A Igualdade é Branca (Trois couleurs: Blanc. 1994)

igualdade-e-branca02

Por: Suzana Fehu.
Observação MUITO importante:
aqui toda a interpretação é minha (Suzana Fehu). Ou seja, podem ter várias interpretações coerentes a mais. A relação que faço com o Branco pode não se confirmar. A arte serve pra isso.

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A Igualdade é Branca” rendeu para Kieslowski o Urso de Prata de Melhor Diretor no Festival de Berlim, merecidamente tanto pela estória quanto pela arte.

A fotografia é de Edward Klosinski que em A Liberdade é Azul se preocupou em dar um tom azulado no filme, focando objetos e locais azuis sem overdose. Em A Igualdade é Branca, ele utilizou a neve da Polônia pra transmitir os sentidos do Branco do filme: frieza (sem cor), etnia (racial) e paz.

É brilhante a forma que Kieslowski junto com Klosinski brinca com esse branco que é tão valioso. Bem mais do que um detalhe, precisa ser notado em conjunto com a estória que amarra todo o contexto.

Ainda sobre a arte, perceba que Kieslowski valoriza muito a arte em si. Em Liberdade é Azul ele valoriza a música e composição (responsável pela trilha sonora é o mesmo que em Igualdade é Branca – Zbigniew Preisner). Preisner cria mais vida musical em Liberdade é Azul, pois em Igualdade é Branca ele foi mais discreto nesse aspecto, até porque a arte de Igualdade é a escultura. Em Fraternidade é Vermelha, Kieslowski deu atenção à fotografia, a arte das imagens.

A genialidade de Kieslowski, por vezes mal falado no mundo do cinema, é o de unir todos os significantes, nada sobra. A escultura em Igualdade, por exemplo, faz sombra à vida em construção de Karol.

A esposa de Karol (Karol na Polônia é homem rs) decide romper o casamento, pedir divórcio, e deixá-lo com o néctar pouco doce da rejeição. Moravam na França e o seu passaporte foi confiscado -aqui o aspecto do branco da cor, raça, diferença de países é posto como pano de fundo mesmo que França e Polônia “tenham” a mesma cor racial. Note a cena em que ele conversa com o Juiz no momento do divórcio. Ele questiona a língua francesa x polonesa.

Vale lembrar que Kieslowski é polonês que decide trabalhar na França. Não sei se é especulação de minha parte, mas fico tentada a pensar que Karol representou um pouco do que o Diretor deve ter passado em sua vida real, os franceses não são fáceis. Acho que esse “furo” não é à toa.

Ainda com relação ao Branco da raça, Karol voltou pra Polônia com apenas 2 francos no bolso, com a ajuda de seu amigo que o transportou na mala. Situação tacanha que nem preciso me estender nesse ponto, basta ver.

Continuando, a esposa de Karol, Dominique, além de deixá-lo ainda sacaneia com ele. É muito frio a maneira como ela o pune. Branco que significa sem cor. É notório o desejo dela por ele, e mais ainda a raiva que ela tem dele por ele não conseguir trepar com ela. Esse ponto merece muito carinho por parte de quem vê o filme, pois é muito sutil esse elo entre cor e relação.

Karol, já na Polônia, remonta sua vida, reconstrói seus bens e a escultura branca do que ele passou. Isso para se vingar da ex esposa -> IGUALDADE. Não entrarei na estória para não perder a graça da trama (pra quem ainda não viu).

Aí vem o terceiro sentido do Branco: a paz. A paz interior finalmente chegou? Os pesadelos acabaram?

Onde fica a culpa desse fogo cruzado? Aqui eu ressalto pra ser mais do que notado a última cena, a dele de binóculo. Com perdão da expressão: puta que pariu. Lindo! O branco cai e continua lá, mas agora ele dá espaço pra outras cores.

A Igualdade é Branca

Direção: Kieslowski

Gênero: Drama

Polônia – França – 1994

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