Amor Sem Escalas (Up In The Air. 2009)

O Diretor, e também Roteirista, Jason Reitman continua numa subida rumo ao topo dos Grandes Diretores da História do Cinema. Veio com ‘Obrigado Por Fumar‘, depois ‘Juno‘, nos brindando agora com ‘Up In The Air’. Os três filmes são ótimos! Até por trazerem críticas mordazes da sociedade atual. Por vezes, metendo o dedo na ferida. E que para mim, do melhor jeito: com um humor refinado.

O título dado no Brasil – Amor Sem Escalas -, foi péssimo. Até por deixar a impressão que se trata de uma Comédia Romântica. Mas não é! Tem Romance. Tem Comédia. Tem Drama. Mas tudo dentro do contexto.

O filme fala de escolhas.

De expectativas por elas. De ter a certeza de que fora a opção certa. Mas será que se tem de fato essa certeza? Mais! Quando o planejado não dá certo, o que fazer? Ficar, ou pegar outra rota? Ou até, ficar, mas tendo uma rota paralela, como válvula de escape?

Uma dessas escolhas, estaria em viver, morar sozinho.

Mesmo tendo família, há de se pesar o quanto vale a pena construir mais uma. Dando seguimento ao nome? Seria esse um forte motivo? Não teria outra forma de perpetuar seu sobrenome? Constituir uma nova família seria por opção, ou uma meta? Ou, porque é assim que tem que ser? Algo já estipulado pela sociedade. O ‘E foram felizes para sempre‘ existe de fato?

Enfim, o filme nos leva a várias reflexões, inclusive quanto ao significado do título original: Up In The Air. Para mim, seria algo como: ‘O céu é o limite!‘ Pelo fato do protagonista ter em mente uma meta… Mas também porque viver nas nuvens, o mantém em repouso para as suas tarefas mundanas. Ah! De vez em quando é muito bom a sensação de ‘Estar nas nuvens!‘ E qual seria o seu significado para o título original desse filme?

Ele é o personagem de George Clooney, Ryan Bingham. Que optou por viver sozinho. Ele tem no seu passado, algo que, se não justifica, pelo menos explica o porque de não querer criar raízes. Ele até tem duas irmãs, mas se não fosse por uma, mal saberia delas. Aliás, nem acompanhou o crescimento da irmã caçula. Voltando a vê-la ás vésperas do seu casamento. O que irá render ótimas cenas com o seu provável cunhado. Tudo por conta da sua feliz solteirice.

Ryan até tem um apartamento. Mas tem como lar, os aeroportos, os vôos, os hotéis onde se hospeda, os bares e restaurantes onde bebe seus drinks e faz sua refeições… Seu ‘Lar’ de fato cabe todo numa mala. Ali carrega os seus itens essenciais. E mais, que em nada atravancam sua rotina de vida. Mesmo viajando dentro do país, às revistas nos check-in, tendo muita bagagem lhe tomaria muito tempo. Aliás, as cenas nos aeroportos são divertidíssimas! Se para alguns, parecerão preconceituosas… o fato é que para quem viaja muito, e gosta de observar, tenderá a concordar com algumas. E no caso de Ryan, é fator primordial. Também no quesito: ganhar tempo. Ou melhor, em não desperdiçar tempo.

Por sua fidelidade numa certa companhia aérea, por suas milhas já conquistadas, ele consegue caminho livre – sem esperas em filas -, nos aeroportos, como também nas empresas conveniadas. Mas a sua grande meta, é entrar para um clube muito mais seleto ainda. E isso só conseguirá ao ultrapassar aos 10 milhões de milhas em vôos. Ai sim, ele ficará nas nuvens.

Acontece que, aparece alguém para atrapalhar seus planos de ‘vôos’. Seu chefe, Craig (Jason Bateman), compra a ideia de uma novata na empresa. A jovem Natalie (Anna Kendrick). Como todos recém formados, ela também acredita ter a ideia original. Natalie tem na internet a grande deixa para alavancar a firma. Como nessas fórmulas sempre constam corte nas despesas, os chefes acabam cedendo. Internet… Quem com ferro fere, com ferro será ferido

Ryan a põe em xeque diante do seu projeto. Inexperiente, e por conta do vacilo dela, Craig encarrega Ryan de ensinar-lhe como agir ante uma situação limítrofe. Embora aborrecido por ter que levá-la junto em suas viagens de trabalho, ele concorda. Pois com isso ganhará um tempo maior para alcançar o tão sonhado Cartão.

