Inimigos Públicos (Public Enemies. 2009)

inimigos-publicos_2009Indo apenas pelo título, e pensando nos tais ‘atos secretos’ do nosso Senado, ficaria a impressão de que seria um documentário sobre eles. Piadinha podre, mas foi irresistível.

Claro que um filme estrelado por Johnny Depp ganha muita divulgação, assim já ficamos ciente da trama principal. E ele merece os holofotes! Por mostrar que é mais que um rostinho bonito. Que já está no patamar dos grandes atores. Daqueles que cada papel é único. Que por mais que o personagem anterior ainda esteja vivo na memória, tão logo começamos a vê-lo atuando com o recente, o outro se dissipa.

Mas não foi apenas o Depp que me motivou a assistir esse filme – Inimigos Públicos -, teve também em saber como mostrariam o início do FBI (Federal Bureau of Investigation). E não iriam mostrar esse início com um final desfavorável para eles. Assim, não há surpresas com o destino dos homens procurados. Nosso interesse fica em como chegaram a eles.

Se em plena década de 30 já utilizavam escutas… dá para imaginar o que usam atualmente nas investigações com todo o avanço tecnológico que há. Se o que querem são resultados, então não existe limites para consegui-los. Se posicionam-se como em estado de guerra, mais do que ‘Recolham os suspeitos de sempre!‘, também entram nessa dança: familiares, amigos, colaboradores… Se estão como numa guerra, às investigações por métodos racionais cedem a vez também para as torturas.

Esses homens procurados concentram-se em Chicago. Ali, são acobertados por um sistema corrupto. O que faz querer levá-los para serem julgados em outro estado. E são até levados às celas, mas acabam fugindo. John Dillinger (Johnny Depp), pelo carisma, pelo atrevimento, ganha o status de inimigo público number one. Sempre encontra meios de fugir. Por assaltar bancos, ganhou a simpatia do povão que sofre com a recessão.

Acontece que J. Edgar Hoover (Billy Crudup) quer, e muito, que o seu Departamento exerça um poder nacional. O que o leva a importar bons policiais. Um deles é o policial Melvin Purvis (Christian Bale). Usaram mais o olhar de Bale, para dar uma frieza maior ao seu personagem. Mas na cena onde se postou de frente ao Cinema, a mim, ficou a impressão que estava esperando seu par para irem dançar na Estudantina. Voltando ao Purvis, ele quase abandonou a caçada, por conta das baixas em seu contingente. Para continuar, pede por mais policiais, e de outros lugares.

Como o FBI, estava querendo mostrar serviço, nessa história, foram mesmo em cima de Dillinger e seu bando. Quanto aos policiais corruptores, deixaram para uma outra história.

Com as baixas também do lado de Dillinger, como também com o cerco se fechando, ele bem que poderia fugir.

Fugir… Adivinhem para onde ele queria ir morar? Affe! Bem que poderiam escolher outro lugar nesse roteiro. Mas… por conta dos pizzaoilos na política… o estigma que Bigs jogou no Rio de Janeiro, pelo jeito ganhou novo combustível.

O que reteve Dillinger de fato nos Estados Unidos, foi ter se apaixonado. Por Billie Frechette (Marion Cotillard).

Foi algo meio machista, como também um tanto frio, mas tenho que concordar com uma fala: ‘_Para isso, inventaram as prostitutas‘. Numa de que, quem escolhe levar esse tipo de vida, deveria evitar uma relação a dois mais séria, porque pode mantê-lo preso ao local, como deixá-lo vulnerável.

As atuações estavam de acordo com a época. Meio caricato, mas nada que comprometesse muito.

A trilha sonora foi muito bem escolhida. Com a Diana Krall atuando cantando.

O filme usou muito mais o período noturno para o cerco. O que fez o espetáculo dos tiroteios. Agora, houve uma dessas cenas, que me fez lembrar do que escrevi sobre o filme ‘Moscou em Chamas‘. A cena em questão era: de um lado, um dos procurados, com uma metralhadora em ação. Do outro lado, o Agente Purvis, também atirando, mas com uma pistola. O da metralhadora, caído, com o corpo já crivado de balas. Então, a câmera se posiciona por trás dele, mostrando que o Agente está bem próximo, de pé, e sem nenhuma bala. Nessas horas, dá até vontade de dizer: ‘_Milagre! Aleluia!‘ Assim, foi irresistível não rir. É! Eu realmente não entendo de armas.

O filme é bom. Agora, revê-lo? Só se for para tentar descobrir o nome da música que o Dillinger canta numa das fugas, enquanto guiava. Ah! Em destaque: a cena de Dillinger dentro da sala onde se concentravam as investigações sobre ele. É ótima!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Inimigos Públicos (Public Enemies). 2009. EUA. Direção: Michael Mann. +Elenco. Gênero: Crime, Drama, História, Romance, Policial, Thriller. Duração: 140 minutos. Baseado em livro-reportagem de Bryan Burrough.

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12 comentários em “Inimigos Públicos (Public Enemies. 2009)

  1. Trilha sonora original de Inimigos Públicos. No link, terão como ouvir um trechinho de cada:

    01. Otis Taylor – Ten Million Slaves
    02. The Bruce Fowler Big Band – Chicago Shake
    03. Elliot Goldenthal – Drive To Bohemia
    04. Billie Holiday (Feat. Teddy Wilson & His Orchestra) – Love Me Or Leave Me
    05. Elliot Goldenthal – Billie’s Arrest
    06. Billie Holiday & Her Orchestra – Am I Blue?
    07. Elliot Goldenthal – Love In The Dunes
    08. Diana Krall – Bye Bye Blackbird
    09. Elliot Goldenthal – Phone Call To Billie
    10. Otis Taylor – Nasty Letter
    11. Elliot Goldenthal – Plane To Chicago
    12. Indian Bottom Association, Old Regular Baptists – Guide Me O Thou Great Jehova
    13. Elliot Goldenthal – Gold Coast Restaurant
    14. Billie Holiday – The Man I Love
    15. Elliot Goldenthal – Jd Dies
    16. Blind Willie Johnson – Dark Was The Night, Cold Was The Ground

    http://www.amazon.com/Public-Enemies-Elliot-Goldenthal/dp/B0029LJ982

    ———————-

    Trailer legendado

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  2. Val, quanto ao comentário machista, ora que vivia-se numa época de homens machistas, ricos falidos, bancos quebrados, balas de sobra, caçadas urbanas-humanas, esquemas e tudo o que favorecia o florescimento da prostituição. A prostituição não é a mais sincera mentira do machismo? Coerente, pois.
    Embora não goste do barulho de tiros, amo figurinos dos filmes de gângster, revejo esse filme ainda antes de sair de cartaz se não por Dillinger, por Johnny.

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  3. Eu achei o filme muito bom, porque gosto de filmes de ação, esse filme é bem interessante apesar de meio sem conexão em algumas partes, vi 2 vezes e vou ver muito mais, pelas cenas de tiros que realmente são de tirar o fôlego como também a atução brilhante do Johnny Deep, o que não poderia ser diferente …achei a música q o Dillinger canta ao guiar o carro:The Last Round-Up (The Cleftones)

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