Vigaristas (The Brothers Bloom. 2008)

Vigaristas_posterThe Blues Brothers_Dan Aykroyd and John BelushiNão sei se já comecei com um pé atrás.. O lance maior foi que o título original – The Brothers Bloom -, agregado ao mote principal da trama – dois irmãos trapaceiros -, me fizeram lembrar de um filme que eu amo, e que aliás preciso rever. É o The Blues Brothers, ou como é conhecido no Brasil, Os Irmãos Cara de Pau. Ai, começa o filme, e… Lá estão os dois irmãos usando um traje parecido… Bem, se foi uma homenagem do Diretor… Tudo bem! Então, resolvi focar apenas nesse, Vigaristas. Até porque, eu diria que os Bloons seriam uma versão elegante do Blues. Algo como, enquanto um aprecia um Hot-dog na carrocinha da esquina… os dois outros preferem os prazeres gastronômicos que o dinheiro fornece.

Antes de entrar na história do filme, uma diquinha. A de não assistirem esse filme com sono, nem após um longo dia de trabalho. Porque é uma longa, longa, longa história. Contada num ritmo bem lento. Talvez até para reforçar o marasmo na vida de dois personagens. Assim, vencido a sonolência inicial… a história agrada.

The Brothers Bloom_Zachary Gordon and Max RecordsEm Vigaristas, primeiro ficamos conhecendo a infância dos dois. Órfãos, pulando de pais adotivos para outros. O que poderia ser um agravante para o caráter de ambos, mas não a causa. Pois no mais velho, a malandragem era nata. Como também seu posicionamento de líder. Creio que o carisma veio com o tempo. Anos de estrada, de observação. O caçula seria como um maria vai com as outras. Alguém que se deixava levar, pelo irmão. Dele, o que trazia de berço, era mesmo o romantismo. Amava o irmão. Mas o seguia mesmo por não ter muita força de vontade de escrever a sua própria vida. Preferindo ser o coadjuvante na vida do irmão. Esse, era o bon vivant!

The Brothers BloomSaindo da infância… Quem interpreta os Bloons são: Mark Ruffalo – que faz o irmão mais velho, o Stephen -, e o caçula, Bloom, por Adrien Brody. Se o nome não lhes é estranho, é porque ele foi o protagonista em ‘O Pianista’ Um filme que também quero rever.

Ao chegar aos trinta e cinco anos, num balanço de sua vida, Bloom cai numa crise existencial… Até que seria algo acertado, e para ambos. Bloom se não seguisse tanto o irmão, pelo temperamento, talvez já tivesse constituído uma família. Quem sabe até, tido um emprego decente. Mas havia algo mais que não o deixava cortar o cordão umbilical do irmão… Como uma dívida, e não de dinheiro.

Mas porque o irmão não o liberava dessa dívida? Por ser o parceiro ideal? O melhor pupilo? Alguém quem confiava de fato? Só haveria um jeito de deixar o irmão partir?

The Brothers Bloom_Bloom and StephenStephen era muito carismático. Confiante, usava e abusava do seu poder de sedução. Mas sabia que alguém de aparência tímida – meio que de alguém carente -, como a do seu irmão caçula, para seus golpes, era sempre uma carta na manga. Não poderia descartar… Inteligente. Sua imaginação fértil o levava a traçar todos os detalhes dos golpes. Há uma fala dele que me leva a responsabilizar também quem cai em contos do vigário. Não que eu esteja tirando a culpa de quem armou, de quem praticou. A frase é essa:

O golpe perfeito é quando todos os envolvidos recebem aquilo que queriam.”

Stephen é quem sempre deu às cartas. Sabe que se deixar Bloom seguir sua própria vida, o seu castelo de cartas desaba. Por outro lado, cuida dele como um pai carinhoso. Sente-se culpado de que numa ausência sua, Bloom passou por um mau pedaço. Sendo esse também um motivo de tê-lo próximo a si. Nesse episódio traumático para Bloom, ao defendê-lo, fora como assinar um atestado de morte.

