A Liberdade É Azul (Trois couleurs: Bleu. 1993)

a-liberdade-e-azulQuando me deparei com os três filmes intitulados como parte da Trilogia das Cores, onde ‘A Liberdade é Azul‘, ‘A Fraternidade é Vermelha‘ e ‘A Igualdade é Branca‘, percebi se tratar das cores da bandeira da França e do lema tão querido por todos nós pós-Revolução Francesa: Igualdade, Fraternidade, Liberdade.

Quis saber um pouco mais sobre esse diretor, Krzysztof Kieslowski, que ainda não tinha entrado em contato. Trata-se de um polonês que fez filme polonês e francês. Esses três fazem parte de um segundo momento de sua obra, totalmente produzida na França.

Pretendo falar sobre esses três filmes aqui no nosso Cinema, hoje arrisco umas linhas sobre Liberdade é Azul.

Eu fiquei muito contente em saber que cor ela tem, pois na verdade tenho pra mim que uma das impossibilidades humanas é ser livre. Entendo como ser livre não aquele que goza do direito de ir e vir, apenas; mas, aquele que de tão livre as palavras faltam por não conseguir apreender a totalidade do conceito.

a-liberdade-e-azul_01Julie (Juliette Binoche) sofreu um acidente com sua família e foi a única sobrevivente. Tenta se matar mas não consegue. Viver, parece, é maior do que essa perda e dor. A dor dela é visível, é notória, mas sufocada. Completamente sufocada. Cada um com sua maneira de lidar com seus sentimentos.

Achei belíssimo a cena em que ela encontra sua empregada chorando e então lhe diz:

– Marie, por que você chora?

E Marie, experiente de cabelos brancos, responde:

– Choro porque a Senhora não chora.

Aquilo ali foi lindo… sem palavras! Elas se abraçam e Julie consola Marie não sei se como quem diz: “Passa” ou como quem diz: “É… não consigo chorar…”

Por mim, contemplaria esse diálogo por longas horas na companhia de um bom vinho, mas de tão bom que é o filme, sou convidada por mim mesma a continuar a escrever.

Julie, riquíssima, esposa de um excepcional compositor que toca as músicas que ela faz rsrsrs, abandona toda sua riqueza, toda a matéria que a cerca, para gozar de um anonimato e de uma liberdade que se pretende azul. Como ela diz, essas coisas todas são armadilhas…

Será?

Faz amizade, por acaso, com uma prostituta. Achei significativo o diretor colocar isso em cena e em pauta… Admira um flautista e se assume humana…

Será possível ser livre com o abandono da matéria? Os Budistas acreditam que sim, ainda que numa perspectiva outra.

Eu já penso diferente, embora não tenha apegos materiais. Penso que o que nos prende, além de um corpo limitado e limitante que todos nós temos (não sabemos voar), são os conceitos que formamos das coisas, as idéias. Isso não está na matéria, está em nós mesmos e tudo depende da forma como lidamos com a vida…

Indico, recomendo, esse filme pra ontem!

Por: Deusa Circe.

Trilogia das Cores:

Liberdade é Azul – Trois Couleurs – Bleu

Direção: Krzysztof Kieslowski

Gênero: Drama

França – 1993

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2 comentários em “A Liberdade É Azul (Trois couleurs: Bleu. 1993)

  1. Deusa, Gsotei do seu comentário. Também me prendi muito na cena de Lulie e Marie, assom como outrs cenas. Este é o meu filme predileto, de tão predileto e denso, assisti e assisto muitas vezes ainda. Assisti muitas vezes como se procurasse mais algum significado dentre tantas metáforas. Descobri algo incrível que talvez você ainda não tenha visto: a segunda parte do filme gira em torno do término do conserto, e isto significa também o retorno de Julie ao mundo que ela deixou. Nessa busca por liberdade, ela descobre a traição do marido. Ela doa a super mansão para a tal amante que está grávida. A amante diz que o marido sempre falava que ela era uma pessoa muito generosa. Só o verdadeiro amor faz tamanha generosidade. Não pela mansão, mas por esse gesto ser em direção a uma pessoa a qual teoricamente ela deveria odiar. A chave do filme para mim está aí – no encerramento ou não do conserto e dessa generosidade e amor. Então eis a cena chave para mim: Quando ela tira um livro da estante para buscar o coro que encerraria o concerto do marido, escrito por ela na verdade, Fiquei pensando em qual seria esse livro. E descobri. Trata-se da Bíblia Sagrada – 1a. Corinthios 13 “Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, sem amor eu nada seria…”. Maravilhoso. Para mim foi uma espantosa descoberta! Passei dias pensando a respeito disto. A maioria não enxergou… Isso faz desse filme mais especial ainda para mim. Faz-nos pensar, raciocinar. E Kieslowski sempre a temas teológicos, de forma criativa e inteligente como no Decálogo.

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