Um Motivo Para Viver (Leo. 2002)

um-motivo-para-viver_leoSabem aqueles filmes que machucam? Que dói na alma! Esse, ‘Um Motivo Para Viver‘, é um deles. E a maldade humana contida nele veio por uma mulher. Ela até pode ter dado o troco por se ver traída, mas nada justifica o que fez ao próprio filho. Como ele bem disse numa frase a um detento: “Pelo menos você sabe porque está sendo penalizado‘”. Pois é! Ele nem sabia, nem muito menos merecia!

Foi um amigo quem indicou o filme. Nós até já trocamos impressões numa comunidade no Orkut. Demorei um pouco mais para escrever. Até para ver se passava a raiva que senti dessa mãe. A da personagem da Elisabeth Shue, a Mary Bloom. Quem tem uma mãe como ela não precisa de inimigos.

Mary era uma dona de casa enfastiada com a vida que levava. A princípio, eu até diria que agia assim porque uma gravidez a levou a tomar outro rumo na vida. Para tomar conta do bebê não seguiu para a universidade. Mas com o rumo da história creio que também não se sentiria bem numa carreira profissional. Mais! Para mim ela já trazia em si uma essência má. E com toda a certeza: ela não nasceu para ser mãe.

leo-04Quem nos conta essa história é Stephen (Joseph Fiennes). Ele acaba de sair da prisão após cumprir 15 anos por ter matado um cara. O agente da condicional o leva para trabalhar numa lanchonete de estrada. Quem o recebe, e friamente, é Vic (Sam Shepard). Este lhe diz que o emprega não por ser bom samaritano, mas sim porque pode pagar um salário menor. Mas no fundo Vic tem uma essência boa. Conserva ainda um lado hippie. Meio mítico.

O outro dono, aliás o manda-chuva do pedaço, é Horace (Dennis Hopper). Um frustrado na vida. Se vale pelo dinheiro e pela arma. Se sente dono de todos. Atazana a vida de Caroline (Debora Kara Unger). Essa se sente presa ao local pois no passado fora a dona dessa lanchonete. Horace será mais uma prova dura do destino para Stephen passar. Como na frase: “Ao passar por um inferno, o importante é não perder a sanidade.”

Stephen aos poucos vai contando a sua história para Louis, o encarregado do hotel. Vic ouve escondido. No fundo ele simpatizou-se com Stephen. Aliás, tirando Horace, os demais ali também.

leo-03É contando a sua história que conhecemos o Leo (Davis Sweatt). O filho de Mary. Ele é um menino triste. Proibido até de brincar com outras crianças. Como desculpa, a mãe diz que por ter uma deficiência respiratória ele não pode fazer esforço. Mas num dia que se aventura a brincar com uns meninos por ter encontrado um meio de participar da brincadeira e por isso teve um momento de felicidade plena, ela o põe para dentro de casa. Esse momento, com a sensação de “_Sim, eu posso brincar! Posso fazer um esforço sim!” além de ser uma cena emocionante para nós, também será para ele. Nesse período o único carinho familiar Leo recebe de uma tia. Mas por ela morar longe esses momentos de ternura eram mais por telefonemas. Então ele passava seus dias lendo livros. Havia muitos na casa.

Leo escreve uma carta durante uma aula. Fora um dever em sala de aula. O Professor disse que poderiam escrever para quem quisessem. Leo escolhe enviar para um detento qualquer. E é essa carta que ajudou Stephen a cumprir a sua pena por longos quinze anos. Mais! Fez Stephen extravasar todas as suas angústias escrevendo cartas para o Leo. Mas que eram guardadas a seu pedido pelo seu advogado.

Ciente do potencial de Leo, o tal professor procura pela mãe dele. A fim de motivá-la a investir mais no intelecto do Leo. Para que o transferisse para um outro colégio. Muito mais forte. Com mais possibilidade de ingressar numa ótima universidade. Mas ela bate com a porta na cara dele. Para aquela mãe tão medíocre deveria querer que o filho também fosse.

Stephen estava aguardando um momento para procurar Leo. Para agradecer. E o momento veio após ter enfrentado Horace. Para salvar Caroline das garras dele. Furioso, mas só depois munido de uma arma, Horace o procura e… Vic o salva. Dizendo que fosse embora. Que fosse encontrar com o Leo.

E ele vai… e a cena é linda! Que me leva até a trazer um spoiler. Mas peço-lhes: Não tentem ler antes de ter visto o filme! Depois sim. Poderemos até trocar impressões. Ok?

É sobre a cena final do filme. Que para mim  foi o somatório de:
– todas as cartas/livro que ele escreveu enquanto esteve preso;
– do período ainda como Leo;
– que ele contou que esse menino interior, já adulto pelo destino, que o ajudou a passar por tudo, incólume, até então;
– como ele bem disse, foi a própria mãe que o matou;
– então, ele quis fazer um enterro com honras.

Os livros ficaram como um cemitério, onde cada um era uma lápide de uma fase da vida do Leo. E ele fez uma homenagem ao seu menino; a sua infância.

Achei lindo! Até porque ao assumir-se como Steve ele iria viver também o menino Leo, mas já não tão sério. Como também consciente de que não precisava mais bater em caras do tipo do pintor, ou do dono da lanchonete. Que poderia correr. Que enfim poderia VIVER!

E sobre a mãe dele. Que PQP!! Como se não bastasse todos os anos como o tratou, aquilo que ela fez no Tribunal me fez ficar com muita raiva dela!

Assistam! Um filme nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Um Motivo Para Viver (Leo). 2002. Reino Unido / EUA. Direção: Mehdi Norowzian. Elenco: Joseph Fiennes (Stephen), Elisabeth Shue (Mary Bloom), Davis Sweatt (Leo), Justin Chambers (Ryan), Sam Shepard (Vic), Dennis Hopper (Horace), Deborah Kara Unger (Caroline), Mary Stuart Masterson (Brynne), Jake Weber (Ben Bloom), David Burke (Thomas Kingsley), Amie Quigley (Ruth Livingstone). Gênero: Drama. Duração: 103 minutos.

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2 comentários em “Um Motivo Para Viver (Leo. 2002)

  1. Oi minha Linda!
    Incrível a semelhança do Leo com uma antiga paixão minha, embora ainda com o aspecto de menino me faz sempre voltar no tempo e recordar os bons tempos vividos.

    Adorei ler o spoiler, tb acho o final deste filme muito lindo! A uma certa altura do filme o Stephen (Joseph Fiennes) está escrevendo e nos diz algo do tipo: O que vocês vão ver no final é o meu começo.
    Ah! E a mãe é de dar nos “nelvo”, excelente atuação da Elisabeth Shue no papel da mãe megera, menos mal que é pura ficção, rs.

    Quero indicar um filme que assisti recentemente e gostei muito. Se puder assista, acho que vc vai gostar.
    O Destino de uma Vida (Losing Isaiah) – 1995.
    Mil beijos!

    Curtido por 1 pessoa

    • Oi Lindona!

      Que bom que voltou a poder postar 🙂

      Pois é! Eu cheguei a pensar se colocaria ou não essa frase no texto. Mas ela poderia contar o filme. Estragando a surpresa de quem não viu.

      Vou listar sua sugestão.

      Beijão,

      Curtido por 1 pessoa

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