Vicky Cristina Barcelona (2008)

vicky-cristina-barcelonaAntes de mais nada, Javier Bardem está gostosérrimo nesse filme. Aff!! rsrsrs Pra quem o viu em “Onde os Fracos não tem vez” com aquela vestimenta caricatural-pitoresca, vê-lo nesse filme dá até um susto bastante positivo rsrsrs.

Não me atenterei a expor sinopse aqui, pois perderia muito do filme. Ressalto, no entanto, duas falas: uma de Javier e outra de Penélope Cruz para dizer o que penso sobre esse filme; acho que essas duas passagens marcam toda a essência dessa obra.

“É engraçado. Maria Elena e eu somos feitos um para o outro e não feitos para estarmos juntos. É uma contradição. Para entender, é preciso ser um poeta, como meu pai, porque eu não consigo”. -Javier Bardem, no personagem João Antonio-

A outra passagem é:

“Nosso amor, nosso amor é eterno mas não dá certo. É por isso que será sempre romântico, porque não pode ser completo.” -Penélope Cruz, na personagem Maria Elena-

vicky-cristina-barcelona-7As pessoas são desde sempre e para sempre faltosas. Buscam, por sua vez, completarem-se com objetos de amor de toda espécie, desde os compráveis ao nomeáveis abstratos. A falta é uma constante. A angústia, para Lacan, é justo quando a falta falta, quando ela não comparece.

Passamos a vida em busca de um objeto para sempre inominável, perdido, que nos complete, que nos preencha. Por sorte, temos a arte como maneira subversiva de dizer: Sou faltoso, em mim há um buraco, uma hiância, e isso que criei é uma tentativa de falar disso.

Muitos pensam que a Arte é uma forma de “completar a incompletude”. Mas na verdade, a arte é uma maneira de expressar, de dizer, de falar dessa eterna falta-a-ser.

É claro que o relacionamento deles é faltoso, incompleto. Tenho pra mim que quanto mais cônscio o sujeito é dessa realidade, mais chances de dar certo o relacionamento terá. Sim, pois os fracassos sentimentais ocorrem por se depositar no outro uma expectativa de o outro irá suprir todas as carências/buracos/faltas. Só que o Outro também é carente, é faltoso, é esburacado e não tem a menor obrigação de completar nada. E então, os relacionamentos acabam, e o movimento eterno da busca pelo objeto continua…

Não sou poeta, mas entendo bem a fala de Javier, afinal, os desencontros fazem parte de qualquer vida, até mesmo das vidas de almas que se pretendem gêmeas.

Por: Deusa Circe.

Vicky Cristina Barcelona

Direção: Wood Allen

Gênero: Comédia Romântica

Espanha – 2008

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