É nem só dinheiro que se transformou um cartão. Hoje, até um título de elite, também o é. Seria o cartão magnético o tapete voador das Mil e Uma Noites? Bem, como já bem disse o slogan de um… certos prazeres na vida, não tem preço.

Natalie ganha sua primeira aula no aeroporto. Pois se vai ter que viajar com ele, terá que se adequar. Tralhas demais, com o Ryan, nem pensar. Servindo de lições até para nós. Confesso que exagero um pouco no que coloco na mala. Numa de: posso precisar. Agora, aquela mala da Natalie, nem em sonho carregaria. Precisam ver. Ou seria, ouvir!?

Depois, suas lições recebidas são para ver que os métodos até então empregados na firma, e no caso por Ryan, não é nada jurássico. E por que? Porque eles lidam com um material humano, e num momento crítico. Tudo porque o que fazem é demitir pessoas. Trabalhadores que não mais serão necessários nas firmas onde trabalham. Porque a firma de Craig é contratada para fazer esse serviço que, como disse Ryan – um Chefe não teve culhões para fazê-lo. Natalie também ficará sabendo que o know how adquirido em tantos anos de trabalho, não se aprende nos bancos escolares.

Ryan também dá Palestras. Mais que de simples motivação, para que vejam que ‘bagagem’ demais, ‘pesa’ muito. Que o essencial basta. Mas ao longo do filme, ele será testado involuntariamente para saber que, ou quais, itens essenciais que realmente contam, ou contarão dali para frente. Que lhe bastam nessa jornada chamada vida. E quem lhe porá em xeque, é a pentelhinha. Ops! É a Natalie.

Entre uma escala e outra, uma mulher num bar lhe chama a atenção. Por quase meditar sobre um cartão em sua mão. De cartões, Ryan entende. Bem, sendo uma cantada ou não, é preciso que a outra parte também esteja afim. E ela estava. Ela é Alex (Vera Farmiga). Pausa para dizer que deu química essa dobradinha: Clooney e Farmiga. Alex se mostra uma mulher independente, até em romances passageiros, sem o menor vínculo. O que conquista ainda mais Ryan. A ponto de convidá-la para o acompanhar ao casamento da irmã. Inteligente e elegante, Alex tem ciência de seu fascínio. Mas que também traz um mistério…

‘Up In The Air’ é quase um homem posta à prova. Por o filme ser desse personagem – Ryan Bingham. Com algumas mulheres meio que contribuindo para esse check-in interior. Se ele vai decolar, ou ficar de vez em solo. E é um grande convite de irmos junto com ele. Agora… Sabe aqueles filmes que não faz muita diferença em se ver na Telona (Cinema) ou na telinha da TV? Mesmo tendo gostado muito dele? Para mim, esse é mais um deles. Assim, em tempo de grana curta… A escolha será sua, se irá aguardar em vê-lo pelo DVD, ou correr para o cinema. Afinal, George Clooney é um deus do Olimpo.

O filme também traz participações de peso. Ponto para o Diretor, um quase desconhecido antes de ‘Obrigado por Fumar’, de 2005! Alguns, participaram de seus outros filmes, como por exemplo: J.K. Simmons e Sam Elliot. Mas também tem um outro coadjuvante que está bem vivo em nossa memória: Zach Galifianakis (‘Se Beber, Não Case‘).

A trilha sonora é outro ponto alto. Como as tomadas vista do alto. Então é isso, ‘Amor Sem Escalas’ é imperdível.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Amor Sem Escalas (Up In The Air). 2009. EUA. Direção e Roteiro: Jason Reitman. +Cast. Gênero: Comédia, Drama, Romance. Duração: 109 minutos. Baseado em livro de Walter Kirn.
Curiosidade: Ganhou o Globo de Ouro 2010, de Roteiro.

Topo.

