A Órfã (2009). Onde para cada acerto, 2 erros…

Por Rafael Lopes.
O cinema de terror já nos brindou com muita coisa boa. Obras Primas do cinema estão dentro desse gênero que tanto admiro e gosto. Mas de uns tempos pra cá, sem aquele tesão delicioso de conquistar fãs e sim encher cinema, os filmes de terror deram uma decaída monstruosa em qualidade. Vez ou outra aparece algo interessante e que realmente vale a pena, só que também, em proporção geométrica, me aparece ofensas que dão até raiva, ao invés de medo.

Jaume Collet-Serra deixa qualquer um duvidoso ao ver seus filmes. Ele primeiro aparece com “A Casa de Cera”, em 2005, que dispensa comentários. Mas conseguiu se redimir (ao menos comigo) com o divertido e eficiente “Gol II: Vivendo o Sonho”, em 2007. Com “A Órfã“, ele conseguiu ser bem mediano, mas nada que salvasse o filme do completo desastre.

Enquanto ele amadurece como diretor, a sua insistência em usar métodos medíocres e picaretas para conseguir a atenção do espectador compromete esse ponto quase positivo. Ainda bem que ele soube fazer uma ou outra coisa boa quando o assunto é drama (rendendo uma cena muito tocante no filme quando a mãe conta uma história para a filha que é deficiente auditiva), e é nas cenas mais dramáticas que o filme consegue mostrar certa qualidade.

Kate (a ótima Vera Farmiga) é uma mulher cheia de problemas. Ex dependente de álcool e que havia perdido uma filha de forma traumática, ela está se reerguendo aos poucos. Mesmo que pesadelos de sua ultima gravidez ainda aterrorizem sua vida. Casada com John (o péssimo Peter Sarsgaard), um designer pai coruja, e mãe de 2 filhos (Max, a filha deficiente e Daniel, o filho), ela sente que precisa doar o amor que daria para a filha que não nasceu, e depois de muito pensar, aposta na delicada decisão de adotar uma filha.

No orfanato conhecem a doce e amável Esther (Isabelle Fuhrman – que tem futuro no cinema), que em pouco tempo conquista a confiança de todos na família, mas aos poucos começa a cultivar a inveja e a desconfiança em todos, mas não contra ela, mas sim, uns contra os outros. Kate começa a perceber que Esther não é nenhuma santa, mas as suas tentativas de provar isso e tentar reparar o erro culmina na morte de pessoas, e a amável garota que conheceu no orfanato se mostra o diabo em pessoa.

orfã 1

Mas aí vem o melhor: a menina não é nenhum espírito ruim, não está possessa pelo tinhoso, não é nada disso que poderíamos esperar de um filme medíocre, mas sim algo até diferente, surpreso e acreditem inteligente. Só que ainda assim soa fantasioso, mas tudo culpa da produção do filme.

O clima de tensão é bom, mas cansa. As atuações são ruins, tirando Vera Farmiga, que segura as pontas e convence na maioria de suas cenas, exceto no fim, quando sua personagem ganha uma certa limitação e precisa virar uma super heroína, desvendando todo o mistério em menos de 5 minutos.

A pequena Isabelle Fuhrman também consegue se destacar. Ela também convence e tenho até a audácia de compará-la ao garoto Harvey Stephens que em 1976 fez minha espinha congelar com seu sorriso em A Profecia. Ela tem uma atuação tão convincente que fez toda a explicação de seu passado ser até plausível.

A parte técnica é esforçada. O melhor foi o pesadelo que abre o filme, transformando a sala de parto no pior lugar do mundo. Só que a adição de sustos pré fabricados, aquele efeito de “pessoa chegando perto” e todos os clichês possíveis que estão no manual “Como Fazer um Filme de Terror Ruim Nos Dias de Hoje” estão lá. O diretor tenta ser bom, mas a sua insistência nisso compromete o filme.

Em resumo, com todos os defeitos (que não são poucos), o filme tem para cada acerto, 2 erros. Contabilize isso em duas horas de duração e tenha a sua resposta.

Tinha tudo pra ser um bom filme, mas consegue ser mais um esquecível!

orfã 2

Nota: 2,0

Orphan, 2009
Direção: Jaume Collet-Serra.
Atores: Vera Farmiga , Peter Sarsgaard , Isabelle Fuhrman , CCH Pounder , Jimmy Bennett.
Duração: 02 hs 03 min

Anúncios

5 comentários em “A Órfã (2009). Onde para cada acerto, 2 erros…

  1. eu amei o filme,assisti na aula de neuropsiquiatria da minha sala..nossa foi o melhor filme da minha vida,ali relata fatos reais..por isso aquelas q tem a crarinha de anjo são a que devemos tomar cuidado!!!

    Curtir

Seu comentário é importante para nós! Participe! Ele nos inspiram, também!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s