Com a crise, Bloom pede a separação definitiva. Stephen então lhe pede para continuar por mais um golpe. O que lhes dariam uma bela aposentadoria. Mesmo contrariado… Será mesmo? …Bloom vai ver do que se trata. Viajam para os Estados Unidos. De um ponto estratégico, seu irmão, conta o plano já mostrando quem será a vítima.

The Brothers Bloom_Rachel WeizsEla é uma milionária, bela e jovem. Que passou infância e adolescência presa em seu castelo, por conta de um diagnóstico médico, errado. Super entediada. Uma princesinha sonhando com um príncipe, montado em seu cavalo, vindo resgatá-la. Que a levasse a mundo de aventuras. Como podem ver, uma vítima perfeita aos planos de Stephen. Mais uma a corroborar a sua frase tese. Penélope. Quem a interpreta é Rachel Weisz. E dá um show!

The Brothers Bloom_StephenMesmo assim, Stephen fica preocupado. Por ter notado que Bloom aceitou por ter ficado encantado por Penélope. Pois era até então, a primeira vítima mulher.  Para Stephen, aceitara até então, talvez por temer ver o irmão se apaixonando perdidamente pela vítima, e com isso, arruinando os planos. Mas para Bloom, esse trato veio como algo poético. Algo como: não trapacear com alguém frágil.

Frágil, a Penélope!? Eles não contavam com a astúcia dela. Bem, Bloom tinha presenciado quer ela era muito boa como baralho. Melhor até que o irmão. Porque ele não contou, ficamos na imaginação. Porque ver a cara do Stephen numa saída, reviravolta que ela deu num plano arquitetado por ele… É uma cena que vale a pena ver de novo!

Pois até então, era ele quem dava às cartas. E ela se mostrou tão astuciosa quanto ele. Ou teria sido por causa do dinheiro? Algo como – o dinheiro compra tudo. No caso dela, até a felicidade tão sonhada. Penélope tinha sede de aventuras. E agora tinha até um príncipe. De qualquer jeito, Stephen estava diante de uma forte candidata à liderança do grupo, e não sonhara com isso.

Gente! A cena de um orgasmo da personagem da Rachel Weisz é para ficar na história do cinema! E num Top Five. Eu amei!

The Brothers Bloom_Penelope and BloomTalvez para ganhar um tempo maior para ver se Bloom mudasse de idéia, e continuassem a parceria, ou até por querer que ficasse sob sua vigilância, pois apesar da idade e tamanho, Bloom mais parecia um menino indefeso… Foi que traçou como plano, uma caça à tesouros pelo mundo. Roubarem um objeto de valor ali, vendendo-o acolá… Por aí. Para Penélope soou como um acorde celestial. Para Stephen, era o som de muito dinheiro entrando.

The Brothers Bloom_Bang BangAntes de virarem um quarteto, já existia um Trio. Com uma personagem enigmática. Talvez por também gostar dessa vida de aventuras pratocinadas por golpes em alguém, foi que Bang Bang (Rinko Kikuchi) se uniu aos Bloons. Talvez para Stephen, mais que por ela ser uma perita em explosivos, tê-la por parceira, o deixaria imune ao amor.

The Brothers Bloom_Robbie ColtraneNa cola desses quatro, estava um Curador (Robbie Coltrane) de um Museu. Mais do tipo que preferia saber que uma obra de arte estaria melhor numa coleção particular. Claro que com parte dessa transação em seus bolsos. Assim, manter contato com os Bloons lhe rendia bastante dividendos.

Será que ganância demais desvirtua a atenção aos detalhes? Quanto à segurança pessoal… Como em acreditar que o outro não lhe passará a perna… Numa trupe de trapaceiros, como confiar plenamente no outro? E nesse filme, uma das tônicas são as reviravoltas nas armações.

The Brothers Bloom_Diamond DogTambém um outro personagem os acompanhará. Diamond Dog (Maximilian Schell). Alguém do passados dos Bloons. Do tipo: seu pior pesadelo está de volta! Mas se Bloon quis de fato fazer um balanço da sua vida até então, teria que enfrentar também isso. Até para tentar tirar uma ‘bagagem’ que não era bem-vinda num novo recomeço.

