O Que Resta do Tempo (The Time That Remains. 2009)

Pode existir um filme muito chato que também é muito bom?
Acho que é o caso deste último filme de Elia Suleiman – “O que resta do tempo”. A inevitável comparação com Jacques Tati e Buster Keaton justifica-se pela melancolia de um humor silencioso e sutil que economiza nas palavras e abunda em sugestões ainda que aqueles diretores trabalhassem com argumentos bem mais ingênuos.

O tema aqui é triste: A eterna invasão da Palestina representada pela cidade de Nazaré vista em vários períodos, todos repletos de violência e barbárie.

No entanto, Elia consegue extrair uma graça bizarra daquele conflito infinito numa narrativa incômoda e sem linearidade filmada com rara sensibilidade e competência pontuada de momentos geniais.

Mas é um filme difícil e infelizmente o diretor conseguiu fazer um filme desagradável de ver porque a maioria da plateia suspira aliviada quando se ouve o adequado hit de Bee Gees “Stayin’alive” (irreconhecível remixado por YAS) musicando os créditos finais selando uma irreversível desesperança. Como é uma obra política, talvez seja esta a intenção.

Carlos Henry

O Que Resta do Tempo (The Time That Remains). 2009. Reino Unido. Direção e Roteiro: Elia Suleiman. Elenco:  Elia Suleiman (ES), Ali Suliman (Amigo da Eliza), Saleh Bakri (Fuad), Samar Tanus (Mãe), Shafika Bajjali (Mãe – 80 anos), Zuhair Abu Hanna (ES, criança), Amer Hlehe (Anis), Lotuf Neusser (Abu Elias), Tareq Qobti (Vizinho), Yasmine Haj (Nadia), Ziyad Bakri (Jamal), +Cast. Gênero: Drama, Guerra. Duração: 109 minutos.

Curiosidade: Versão ficcional de quatro episódios que marcaram a família do diretor desde 1948. Inspirado pelos diários de seu pai, combatente da resistência palestina, e pelas cartas de sua mãe aos familiares expatriados, ele reconstitui o cotidiano dos chamados árabes-israelenses a partir do momento em que escolheram permanecer em sua terra natal e passaram a viver como minoria. Memórias íntimas que se confundem com a história coletiva de um país em desaparecimento.

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2 comentários em “O Que Resta do Tempo (The Time That Remains. 2009)

  1. Eu saí do cinema sem uma opinião. Parece muito bom, mas colocaram legendas brancas em fundos brancos, quase não deu para ler. Vou ter que assistir de novo, mas acredito que goste, faz bem o meu estilo de filme.

    Adorei o post sobre Pecado da Carne!

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