Lady Jane (2008)

lady-jane-2008O incompleto do ser humano passa por seus ditos, desditos e não ditos. Uma mulher pode viver praticamente sozinha. Sem o amor de um homem, sem o trabalho, sem estudar, sem objetivos, robótica. Mas se ela tem um filho e este lhe é retirado, ela torna-se imediatamente incompleta.

Marseille é uma cidade portuária, perigosa. Um lugar onde convivem ladrões e escroques de todo tipo. Violenta para os padrões europeus. Porém encantadora. Pois tem a sua parte pobre e rica. Uma mistura incomum.

Muriel logo após o choque inicial procura seus velhos amigos. Eles estão ligados por um crime antigo e que já pagaram as suas penas por ele. Ela tem uma loja de antiguidades e jóias. François –nome mais francês impossível- trabalha no cais consertando barcos e; atualmente, até jet skis. René, ainda trabalha com negocinhos escusos de alugar máquinas caça-níqueis e extorquir seus clientes. Todos “gente boa”…

Ao pedir à eles primeiramente dinheiro para o resgate e depois ajuda para localizar os seqüestradores, ela desperta um turbilhão de sensações adormecidas em ambos. Eles tornam-se mais violentos em suas ações, diria que audazes.

Mas o seqüestrador é requintado. Ele não entrega o menino de uma vez. Isso denota uma vingança? Ninguém sabe, até que ele diz algo ao telefone que somente alguém do passado saberia.

Neste momento, o mocinho é entregue no estacionamento e acontece o fato mais cruel que pode suceder à uma mãe. Depois disso o cerco aperta, e os sujeitos estão cada vez mais ativos. Eles somam um série de lembranças e fatos. Mas o tempo, senhores, é inexorável. Não apita na curva, não pára no porto, não espera ninguém.

Paro um pouco para dentro do meu rol de suspeitos –todo e qualquer personagem apresentado o é – e consigo identificar claramente quem é. Isso me causa um constrangimento, pelo requinte da vingança.

A rede de mortes e desfechos vai se apertando. O assassino é descoberto. O encontro final, o acerto de contas é inevitável.

Entretanto as declarações dela para com os seus ex-parceiros são contundentes. E trazem uma realidade inesperada. Ela mentiu para eles. Ela os manipulou o tempo todo, no passado. Quem irá garantir que não o fará no presente? O primeiro; mais racional e frio, a abandona. Como se soubesse disso tudo e até aguardasse algo parecido.

Mas o segundo reage mal. Muito mal. A revolta é tamanha que desnorteia os seus sentidos e funções do viver. Quem ele é realmente? E o que ela desperta nele?

A sucessão de mortes é boa. Surpresas acerca das decisões que ela toma. Da tentativa de ruptura do ciclo de violência. Seus algozes agem de maneira idêntica. A diferença é que um deles leva consigo os seus. E o outro parte sozinho.

O que há de bom: um francês mais seco e rasteiro, além do cenário marselhês bem diferente do parisiense que é mostrado na cinegrafia habitual deste país

O que há de ruim: a vingança é sempre seca, insossa, dura, metálica

O que prestar atenção: como celular tornou-se um apêndice inseparável de nossas vidas

A cena do filme: ao ver o filho correndo para ela e suas expectativas escorrendo entre as mãos

Cotação: filme bom (@@@)

Por: Giovanni Cobretti – COBRA.

Lady Jane. 2008. França. Direção: Obert Guédiguian. Elenco. Gênero: Drama. Duração: .

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2 comentários em “Lady Jane (2008)

  1. Oi Lella! Muito obrigado pela visita ao nosso blog. As sugestões foram anotadas e gradualmente estaremos incorporando à nossa lista de filmes. Achei seu blog excelente. Sou cinéfilo compulsivo. Gosto muito dos filmes mais antigos (anos 30 aos 50) embora, dependendo do dia, estouro um saco de pipocas e fico curtindo meu filho assistindo junto com ele ao “O Segredo da Múmia”. Um grande abraço e que esse seja o primeiro de muitos contatos.

    ERASMO

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  2. Oi Erasmo!

    Até que seu texto, e a lista de filmes ao lado, me fez pensar em escrever um texto. Nas abas, tenho alguns exemplos. Onde já fiz um sobre armas, outro sobre relacionamentos… e nele, vou citando alguns filmes.

    Já usei vários temas, mas sobre tanatos, não.

    Se me permitir, usarei parte do seu texto, linkando o artigo. Dentro da listagem que coloquei, juntamente com a sua, abre-se no link, um leque interessante. A eutanásia, por exemplo, há os que não tem como fazer sozinho, em outros filmes sim.

    Sou fã dos Irmãos Marx, do Chaplin… mas faz um tempo que não revejo. Acho que o último que revi, foi ‘Uma Noite na Ópera’. Eu rir muito.

    Mas tenho visto muito mais os mais recente. Os ‘bem pipoca’, eu curto ver junto com um sobrinho.

    Se puder, coloque o ‘Gosto de Cerejas’ no topo, para assistir. Ele traduz bem o seu texto.

    E querendo compartilhar um texto seu, sobre filmes, é só enviar. Que publicarei.

    Beijos,

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