E o final… Bem, tentando não correr o risco de spoiler… digo que muitos não deveriam prender, manter alguém que se ama, a título de protegê-lo, por tanto tempo. Mais, diria à eles: Viva, e deixem os outros viverem!

O filme é bom! Mas daqueles que vale a pena ver em DVD, em casa. A trilha sonora é ótima! Houve química entre os atores. Às locações escolhidas, a mim, já deixou uma vontade de rever o filme. Enfim, ou por fim, eu recomendo ‘Vigaristas’.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

p.s: Mesmo com o tal Conselho de Ética do Senado atual, e com tantos outros conchaves nessa política, que nos deixa irritados, por um momento abstraia o lado politicamente correto para então curtir o filme.

Vigaristas (The Brothers Bloom). 2008. EUA. Direção e Roteiro: Rian Johnson. Elenco: Rachel Weisz (Penelope Stamp), Adrien Brody (Bloom), Mark Ruffalo (Stephen), Rinko Kikuchi (Bang Bang), Robbie Coltrane (The Curator), Maximilian Schell (Diamond Dog), +Cast. Gênero: Aventura, Comédia, Crime, Drama, Romance. Duração: 114 minutos.

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8 comentários em “Vigaristas (The Brothers Bloom. 2008)

  1. Eu assisti o filme no sábado passado, o filme é legal.
    chega num momento que o filme da tanta reviravolta que vc fica meio perdido sem saber no que vai dar, isso é legal porque ao ver sai do velhos clichês e fica afoito para saber no que vai dar.

    Parabéns pelo site.

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  2. Trata-se de uma vida bem contada… É emocionante ver que o Stepen, apesar dos golpes, preocupava-se com a felicidade de Bloom e na minha concepção o que ela queria era uma história bem contada para o irmão e isso ele mesmo tratava de fazer. A entrada de Penélope na trama foi perfeita, trouxe uma certa ingenuidade e ao mesmo tempo um desapego de coisas materiais, pois ela conseguiu tirar a personagem de uma linha fútil.
    Muito bom o filme.

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  3. MEU DEUS! Quanta bobagem! Esse filme é o melhor filme já escrito! Mistura ficção, realidade, encantamento, alegria, tristeza, esperança e cor na medida certa. É um daqueles filmes para se devorar! Há tantos símbolos que nem posso contar! Exemplo:1) “Inspirado em Golpe de Mestre, Os Picaretas (Dirty Rotten Scoundrels) e com várias referências ao grupo musical The Band, o roteiro também teria referências a Ulisses, de James Joyce, que por sua vez é sugerido pela Odisséia de Homero. Stephen é baseado em Stephen Daedalus, que aparece em dois livros de Joyce falando de vigaristas. Bloom é baseado em Leopold Bloom, que passa por Dublin pensando em voltar para sua mulher Penélope. Perdido com o original Ulisses.” 2) o nome do irmão mais velho é Stephen Bloom… mas o irmão mais novo é só Bloom!! Ele está tão sem identidade que nem primeiro nome tem! Há tantos simbolos filme afora que DEUS ME LIVRE… é uma overdose de figuras e referências.
    EU ACHEI ALUCINANTE.

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    • Hehe… Paixão por um certo filme, é assim mesmo. Eu mesma já defendi com entusiasmo alguns. Mas não a ponto de conclamar a minha versão como a única verdadeira.

      David, eu não sou leitora de Joyce, nem pretendo ser. Dai seria pedantismo meu, se focasse nessas referências que citou 😉

      Por outro lado, achei interessante o seu focar, dai querendo expor seu texto numa outra postagem, basta deixar um sim por aqui, que trocaremos os detallhes por email.

      Mesmo não aceitando, grata por deixar a sua impressão!
      Volte mais vezes!

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    • Ei David, talvez você possa me ajudar com uma coisa. Sabe se tem alguma referência cinematográfica no personagem do diamond dog? Eu sei que é uma música do Bowie, mas queria saber se tem alguma outra referência. Aliás, já que você falou de James Joyce, outro filme que tem uns traços de Ulisses é o Inside Llewyn Davis, dos irmãos Coen.

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