O Solista (2009). Quem estaria ajudando quem?

Sensacional! Um filme que fala à nossa alma! Principalmente pela atuação desses dois: Robert Downey Jr. e Jamie Foxx. E até por conta deles, eu, que estava em dúvida por onde começaria o texto, me sinto como um Mestre de Cerimônia, honrada, em apresentar-lhes. Pedindo até aqueles que tenham algum preconceito em relação a esses dois atores que dispam dessa carga. Porque eles estão magistrais. Ambos encarnaram de corpo e alma seus personagens em ‘O Solista‘. Great!

O filme é baseado numa história real. Só isso já me motiva a ver. Mas o que me levou de fato a assistir foi para ver a atuação de Jamie Foxx. E fui recompensada com duas performances sublimes. Estou até repetitiva, mas é que eu amei esse filme. E o Robert Downey Jr. também me motiva a ver. Mais! Porque vê-lo atuando me leva a pensar que está se distanciando do mundo das drogas. Good!

Robert Downey Jr. interpreta Steve Lopez. Um jornalista dono de uma coluna diária, e na primeira página do LA Times. Ai, a princípio vem o óbvio: de que ele está sempre atrás de matérias. Numa mesmo de: precisar manter o emprego. E nessa, salvar o emprego de outros mais. Pois se a tiragem diminui, os acionistas irão chiar. Mais! Virão com um: ‘cortem as cabeças!

Uma pesquisa mostra que entre os americanos menores de 35 anos, só 40% ler jornal.’

É fala do filme. Eu a trouxe para que vejam que mesmo estando sempre em busca de estórias, quem escreve vive na corda bamba. Oscilando entre escrever um importante artigo, ou um que atraia leitores. Não se pode dizer que ele, o Steve, era pressionado. Além de já ter sido casado com a Editora Chefe do jornal, Mary (Catherine Keener), ele tinha leitores fãs. Gente que gostavam das suas estórias. Dessa união com Mary, tinham um filho que pouco se falavam.

Seria isso um fato de que Steve não tinha acesso aos mais jovens? Ou a sua ferramenta – mídia impressa – estaria ultrapassada?

Eu confesso que já não leio mais jornais como antigamente. Pagando pela internet, é nela que leio as notícias. Antes dela, mantinha o hábito de ler jornais desde a infância. No filme, uma enfermeira, bem jovem, diz ao Steve que o pai dela é que é fã dele, mas que ela não lê jornal. Dai ter ressaltado essa parte. Para tirar a ideia de que Steve fez o que fez somente por conta de aumentar a vendagem do jornal. Só por salvar vários colegas de serem demitidos, já seria louvável. Mas também nem foi pelo fato de que essa nova estória, quase em capítulos, tenha agradado o seu público cativo. Pode até ter sido por uma junção disso, a princípio. O lance é que nem Steve percebeu. Além de estar nascendo uma linda amizade, Steve conheceu sua própria essência.

Há algo maior lá fora. Ele vive nele. E ele está com ele.

É tocante quando se fala de religiosidade, sem falar dela, nem muito menos de religião. Quando não se fala na fé, mas a sente no âmago. O mundo carece dessa parada. Desse solo entre você e seu self. De parar e ouvir o que essa força está nos dizendo. E buscar no seu dom uma maneira de traduzir essa mensagem; essa sensação.

Nunca amei nada como ele ama a música.’

Sua ex esposa, Mary, se ressente ao ouvir Steve dizer isso. Me colocando no lugar dela… mesmo vendo o brilho nos olhos dele ao contar a sua experiência naquele dia… fica difícil entender em não ter sido assim tão importante para a pessoa amada. Por outro lado, há momentos solitários onde a sensação de êxtase é tão intensa, que fica difícil traduzir, que dirá comparar com outras emoções sentidas. Tem aquela que lhe muito íntima e pessoal. Não dá para pesar certas emoções. Steve recebeu uma graça junto a Nathaniel…

Bem-aventurados aqueles que são brandos e pacíficos… (São Mateus)’

Jamie Foxx interpreta Nathaniel Anthony Ayers. Um músico, morador de ruas que quis o destino que Steve o encontrasse. Ele tocava uma música de Stevie Wonder, num violino de duas cordas. Numa conversa meio doida, Steve vê ali mais uma estória para a sua coluna. Numa pesquisa, descobre que ele de fato cursou uma importante escola de música, a Juilliard. Mas por problemas mentais, não chegou a concluir.

