Dogville e Confissões de Dogville

Por: Eli@ne L@nger.
DogvilleAdorei Dogville, principalmente porque estimula o espectador a montar seu próprio cenário. Estimula o exercício da função sensação (visão, audição, paladar, tato, olfato) em cada um, deixando a nosso gosto montar o cenário de acordo com as nossas próprias vivências.

O filme pode parecer cansativo àqueles que NÃO exercem este tipo de função, precisando ter tudo ‘de mão beijada’.

O final é surpreendente, na medida em que sugere uma metalinguagem do filme inteiro, estando acima do próprio roteiro: há um roteiro SOBRE o roteiro básico que só se conhece no final.

Sobre o Dogville, eu não comentei sobre o final de propósito – tira a magia do filme, não? Só dá pra comentar com quem já viu… Mais do que a vingança, havia algo já planejado que ficou intrigante: Dogville foi escolhida a dedo pra ser testada; ficou claro que, de perseguida passou a perseguidora, de vítima passou a algoz, como se fosse um Deus determinando o destino de uma vila inteira – uma vez que lhe determinaram que tipo de serventia – digamos assim – ela, Nicole, teria: do luxo em ter uma companheira em todas as famílias ao lixo por ser representante do sexo feminino, do sexo ‘frágil’. Da fragilidade, toma o poder.

Dogville? A vila dos cães? Para cães? São cães, não seres humanos? Cães selvagens? Há um lobo lá, não? O medo do lobo, por que? Medo do seu igual?

Na psicologia analítica de Jung, bem como em algumas visões, sentir antipatia implica em que se é tão igual que não pode haver a convivência

dogville-confessionsUma obra-prima do cinema deve ser registrada para a posteridade. E é exatamente isto que encontraremos no Documentário ‘Confissões de Dogville‘. É uma verdadeira “confissão” dos atores envolvidos na produção deste verdadeiro épico de Lars Von Trier. O DVD traz ainda o trailer do filme e uma entrevista com o renomado diretor.’

Achei muito curiosa esta forma de filmar e dirigir. Os cenários são imaginários! Me senti no teatro e não, na minha cama vendo no DVDPlayer portátil! Soube do documentário antes de ver o filme.

Eu gostei de tudo sobre o Dogville e não acho que comentários do tipo “esperava mais” tenham a ver coisa com coisa. É como esperar que alguém tivesse tido alguma atitude que nem estava nos planos de quem a faria. O documentário foi como foi e assim deve ser visto, sem comentários diletantes, que soam uma arrogância tola.

Pessoalmente, gostei de tudo e sinto ter acrescentado coisas em mim; me tornei fã do Trier, a quem nem conhecia. ‘Os Idiotas’ é o próximo da lista.

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4 comentários em “Dogville e Confissões de Dogville

  1. Quanto tempo!

    Assisti Dogville há pouco tempo e concordo com seu ponto e vista.

    É difícil falar do filme sem estragar o fim para quem ainda não viu, então vou me ater a ousadia:
    Quanta ousadia em fazer um filme sem cenários, quanta ousadia ao expor o ser humano de forma crua e nua, quanta ousadia ao compor o final…

    Se tem uma coisa que Dogville faz conosco é nos deixar em dúvida sobre quem é o vilão e quem é o mocinho. Quem é culpado, quem julga, quem cumpre a pena e quem merece ou não exercer cada papel.

    Nesse filme, ninguém é totalmente bom ou ruim, são apenas exageradamente humanos, frios, fracos, gananciosos e covardes, como todo o resto. É desconfortável porque temos “teto de vidro”. Não dá pra dizer que você nunca agiria da forma como eles agiram se estivesse na mesma situação.

    Até a protagonista, apesar de ter seus motivos, é fria. Tudo é cru, cenas, diálogos, cenários. Tudo é um exercício pesado de criatividade.

    Eu fiquei muito curiosa para ver os outros dois filmes da trilogia, mas ainda não tive chance. Quem sabe uma crítica positiva feita por vocês não me dá o empurrãozinho que falta.

    Até a próxima!

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    • Oi Laís!

      Do Lars, eu só vi ‘Dançando no Escuro’. E gostei muito.

      Também gostei do texto da Eliane!

      Vamos ver se outro autor do blog, ou até ela, escrevam sobre ‘Manderlay’.

      Ou, quem sabe você após vê-lo, compartilhe conosco suas impressões 🙂 venha ser um de nós.

      Beijo,

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  2. Olá, Laís

    Gostei muito de teus comentários, pois me fizeram ter uma ótica mais dialética do filme. Realmente, o filme nos leva a nos posicionar sobre a relação entre os opostos tão notavelmente propostos na contemporaneidade: vítimaXalgoz. Não se sabe exatamente quem é a vítima – e por quanto tempo – e quem é o algoz da história. Ambas as posições são vividas pelas 2 partes e quase q ao sabor dos eventos PESSOAIS.

    Um ponto a ressaltar são as “armas” usadas pra virar o ‘jogo’: uns usam de seus valores e preconceitos e outros – a personagem da Nicole – uma resposta condizente com uma luta armada (de arma de fogo, mesmo). Ambas as formas são ‘armas’ lançadas a fim de se julgar e agir baseados no mal uso do poder.

    Assim, este filme revela o quão podemos ser arbitrários em função da maneira como somos tratados e a falta dos cenários evoca, de verdade, o cenário pessoal de cada um, neste embate pela sobrevivência.

    Sobre a trilogia, como foi o 1º filme dele q vi, estou mal informada se este faz parte de alguma.

    Beijos e até breve.

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