro a se descobrir, ótimo! Agora, não é que por conta disso que ficará numa eterna dependência. Que não haja cobranças. Que ninguém se sinta obrigado a agradecer de um jeito que irá tolhir a si próprio.

Nesse o título nacional – Por Amor -, não traduz o que levou o jovem Clay (Spencer Hudson) a fazer. E não estou trazendo spoiler. Pois o filme começa com ele numa espécie de parlatório numa instituição penal. Ele de um lado do vidro e sua mãe, Linda (Michelle Pfeiffer), do outro. Clay conta o que escreveu para ela. Então o filme retrocede para que saibamos o porque de tudo.

É triste quando ele diz que morreu para o mundo no dia que nasceu. Por conta da surdez. E é aqui um dos motivos que falei do peso de se sentir grato a alguém. A ele não deram a chance de saber tudo o que fora descoberto depois. Faltou tempo para uma comunicação na linguagem dos sinais? A que ele entenderia? Ou faltou um olhar mais perspicaz? Pois Clay já dera um sinal: fizera um questionamento.

A gratidão dele, e de Linda também, era endereçada a Walter (Ashton Kutcher). E onde, ou como o caminho deles se cruzaram? Linda e Walter se conheceram numa Terapia de Grupo. Ele fora mesmo por insistência de sua mãe, Glória (Kathy Bates). Walter viu Clay na saída.

Em comum nesse grupo: perderam um ente querido. Linda tivera o marido assassinado por um colega. Numa das muitas noites de bebedeiras que ambos faziam. Além do vício da bebida, ambos gostavam de atirar. Clay viu o pai ser morto, só não pode escutar o porque. Se é que há um motivo para um amigo tirar a vida do outro. Se não estivessem armados… Se já sabiam que iriam beber as armas poderiam ter ficado em casa. Quer ser pela profissão, quer seja pela cultura de se ter armas, elas foram feitas para atirar. Logo, com todas as probabilidades de um tiro fatal.

Walter perdera a irmã. Ela fora assassinada de modo brutal. Com a notícia ele voltou a casa materna. Largando seu futuro profissional no esporte com um tipo de luta. Sem muitas opções, nessa volta vai trabalhar de garoto propaganda numa lanchonete. Fantasiado de galinha.

Agora o título original: Personal Effects = objetos pessoais. No filme, objetos daqueles que morreram.

No caso de Linda a arma do pai de Clay era o único bem que ele deixara. Por isso ela guardava. Mesmo que fosse uma peça de colecionador teria sido melhor tê-la vendido, e com o dinheiro arrecadado empregasse na formação do filho. Por aí. Pois não entendo o porque mantê-la em casa com um filho como o Clay. Era fechado demais em seu mundo. Sua revolta só fora canalizada por conta da ajuda de Walter. Foi quando ele se sentiu vivo pela primeira vez. Feliz. E por gratidão fez o que fez.

Me detive mais até aqui comentando sobre o Clay pois dos três fora o único que saiu perdendo. Perdeu a liberdade. E com tão pouco tempo em sentir que estava vivo. Sem uma arma em casa talvez encontraria outra forma de compensar a sua gratidão.

Walter na vida de Linda era como uma compensação do destino. Para alguém sem ambições, que estava satisfeita com a vidinha que levava, a entrada dele veio trazer algo novo. Além da terapia em grupo compartilhavam a sala de espera do Tribunal. Esperavam por justiça. Que aqueles que lhes tiraram seus entes queridos – marido de uma, e irmã do outro -, pagassem por isso.

Glória tenta dar um destino na coisas que a filha deixou. Faz uma venda de garagem. A cena emociona. Até a que Glória entende que o bem mais precioso que sua filha deixara fora a netinha. Mesmo num papel secundário Kathy Bates deixa a sua marca. Gosto muito das interpretações dela.

Por fim, caberia a cada um avaliar com o que seguiriam dali. Para um recomeçar mais leve. E ai sim, se seria por amor.

Um bom filme. Dou nota 8. Mas não me deixou uma vontade de rever.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Por Amor (Personal Effects). 2009. EUA. Direção: David Hollander. Elenco. Gênero: Drama, Romance. Duração: 100 minutos.