Um homem só precisa daquilo que pode carregar.’

Nathaniel deixa Nova Iorque para trás, indo morar nas ruas de Los Angeles. Deixa o frio intenso, pelos dias ensolarados. Tendo um carrinho de mercado como casa portátil. Ali, carrega tudo que lhe é essencial. Mesmo sem entender o porque, deixa um pequeno acesso para que Steve se aproxime dele. Ele faz Steve cortar um dobrado… Ambos, possuem pesos diferentes para o que lhes é essencial…

Cante para expulsar o ódio!

Steve fica meio obcecado tentando ajudá-lo. Faz do violoncelo – que uma leitora enviou para o Nathaniel -, o objeto de troca: dele ir morar num abrigo para indigentes. É quando conhecemos um lado de Los Angeles não divulgado: uma zona onde a pobreza convive com a marginalidade. É de assustar! Tão diferente de onde tem as grandes mansões. O Prefeito, na frente de personalidades, diz que irá dar um jeito na pobreza que vive nas ruas de LA. Mas a solução encontrada… Limpeza na favela com policiais. Dados do filme, falam que há 90.000 sem-tetos nas ruas de LA. Alguém vê isso nas grandes mídias? Creio que só se pesquisar bem. Isso só dá manchete, se for de outro país.

Nathaniel termina cedendo. Vai até o abrigo. E dá um lindo solo para os que vivem ali. É de arrepiar! Quem disse que pobre não gosta dos Clássicos nunca viu o Projeto Aquarius. Mas ele não gosta dali. Steve então arruma um apartamento para ele. Dando de presente, um busto de Beethoven. A paixão de Nathaniel.

Nathaniel tem algo bom. Um amigo. Se você trai a amizade, destruirá a única coisa que ele tem no mundo.’

Depois, Steve pensa em interná-lo. Achando que com medicação, Nathaniel irá controlar a sua doença. Que sairá das ruas. Que concluirá os estudos. Que subirá ao palco. Steve acredita e investe nisso. É quando têm uma briga feia. Cortando a relação. Nathaniel tem medo das vozes que ouve, mas crê que precisa delas. Ele tem esquizofrenia. Isso não é a minha praia. Dai não sei se o fato de ter seu quarto num porão escuro, quando criança, já seria um sinal. Ele é como uma criança assustada. Steve, tenta ser como um pai zeloso, mas sem ao certo saber como agir.

Não pode consertar a cidade… E nunca vai curar Nathaniel. Só ser seu amigo e aparecer.’

Que bom que na vida de Nathaniel apareceu o Steve. Que esse, tinha na ex mulher uma amiga que aparece na hora certa… E bom também que Steve teve com Nathaniel, a chance de mudar… De reavaliar seus conceitos. E por que não? De dar mais tempo para si mesmo. Se abrirmos a nossa percepção o mundo se comunica conosco. Pois ele também pulsa a cada instante. Independe de estar são, ou não… É a vida nos chamando para vivê-la. A música, é mais um jeito dela chegar a nós.

Meus aplausos calorosos a Nathaniel e Steve! Bravo!

Nem precisa dizer que a Trilha Sonora também veio a somar para deixar esse filme na memória. Desse excelente filme! Não deixem de ver.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

O Solista (The Soloist). 2009. Reino Unido, EUA. Direção: Joe Wright. +Cast. Gênero: Biografia, Drama. Duração: 117 minutos. Baseado no livro de Steve Lopez.

Topo.

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5 comentários em “O Solista (2009). Quem estaria ajudando quem?

  1. Lella, que maravilha de artigo. Quero muito ver este filme, mas no cansaço físico que ando, minha alma derrete se eu assiti-lo agora!
    Também não leio mais jornais, embora adore esta leitura. Larguei porque um é mera repetição do outro e os profissionais são de duvidosa qualidade.
    Como você pesco na internet as notícias e assuntos do meu interesse e/ou curiosidade.
    Anotei mais este para assistir.
    Ótima semana!!!!!

    Curtido por 1 pessoa

  2. Oi Valéria, conheci seu blog hoje e estou gostando de suas abordagens. Ainda não tive tempo de ler com calma mais comentários, o que farei gradativamente. Convido-a a conhecer o bangalocult.blogspot.com
    Se gostar, acrescente-o na lista de seus favoritos. Farei o mesmo com o seu.
    Abçs

    Suyene

    Curtido por 1 pessoa

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