Os Idiotas (Idioterne. 1998)

Por: Eli@ne L@nger.
os-idiotas_posterPorque algumas pessoas cismam em ver com estranheza e incômodo os portadores de Síndrome de Down – os ‘idiotas’? O que lhes ocorre internamente? Além do dó – sentimento de impotência diante de uma situação que não pode ser alterada – há algo mais? Uns reagem com repugnância, outros com sarcasmo; há quem se divirta com aquilo que vê e julga como insensato. Mas quem é o insensato, afinal? O que, exatamente, vem a ser a ‘razão’? Quem a tem?

São perguntas que o grande filme do cineasta Lars Von Trier nos lança através deste filme pouco divulgado e ‘desinteressante’. Desinteressante é olhar pra sua própria dose de idiotia! Desinteressante é se ver retratado em sua idiotice através do outro que lhe serve de espelho. Nada, nada interessante é tomar consciência de que não somos perfeitos, que temos em nós um lado do qual nem gostamos de tocar com o dedo mindinho do pé. Um lado tão rejeitado que cai direto na inconsciência, mas isto não implica em sumir: está lá! Aguardando…

Gostei do filme porque ali, não se aguardou nem guardou é NADA. O diretor se atreveu a mostrar este outro lado que existe em cada um e em todos, em todos e em cada um com suas peculiaridades. Permitiu-se e aos atores a possibilidade de conhecer este lado e de integrar à personalidade total, tanto que saíam pelas ruas, bares, com este lado exposto, mas sem perder a consciência de si mesmos.

Nos faz pensar em quem é, de verdade, o idiota? O que fazem conosco? Porque não nos é permitido ser aquilo que somos DE VERDADE, nossas neuras, nossos dramas, nossas mazelas? Todos temos, oras bolas! Porque temos que nos mostrar sempre felizes em plena infelicidade? Porque o diferente é menos legal? A piedade, muito ‘nobre’… Porque? E pra que? Somos assim tão diferentes dos deficientes mentais? Fisicamente, talvez. Mas e todo o resto? Todos temos a nossa própria quota de idiotia que é solapada, expurgada em prol da sociedade.

Tudo é permitido, mas só pros ‘idiotas’. “Deus, suportai-vos uns aos outros”… Pros ‘normais’, nem tudo é permitido. É preciso ser idiota demais, pra ser o q se é? E a variedade de idiotices? Quem são os idiotas, afinal? TODOS, TODOS NÓS!

Os Idiotas (Idioterne). 1998. Dinamarca. Direção e Roteiro: Lars von Trier. Elenco. Gênero: Comédia, Drama. Duração: 117 minutos.

Curiosidade: O filme é um dos exemplares do movimento Dogma 95, criado por diretores dinamarqueses e que prega um cinema mais simples, sem artifícios.

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6 comentários em “Os Idiotas (Idioterne. 1998)

  1. Oi,

    Achei este blog por acaso e, pelo que li até agora, estou gostando muito da qualidade do material publicado aqui.

    Este post me chamou a atenção por tratar de um filme dinamarquês que eu não conhecia e que foi traduzido nesta “resenha” tao instigante que me faz coloca-lo em primeiro lugar na lista dos filmes que quero ver. Até mesmo porque estudo dinamarquês e preciso praticar mais.

    Se me permite, aqui vai a indicação de alguns filmes dinamarqueses que gosto:

    Nordkraft
    Flammen & Citronen
    Mænd der hader kvinder (sueco-dinamarquês)

    Um abraço

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    • Oi Verônica!

      Seja muito bem-vinda ao espaço! E grata por ter gostado!

      Além desse, há outros filmes dinamarqueses. Em vez de uma classificação majoritária por Gênero, preferi separar por países.

      Confesso que os que citou, fui ver se tem título no Brasil. Só o segundo que tem: Os Resistentes. Caso queira escrever sobre ele, ou os demais, e querendo compartilhar, terei prazer em publicar.

      Outro abraço!

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  2. Oi Lella,

    Acho que a separação por pais foi uma idéia feliz. Confesso que o nome da Dinamarca ali ao lado me chamou atenção e me deu gas para dar uma fuçada por aqui, afinal os filmes dessas bandas de ca acabam ficando no anonimato para a maior parte do mundo. Tambem fica claro o privilegio que este espaço dedica a filmes de qualidade, sem ser bitolado a massificação americana.

    Simm, aceito o convite. Muito obrigada! Assim que tiver um tempinho te envio.

    Um abraço

    P.S.: Meu teclado não é compatível com a ortografia do português e, quando o Chrome não me ajuda a corrigir as palavras erradas, algumas vogais saem sem o acento agudo.

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    • Fico feliz que tenhas aceito! Trocaremos os detalhes por email. E nem se preocupe com os acentos. O que conta mesmo é o texto ficar “legível”. Que a maioria entendam. Isso, olhando o que escreveu, já está muito bem demonstrado.

      Sobre classificar por países… com os filmes, podemos conhecer detalhes deles. É como uma viagem.

      Beijo,

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