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17 comentários em “Por Amor (Personal Effects. 2009)

  1. Olá, td bem? Sempre que posso tô dando uma olhadinha no blog pra saber indicações de bons filmes, queria te dizer que gosto mt do seu blog e como vc sabe td 🙂 queria que vc me indicasse filmes bons, do tipo: “vc tem que assistir”, pode ser drama, suspense, comédia romântica. Espero suas indicações! 😉 Obrigada, Cynthia.

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  2. Isa, depois volte para dizer o que achou do filme 🙂

    ————

    Cynthia,

    Gostoso saber que gosta do espaço 😉

    Em relação a indicar numa lista, complica. Porque filme vai muito do gosto pessoal, e até do que estamos querendo ver no momento. Assim, a lista recairia nos já Clássicos.

    Não que não deva assisti-los, mas com isso não nos permitimos a conhecer outros filmes.

    Como pode ver, em vez de selecionar os Filmes por Gêneros, eu optei por Países.

    Olhe só! Eu adoro o Cinema Francês, mas muito o acham lento demais. Eu já vi o Amélie Poulain várias vezes. Mas conheço quem não consegue chegar até o final, por dormir. E falando em dormir, eu mesma tive que fazer força numa segunda tentativa para não dormir vendo o ‘O Amor nos tempos do Cólera’.

    Dê um giro no que já foi puplicado por aqui. Comece pelo Cinema Argentino. Tem filmes ótimos lá.

    Beijão,

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  3. Gente, acabei de assistir o filme! Concordo totalmente com o poste da Lella. engraçados ,poi apesar d nãot er perdido alguém para a morte, eu enxerguei muitos sentimento que cultivo ali, no filme. É um filme que, pelo menos comigo, mecheu bastante.
    Também gostei de ver a atuação Ashton Kutcher, estava acostumada a vê-lo em filmes de comédia romântica e tals, e nesse filme pude ver o quão bom ator ele é.

    Ah, essa é a primeira vez que visito o blog, encontrei-o quando procurava pela trilha sonora do filme. Amei, já adicionei aos meus favoritos!

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  4. estava procurando a musica e não sabia que já tinha no meu PC ela é de uma banda parecida com estilo coldplay, chama-se TRAVIS como disseram acima.

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  5. Olá pessoal, procurei a trilha sonora do filme para baixar mas não encontrei. Achei música por música no youtube, tá tudo lá. basta baixar o programa aTubeCatcher que vocês terão o conteúdo guardado no pc. Aí vai a lista:
    Run off the road – Ola Podrida
    The sweetheart stone – Dave Caughey
    Catcher song – The Great Lake Swimmers
    To leave it behind – The Great Lake Swimmers
    I could be nothing – The Great Lake Swimmers
    I found all these things – Joseph Broussard
    The shepherd – Chat
    India – Clinton F. Sands
    More of you – Steve Lang

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  6. Oiiii, eeuu estavaaa procuranddoo o nomee da muciaa em quee Linda (Michelle Pfeiffer) estaa se trocanddoo paraa ir ao casamentoo e chamaa Walter paraa ir com elaaa!!!
    Ehh lindaa a musicaaaa, algueemm sabeee o nomeee????
    Obrrigadaaaaa!!!

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  7. The complete soundtrack of Personal Effects:

    1. Looking for Peyton
    2. Dutch
    3. Cabin Fever
    4. Playa del Sul
    5. Random Hearts (Love Theme)
    6. Phone Call Soliloquy
    7. The Folks Who Live on the Hill
    8. Keys
    9. Aqui en Miami
    10. Decisions
    11. Intimate Distance
    12. Passengers
    13. Personal Effects
    14. Seasonal Changes
    15. Closing In
    16. Good Thing

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  8. Ola ! eu tava procurando a musica do trailer a um tempao desde quando assisti o filme e axei nesse blog e a musica é mais perfeita do que parece no trailer valew pessoal

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    • Eu teria que rever. Mas como o filho está preso, pode ser o Walter sim. E talvez seja por ele estar a partir desse momento, entrando na vida dela devagar.

      Mas teria que rever o filme. Muito embora o que vale mesmo é o olhar de cada um.
      😉

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