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18 comentários em “Amor Sem Escalas (Up In The Air. 2009)

  1. Trilha Sonora de ‘Amor Sem Escala:
    01. This Land Is Your Land
    02. Security Ballet – Rolfe Kent
    03. Goin’ Home – Dan Auerbach
    04. Taken at All – Crosby, Stills & Nash
    05. Angel in the Snow
    06. Help Yourself
    07. Genova – Charles Atlas
    08. Lost in Detroit – Rolfe Kent
    09. Thank You Lord – Roy Buchanan
    10. Be Yourself [1971 Demo] – Graham Nash
    11. Snow Before Us – Charles Atlas
    12. Up in the Air

    No site oficial poderão ouvir trechinho das músicas:
    http://www.theupintheairmovie.com/#/home

    —————————

    A American Airlines, os Hotéis Hilton e a Paramount Pictures lançam um concurso cultural sobre o filme “Amor sem Escalas” (Up in the Air).

    O objetivo das empresas organizadoras do concurso é oferecer aos expectadores do filme um pouco da experiência de Ryan Bingham, personagem de George Clooney, consultor cujo trabalho é viajar pelos Estados Unidos demitindo funcionários de empresas localizadas em todos os cantos do país.

    Para participar do concurso e concorrer a viagens é preciso acessar o hot site da promoção http://www.promocoesaa.com/amorsemescalas
    , cadastrar-se, assistir ao trailer e responder corretamente as três perguntas iniciais.

    O participante que acertar todas as questões será direcionado à pergunta final, cuja resposta deve conter as palavras-chave American Airlines, Hilton e Amor sem Escalas. As três respostas mais criativas serão selecionadas por uma banca formada por funcionários das empresas organizadoras.

    Confira os prêmios:
    – 1º Lugar: Viagem para Orlando. Passagem em classe executiva da American Airlines + 04 noites no recém-inaugurado hotel Hilton Orlando Bonnet Creek, a poucos minutos do Epcot Center, com direito a acompanhante*;
    – 2º Lugar: Viagem para Cancun. Passagem da American Airlines + acesso ao Admirals Club + 03 noites no Hilton Cancun Golf & Spa Resort em apartamento Superior com vista para o mar, com direito a acompanhante*;
    – 3º Lugar: Hospedagem no hotel Hilton São Paulo Morumbi. Diária em Suíte do Hilton São Paulo Morumbi, com café da manhã e jantar exclusivo no restaurante Canvas, com direito a acompanhante*.

    Você pode se cadastrar e responder as perguntas até o dia 22 de fevereiro de 2010.

    A divulgação dos vencedores ocorrerá dia 10 de Março.

    Termos e condições dos prêmios:* Todos estão sujeitos a disponibilidade e são válidos até 31 de dezembro de 2010. 1º lugar: válido para diárias em apartamento Deluxe. 2º lugar: passagem em classe econômica, acesso de um dia ao Admirals Club, hospedagem válida para diárias em apartamento Superior. 3º lugar: válido para diárias em apartamento tipo suíte obrigatoriamente no final de semana (sexta ou sábado), early check in e late check out e estacionamento incluso.

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  2. Oi Lella!
    Primeiro, Feliz 2010 para ti e que venham filmes maravilhosos!
    Assisti este filme no domingo e concordo contigo: escolhas, sempre elas, e dentre elas, também acho que quem quiser economizar pode esperar mais um pouco e assistir o filme em casa.

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  3. Oi Lella, tudo bem?

    Só não concordo com vc em uma coisa. Acho que esse filme merece sim ser visto no cinema. É um filme muito melhor do que Avatar, por exemplo. Acho que cinema não é só espetáculo. Gosto de ir ao cinema e sair emocionalmente e intelectualmente satisfeito. E Amor sem escalas me proporcionou isso. No mais sua critica foi ótima. Abrangendo todo o universo desse riquíssimo personagem que é Ryan Bingham.

    Bjs!

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    • Oi sumido!
      Ou, eu que estou sumida 😦 fiquei sem net desde domingo.

      Também gosto de sair emocionada e refletindo muito do Cinema. Mas a dica fica para quem – como eu 😀 – está com grana curta.

