O Homem do Tempo (The Weather Man)(2005)

Por: Pedro Moreira da Silva Neto.
O filme começa com a mesma intenção de dar fim a um sentido, de levá-lo ao resultado de ganho e perda. A miséria do pai, de uma posição tão importante cuja importância não mais importa. Não poderia ele mesmo ser o que quer que seja em referência a um mestre, um verdadeiro sábio que levasse algum caminho. A morte planejada, as desculpas de um fim de semana, o fim organizado não determina essa personalidade esperada que as imagens não mostram.

Não desejava ter visto o que vi. Não as exigências, a retenção de um segredo, parece a glória da ignorância, o lugar comum da suburbanidade em seu arquivo X. O que foi mais trágico, não o ridículo, mas a pouca mensagem de afeto ou a vazão equilibrada de um sentimento. O fato da estupidez da pata de camelo por exemplo não ajudam. A organização do filme não o leva a uma vitória, nem mesmo à perda. Não se constrói. Alguma verdade houvesse. O arco e a flecha de um arqueiro que não poderia chegar a uma conclusão a meio caminho.

Eles não se abraçam, não se tocam, não se ouvem e mesmo não se dissipam na expectativa de algo, mas o quê?

Eu explico, o roteiro incendeia a possibilidade de uma mensagem qualificada que não vem. Na verdade, transformar um ato tão evidente para o arqueiro não passa para a estrutura pensada do ocidental como banal. O casamento perdido também, o carro, a glória e o Hello America como coisa pequena e vinculada a um sentido de conquista que não resulta em nada senão em uma vida mais ou menos definida a caminho.

O tutor pedófilo, a casa muito evidenciada em sua plasmada ideia de um modo de vida estritamente americano deixa o filme como uma posição ridícula de ser o que não é, de parecer buscar um resultado que não subsidia absolutamente essa idéia de família conduzida, amada, com compras merecidas, de muito shop e bem estar.

O prêmio Pulitzer do pai não pega. Parece um nome indicado, uma coisa sem renome para prosseguir num argumento que morre a cada cena. Por fim as contradições de se manter distante, de filhos abandonados, de uma necessidade de cuidados que não se realizam.

O homem do tempo não dá tempo algum.

Depois da coisa jogada na cara, suco, tortas e outras mais não faz vazar a critica de uma sociedade de consumo ou que faça valer a posição medíocre de um jornalismo estancado no homem do tempo.

O mais triste é justamente o arco e a flecha que não chega ao alvo do meio caminho, de uma potencialização zen. Podia jogar futebol ou cricket, menos fazer flanar uma flecha em direção a um alvo ou alguma meta.

O discurso da agressividade sem controle, do sujeito controlado não estabiliza, fica aquele nó que não se desata. Não se cura, não se realiza e não se determina para uma ação realmente renovodora ou down, quer dizer baixa, informe e pobre. Nenhum e nem outro se validam.

Parece que o roteiro e as imagens teriam forças para nos levar a uma complexa vontade de se saber o não sabido: o tempo. A nos levar a conhecer uma trajetória de vida em sua reflexividade, e na sua consciência de humanidade desperdiçada. Que os ajustes da perda de um casamento que foi partido pudesse nos ensinar algo. O pai lhe diz para jogar no lixo o que não interessa. Que os adultos tem mais dificuldades e sabem disso para conseguirem um bem estar qualquer. Mas mesmo isso não parece suportar o recorte frágil de um filme que poderia ter sido e não foi.

A produção é de 2005 que sustenta o ator Nicolas Cage até o final num ritmo intenso.

Vale a imagem, a expectativa de futuro, a tensão de haver naqueles recortes uma condução possível para saber de um homem no tempo.

Por: Pedro Moreira da Silva Neto.  Blog: Crônica da Arte.

O Sol de Cada Manhã (The Weather Man). 2005. EUA. Direção: Gore Verbinski. Elenco: Nicolas Cage (David Spritz),Michael Caine(Robert Spritz),Hope Davis (Noreen),Gemmenne de la Peña (Shelly), Nicholas Hoult (Mike), Michael Rispoli (Russ), Gil Bellows (Don), Judith McConnell (Lauren), Dina Facklis (Andrea), Joe Bianchi (Paul). Gênero: Comédia, Drama. Duração: 102 minutos. Fotografia: Phedon Papamichael. Música: James S. Levine e Hans Zimmer.

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Um comentário em “O Homem do Tempo (The Weather Man)(2005)

  1. Trilha Sonora de ‘O Sol de cada manhã‘, assinada por Hans Zimmer:
    01. Grown-Up
    02. Dissapointed
    03. Monochrome
    04. Fate
    05. A Tragic Hero
    06. Love And Trust
    07. Every Day
    08. Existence
    09. Frustrations
    10. Depression
    11. It’s Too Late
    12. To New York City?
    13. Shely, My Daughter
    14. Noreen
    15. Health Problem
    16. Pling Plong
    17. My Farther
    18. Morning News
    19. A Little Effort
    20. Out Of Control
    21. To Get A Grip
    22. You Should Carry More
    23. Visions Of Spongebob
    24. Refreshing
    25. Robert King Spritzel
    26. Family
    27. I Can Get It Together
    28. Living Funeral
    29. Hot Apple Pie
    30. Melanchromy
    31. Trust
    32. Archery Lesson
    33. Tartar Sauce
    34. New York
    35. Mini Bar
    36. A Living Funeral
    37. Fast Food
    38. There’s Always Looking After
    39. Who Knows?
    40. Reduction
    41. Hello America

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