2:37 x ELEFANTE

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2: 37 foi um dos filmes que assisti no Festival Internacional do Rio de 2006, e, confesso que passei praticamente a sessão toda me lembrando de Elefante e comparando ambos. Pensei tratar-se de mais um filme do Gus Van Sant, mas para a minha surpresa, tratava-se de um outro cineasta, o Murali K. Thalluri, e não me lembro de ter assistido a algum filme dele antes. Mas sobre o quê é esse filme 2: 37 que muito se falou nas comunidades do festival, e nas rodas de bate-papo? Vejamos a sinopse de cada um deles para entender um pouco mais e se chagamos a alguma conclusão.

2:37 – Two Thirty 7 – Murali K. Thalluri (2006)

Sinopse: Em uma escola do segundo grau, a vida de seis distintos estudantes é afetada por uma tragédia que ocorre precisamente às 2:37. Numa escola secundarista na Austrália, algo de terrível acabou de acontecer a portas fechadas. A partir desse fragmento de informação, o filme retrocede para esmiuçar os traumas secretos de alguns dos alunos e revela conflitos envolvendo relações amorosas, homossexualismo, drogas, abuso sexual, negligência familiar. O filme, inspirado em fatos da vida do diretor, foi exibido na mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes 2006.

Elefante – A tragédia da Columbine High School, recriada sob a direção de Gus Van Sant o mesmo diretor de Gênio Indomável.

Sinopse: Um dia aparentemente comum na vida de um grupo de adolescentes, todos estudantes de uma escola secundária de Portland, no Estado de Oregon, interior dos Estados Unidos. Enquanto a maior parte está engajada em atividades cotidianas, dois alunos esperam, em casa, a chegada de uma metralhadora semi-automática, com altíssima precisão e poder de fogo. Munidos de um arsenal de outras armas que vinham colecionando, os dois partem para a escola, onde serão protagonistas de uma grande tragédia.

Trata-se de filmes aparentemente distintos, apesar de ambos basear-se em fatos reais. Elefante foi uma forma poética do diretor contar a trágica história que se passou em uma escola de Columbine – EUA, com jovens estudantes, como Michael Moore, vencedor do Oscar de melhor documentário contou aos mínimos detalhes. E 2:37. Através de belas imagens de origem feérica, nos revela detalhes de também, jovens estudantes, cada qual com seus problemas suas inquietações, onde todos os jovens retratados, teriam seus motivos para desesperar-se e cometer suicídio: o garoto manco e que faz xixi nas calças; o homossexual; a que foi molestada pelo próprio irmão etc, enfim, desconhecemos o que se passa no mais íntimo do ser, da mente humana e em seus corações.

Tragédia em Columbine e tragédia na Austrália. Elefante, como alguém comentou, “é um pseudo-documentário” , como o 2:37. O que nos chamou muita a atenção foi a engenharia da construção e montagem de imagens de ambos, pois são filmes que se podem ver sob diversos prismas, de todos os ângulos cada passo de cada personagem. Há um comentário também de alguém da comunidade que achei formidável sobre esse jovem diretor, e repito aqui por achar genial. Essa pessoa da comunidade sob o nome de “Jovem Cineasta” diz que Murali K. Thalluri “bebeu na mesma fonte do Gus Van Sant, bebeu tanto que quase que se afogou’. Achei o máximo esse comentário. Parece que Gus Van Sant e Murali K. Thalluri são amigos, daí a semelhança na construção das cenas. Um deve ser admirador ou fã do outro.

Apesar de tratar-se de duas histórias que narram tragédias em escolas envolvendo jovens, a forma de compor, a sua estética, é que nos chama a atenção. 2: 37 é tão maravilhoso quanto Elefante. Este relata o peso de um Elefante na mente humana, como tudo que é imenso, tudo que é pesado e grande lembra um Elefante, Dumbo, suas enormes orelhas, ou as Memórias de Elefante como fala nessa obra o escritor português Lobo Antunes.

As imagens em preto e branco dos depoimentos dos jovens envolvidos na trama, dá uma característica de documentário a 2:37. Ambos tem conteúdos e acabamentos similares. Ambos são filmes que mexem com nosso emocional. Construídos de modo instigantes, inteligentes, uma nova roupagem daquela que não estamos acostumados a ver. Assim é Elefante, assim é 2:37. Aplausos de pé para esses dois filmes e a esses dois brilhantes diretores. Talvez seja muita rasgação de seda da minha parte, mas é assim que eu sou quando gosto de algo, como gostei desses dois filmes que acabam entrando nas nossas células, na nossa corrente sangüínea, no nosso dna. E se não me acrescentaram em nada, ao menos veio a somar, coisas boas, coisas estranhas, coisas diferentes, coisas intrigantes. Dois filmes para se guardar com o maior carinho.

Por: Karenina Rostov.  Blog: Letras Revisitadas.

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Um comentário em “2:37 x ELEFANTE

  1. Apenas um adendo : Origem do título

    Gus Van Sant se inspirou em um filme homônimo do diretor Alan Clarke para batizar seu longa. Van Sant acreditava que o título se referia à um antigo provérbio chinês. A parábola dizia que cinco homens cegos estavam apalpando uma parte diferente de um elefante e descrevendo-o segundo suas próprias percepções. Todos os deficientes visuais chegavam à uma conclusão precipitada, pois nenhum deles analisava o animal como um todo. No filme de Clark, o título era uma referência ao conceito de “um elefante no quarto”, ou seja, uma coisa que chama tanta atenção que é impossível de ser ignorada.

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