      Que bom que também gostou do filme!
      Beijo,

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    • boa tarde reinaldo….

      concordo plenamente contigo.esse é um daqueles filmes que nos fazem gostar cada vez mais de cinema…para mim uma obra de arte….as musicas,a fotografia….enfim,impecável e imperdível.

      gde abraço….

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  4. Achei o filme ótimo, assisti no ultimo domingo. Me surpreendeu, e fugiu de um final clichê de forma sensacional.

    🙂

    ps.: a forma de mandar msgs no novo ICQ é igual ao MSN. mas não vale a pena. 🙂

    beijo!

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  5. Oi,
    Eu assisti o filme com o meu irmão, a namorada dele, e dois amigos, na sala tinha umas 30 pessoas, e eu adorei o filme, mexeu comigo o filme, coisas reais sobre a dificuldade de ser despedido, sobre suicidio, um romance ótimo, mesmo que fiquei desepcionado cam a Alex por ter filhos e um marido, mas mesmo envelhecendo, ela continua linda e sensual. O que eu achei inacreditavel foi que muita gente saio no meio do filme, e no final sobrou umas 15 pessoas, eu fiquei ate assustado, um filme tambom e pessoas saindo, entre eu, meus amigos, meu irmão, e a namorada dele, somente eun adorei o filme, enquanto um dos meus amigos o chamou de bosta, mas para mim, a minha opinião é que vale. Ótima história com um bom final, não foi um final feliz, foi um final realista.
    Eu gostaria de parabenizar esse site por todo esse trabalho e uma sinopse, um resumo do filme ótimo, parabens!
    Abraços

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    • Oi Lucas!

      Grata, também por nos contar o que vivenciou no cinema!

      Em alguns fóruns, no Orkut, também teve mais que não gostaram desse filme.

      Mas filme, é assim mesmo: ou nos toca, ou não.

      Volte mais vezes 🙂
      Beijo,

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  6. Pingback: For Precious girls everywhere #review #cinema | A Vida Como A Vida Quer

  7. Gostei muito de UP IN THE AIR. Eh o melhor filme de Jason Reitman, que fez o interessante Thank U for smoking e o chatissimo JUNO. Aqui, ele fez um filme muito bem narrado, escrito e editado.

    Se tem de tudo no filme, a comedia forcada vindo de Kendrick ( nao a achei digna de ser indicacao ao Oscar por tal papel), o charme e o sarcasmo de Clooney, que no meu ve continua sendo GEORGE Clooney( nao entendi os elogios para a sua interpretacao, pois a cada filme, o vejo fazendo o mesmo tipo de ser humano! Acabou ganhando uma indicacao ao OSCAR na base do nome e da politicagem da academia), e Varmiga( linda e elegante, mas o que ela fez tbem para ser indicaca ao Oscar?)
    Bem, o drama vem dos atores sem nomes que aparecem em participacoes pequenas fazendo empregados ganhando o “LAID OFF”( o verbo phrasal mais usado nesse momento de crise aqui nos Estados Unidos!). O lado romantico vai no caminho de “500 (days) of Summer.” A quimica entre Varmiga e Clooney eh perfeita, mas Clooney apesar de lindo, nao eh um bom ator como o Joseph Gordon-Levitt, onde pude sentir o sofrimento e dilemas de nao conseguir a amada.

    Bem, “Up in the air” traz uma refleccao interessante sobre a realidade atual, e faz de tudo de bom muito bem estruturado. Isso graca ao roteiro PERFEITO, e a direcao primorosa de Reitman! O filme nao tem chances de levar o Oscar como melhor filme e director, mas sem duvida, Reitman fica com o premio de melhor roteiro adaptado!

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  8. Pingback: Up in the air #cinema #review | A Vida Como A Vida Quer

  9. Amei o filme…ate o ponto onde Alex coloca Ryan como um parentesis na vida dela…rsrs..Nos estamos acostumadas a sempre querer um “final feliz”… e qdo ele desiste de uma palestra para ir atras dela(Alex), achei que seria o caminho…mas, ainda assim achei que o filme valeu…Amo Clooney, e como sempre esta de parabens….bjs meninas…

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