A Partida (Okuribito. 2008)

a-partida_okuribitoGosta do seu trabalho? Sente-se bem nele? Desqualifica alguém por conta de sua profissão? Se ela está fora dos seus padrões, se envergonha do que a pessoa faz? E aqui nem estou entrando em algo ilícito, criminoso. Pois não é o caso do filme. Falo em adotar um trabalho que muitos acham indigno. O vê como algo a se envergonhar. Mas onde estaria a vergonha em exercer certas funções? Ela está no preconceito que reside nas pessoas. Chegando até a fazer chacota. Eu já passei por isso. Uma pessoa na época dizia ao me ver: ‘Chegou a Sarah!‘. Confesso que por não saber perguntei a uma irmã dela… Quanta ingenuidade minha! Duplo preconceito por parte dessa pessoa. O personagem dessa história passou por preconceitos desse tipo. Já volto a esse tema.

É que antes eu quis saber o significado de ‘Okuribito’. Um amigo contou: Okuri = levar; Bito = pessoa. Assim, Okuribito é uma pessoa que leva outra a algum lugar. Com isso até que ‘A Partida‘ não ficou tão despropositada. Por conta da profissão que o protagonista irá exercer: preparar o defunto. Ele é o jovem Daigo (Masahiro Motoki).

Como ele chegou a ela? Ao ser demitido junto com todos os músicos de uma Orquestra Sinfônica. Como ele ainda acreditava no seu potencial comprou um caríssimo violoncelo. Tinha até planos de pedir a sua mulher, Mika, uma Web Designer, para criar um site. Onde promoveriam a Orquestra. Mas o sonho acabara… Ficando a dívida e como contar a Mika.

A situação o pôs em cheque. Até em perceber que nunca chegaria a um solo. Seria somente uma peça da engrenagem. Que poderia ser logo trocado por outro, se tivesse partido dele sair do grupo. Havia ai um certo preconceito. Mesmo não sendo o primeiro, o mais importante, todos são relevantes.

Mika ao ficar sabendo que ocultara dela fica dividida. Para ela não deveria haver segredos entre um casal. Será? Nem tudo precisa ser compartilhado no tocante a coisas pessoais. Agora, se é algo que irá interferir na vida do casal, ai sim. Principalmente se for mexer no orçamento doméstico. Mika até se ofereceu a saldar a dívida. Mas não imaginava que tinha custado tanto o violoncelo. Daigo se desfaz do Cello, ficando com o antigo… Uma pausa para dizer que ver alguém tocando um Cello… É algo tão sensual!

Mika propõe de irem morar no interior. Na casa que a mãe de Daigo deixara como herança. E com a mudança para lá… somos levados a acompanhar o mergulho desse jovem em sua alma. Onde velhos fantasmas serão revividos. Um longa jornada. E ao lidar com os mortos… ele vai despertando para a vida. Em solos emocionantes.

Eu nunca tinha visto um trabalho como esse. Esse ritual. Os mortos que vi já se encontravam dentro dos caixões cobertos de flores. De pronto, só me veio o maquiar o rosto do defunto do filme ‘Meu Primeiro Amor‘. Agora, nem se compara com o que é mostrado nesse filme. É! É é uma cultura admirável em certos aspectos. Esse, mostrado em ‘A Partida‘, foi um deles. Me fez rever conceitos…

As lágrimas desceram no finalzinho do filme… Valeu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2009. Assistam! Excelente filme! Ah! A trilha sonora é lindíssima! Um aperitivo:

Por: Valéria Miguez (LELLA).

A Partida (Okuribito). 2008. Japão. Direção: Yôjirô Takita. Elenco: Masahiro Motoki (Daigo Kobayashi), Tsutomu Yamazaki (Ikuei Sasaki), Ryoko Hirosue (Mika Kobayashi), Kazuko Yoshiyuki (Tsuyako Yamashita), Kimiko Yo (Yuriko Kamimura), Takashi Sasano (Shokichi Hirata). Gênero: Drama. Duração: 130 minutos.

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13 comentários em “A Partida (Okuribito. 2008)

  1. Soundtrack: Okirubito:

    01. Shine of Snow I
    02. Nohkan
    03. Kaisan
    04. Good-by Cello
    05. New Road
    06. Model
    07. First Contact
    08. Washing
    09. Kizuna I
    10. Beautiful Dead I
    11. Okuribito (On Record)
    12. Gui-Dance
    13. Shine of Snow II
    14. Ave Maria (Okuribito)
    15. Kizuna II
    16. Beautiful Dead II
    17. Father
    18. Okuribito (Memory)

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  2. Pra mim, A Partida foi um ponto de chegada de alguém q pensava ter partido e, ao chegar, encontra o respeito por si mesmo e se dá ao respeito pelos outros. Nem todos deveriam buscar o q todos procuram, pois q poderão se frustrar.

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  3. Achei o filme lindo, a combinação de emoções que ele passa me comoveu bastante. Vi o filme em uma viagem de trabalho e as pessoas ao meu redor me olhavam estranhamente por causa das lagrimas – rsrs! Realmente é uma ótima pedida! Queria muito que o cinema nacional conseguisse produzir algo com esse parâmetro. O filme é incrível, sem mais!!

    Curtido por 1 pessoa

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