Um Sonho Possível (The Blind Side). 2009

Sendo baseado num caso real, já seria uma grande motivação para ver ‘Um Sonho Possível‘. Mas nesse em especial, houve um aditivo a mais: o fato da Sandra Bullock ter ganho o Oscar de Melhor Atriz. Dos filmes listados para essa final de 2010, só tinha visto até então, ‘Julie & Julia‘. E… Um Oscar por esse personagem? Bem, tentando entender o porque do prêmio… Ela conseguiu não ser a Sandra Bullock. Não mostrou as caretas tão delas. Em ‘Crash – No Limite‘ ela já havia mostrado que sabe fazer um Drama, não apenas Comédias Românticas. Mas nesse ficou um pouco travada. Como a seguir à risca um manual. Muito embora não tenha me levado a pensar durante o filme se outra atriz teria feito desse personagem memorável. O que eu já defino como uma boa atuação.

Mas seria porque a personagem ou mesma a estória do filme soasse como americana demais? Isso ficou ainda mais nos meus pensamentos quando no final do filme apareciam fotos dos reais personagens dessa estória enquanto subia os créditos. As deles num show de tv com platéia me fez pensar no personagem da Ellen Burstyn em ‘Réquiem para um Sonho‘. Há por lá essa cultura de mostrar na tv a Família… Bem, pelo menos a desse filme aqui tinha de fato algo a ser mostrado.

Aprendemos em criança que uma boa ação não deve ser propagandeada. Mas a desse filme não teria como passar despercebida. Uma família lourinha resolve adotar um jovem negro. Em plena Mississipi. Palco de grandes tragédias por conta do racismo. Sendo uma Família da Classe Alta da cidade o fato em si não passaria despercebido. Não naquele local. E indo além um pouco: o mundo carece de mais oportunidades aos menos favorecidos. Dai um feito desse deve sim ser mostrado para que motive outros mais a fazerem coisas assim. Até porque também lembrei dessa frase do filme ‘O Declínio do Império Americano‘ (Filme esse que quero rever, sendo que dessa vez junto com ‘As Invasões Bárbaras‘.):

A História não é uma ciência moral. A legalidade, a compaixão, a justiça são estranhas à História. Isso significa, por exemplo, que os negros da África do Sul estão destinados a vencer um dia, enquanto os negros americanos, provavelmente, não conseguirão.

Parece cruel, mas de fato para muitos faltam uma oportunidade. Por menor que seja. Por vezes a própria mãe precisa tomar uma decisão: em salvar a vida de um filho. Em dar a ele uma chance de crescer com dignidade. Há um filme comovente nesse tocante: ‘Um Herói do Nosso Tempo‘. Há também quem receba tantas oportunidades que termina por não dar valor a nenhuma. E ainda culpar as circunstâncias, por não sair do lugar. Por não ter um norte.

Assim há de se pensar também que deveria haver algo mais em comum entre quem dá essa chance e quem a recebe quando ela consegue germinar. De cara vem que há um coração puro de ambos os lados. E é que parece que temos aqui, não apenas entre os dois – Leigh (Sandra Bullock) e Michael (Quinton Aaron) -, mas de todos na Família Tuchy: o marido, Sean (Tim McGraw); a filha mais velha, Collins (Lilly Collins); e o caçula, S.J. (Jae Head).

Michael pelo porte físico não seria alguém que passa despercebido. Levado por um dos namorados da mãe até um Colégio do lado rico da cidade para que façam dele um atleta. Pela força física o técnico (Ray McKinnon) resolve aceitar. Tendo que enfrentar o corpo docente de lá. Só uma Professora, Miss Boswell (Kim Dickens), que tal qual Leigh também acreditou que Michael poderia sair-se bem nos estudos. Leigh contrata uma explicadora, Sue (Kathy Bates). Que tenta repetidas vezes encontrar um meio dele assimilar os estudos. Já que dependia também de notas para se diplomar.

Algo que gostei de ver: se de um lado várias instituições educacionais estavam interessadas apenas no atleta, um Professor de Literatura (Tom Nowicki) ainda queria saber se ele aprendera bem sua matéria. E numa interpretação de um texto, ele mostrou que aprendera sim. Até em mostrar que tinha sentimentos nobres.

O título original – The Blind Side -, refere-se a um posicionamento dentro do futebol americano. Pela importância de um jogador que terá que defender um companheiro de time mesmo sem ver qual é ou em onde ele está. Terá que estar em sintonia com ele para que ele consiga avançar. Aquele que não vê, definirá partida. Não entendo nada desse jogo. Mas o que fica seria em acreditar em si próprio que será capaz de fazer algo, e grande, mesmo não tendo todo o conhecimento sobre tal ato. É cada um fazendo a sua parte, aquilo que sabe fazer e bem, para o engrandecimento da equipe. Quiçá do mundo. É essa superação de Michael que nos é mostrada. Leigh mostrou a ele que ele também fazia parte daquela engrenagem.

Por outro lado, ‘The Blind Side‘ também pode significar que ele veio do lado feio da cidade. Da periferia desassistida. Onde pobreza e miséria se fazem presente. Onde o crime alicia muitos jovens. Um lado que o outro lado rico nem quer ver. E que se faz necessário pessoas como a personagem da Sandra Bullock dar uma oportunidade para que cresçam com dignidade. Para que tenha a chance de ter uma profissão. E por que não: que eles se sintam amado. Que fazem parte de uma família estruturada. Que saibam também como impor o limite com respeito.

O filme emociona! Há momentos engraçados principalmente na maioria das cenas de Michael com S.J. Aprende-se um pouco do Futebol Americano. A Trilha Sonora está bem integrada ao contexto. É um bom filme. Mas com gosto de Sessão da Tarde.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Um Sonho Possível (The Blind Side). 2009. EUA. Direção e Roteiro: John Lee Hancock. +Cast. Gênero: Biografia, Comédia, Drama, Esporte. Duração: 129 minutos. Baseado no livro ‘The Blind Side: Evolution of a Game’, de Michael Lewis.

CURIOSIDADE:
– Sandra Bullock levou o Oscar e o Globo de Ouro de Melhor Atriz em 2010.

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3 comentários em “Um Sonho Possível (The Blind Side). 2009

  1. Esse filme é o melhor filme dos tempos,eu assistir na sala de aula , é muito bom , no final eu chorei , é um filme muito emocionante !!!

    Michael é uma pessoa que lutava para um dia ser alguém no mundo e ele conseguiu graças a leigh…

    O melhor filme que eu assistir esses tempos!
    Eu recomendo.

    bjs *_*

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