O Leopardo (Il Gattopardo. 1963)

o-leopardoEm 1860, Garibaldi inicia o movimento de unificação de Itália. D. Fabrício (Burt Lancaster) é um aristocrata que tenta manter o anterior modo de vida, apesar dos tempos de mudança. Para ele, a ascensão da burguesia é uma ameaça. Mas numa manobra astuta, combina o casamento do seu sobrinho Tancredi (Alain Delon) com Angélica (Claudia Cardinale), filha de um rico e influente administrador de propriedades. Fiel aos seus valores, este aristocrata consegue assim manter acesa a chama do antigo regime.Tudo deve mudar para que tudo fique como está.’ (Giuseppe T. di Lampedusa)”

Não vi muito do Luchino Visconti, mas dos que conheço, esse, ‘O Leopardo‘ é o melhor. Um verdadeiro tratado sobre a decadência (tanto quanto de um homem quanto de uma classe) e a autoridade como uma busca pela compensação à fragilidade.

Tudo transpira genialidade aqui. A caracterização dos cenários e figurinos, a trilha… O plano inicial focando na mansão é belíssimo. A cena em que o empregado avisa que algo está acontecendo lá fora e todos permanecem calados esperando o personagem do Burt Lancaster terminar suas preces demonstra o respeito e a autoridade que ele impunha, mesmo que apenas como um escape para disfarçar sua insegurança, afinal os tempos mudavam e outra classe estava para assumir o poder.

Ele precisava lidar com isso e o sentimento de ‘Ninho Vazio‘, sentimento este cada vez mais profundo e externado na (genial) sequência do baile, quando ele dança com a jovem no baile e, mesmo galante, é rejeitado pela moça que o acha ‘velho’. Nessa hora, ele para diante de um espelho e pela primeira vez se vê velho… E chora! Uma das mais belas do filme ao lado da que ele permanece de pé com o olhar vidrado em um quadro que retratava um homem morto em sua cama (esse momento onde o personagem parece estar em transe demonstra a estreita relação dele com esse sentimento de uma morte próxima).

Aliás, as sequências do baile são o melhor do filme (ou não – é tanta coisa maravilhosa aqui). Carregada de sutilezas, impossível julgar com uma assistida apenas (eu só vi 3 vezes e considero muito pouco), sendo a maior delas o próprio baile, uma grande alegoria que à transição de uma classe dominante à outra.

No mais, cito o Alain Delon, carismático como sempre, carregando com perfeição no cinismo de seu personagem e um elenco de apoio sobre o qual não posso comentar mais a fundo por não conhecer bem, mas que se mostra muito bem no longa.

E algo que não pode deixar de ser dito…

Esse filme é uma das maiores provas de que o Oscar não pode ser considerado como referência de nada

Num dos anos mais vergonhosos de sua história, ‘As Aventuras de Tom Jones’ leva a estatueta de Melhor Filme, desbancando ‘A Conquista do Oeste’ do Ford e ‘Cleópatra’. E ‘O Leopardo’ nem mesmo indicação recebe.

É uma dessas que me faz ter (mais) orgulho do meu amado ‘Rocky‘.

Por: Luiz Carlos Freitas.

O Leopardo (Il Gattopardo). 1963. Itália. Diretor: Luchino Visconti. Elenco: Burt Lancaster, Claudia Cardinale, Alain Delon, Terence Hill, Giuliano Gemma, cast. Gênero: Drama, História, Romance, Guerra. Duração: 187 minutos.

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