Campeão (Swimming Upstream. 2003). E tudo o que ele queria era o amor daquele pai…

Passando pela banca de Dvds em promoções… meus olhos bateram logo nesse nome: Geoffrey Rush. Depois, o de Judy Davis parecia familiar. Ao ler a sinopse, gostei. E sendo baseado numa estória real, era o que faltava para comprar ‘Campeão’ (Swimming Upstream). Fora uma ótima compra! É daqueles filmes que deixam uma vontade de rever mais vezes.

A frase do início foi o que motivou a estória de um jovem. E já desde a tenra infância. Não é um desejo tão raro assim. Em muitos lares há alguém ansiando ser amado por um dos pais. Por vezes, após uma terapia, ou com mais idade, passa a aceitar que aquele pai, ou mãe, nunca será como ele deseja. Mais! Mesmo com uma cicatriz na alma, compreende que é uma limitação dele(a). O filho preterido então segue em frente o seu caminho…

Mas por que um pai não ama um dos filhos?

Mesmo como a mãe dessa estória, exaurida por tentar mostrar a ele que teria todos os motivos para ser orgulhar desse filho. Numa cena que emociona, ela pergunta-lhe: ‘_Mas o que ele te fez?’ E é isso que fica na cabecinha da criança, o que ele teria feito de errado. Somente, muito mais tarde, é que descobre que o motivo está nesse pai.

Entrando no filme, e começando pelo título. Uma tradução para o título original, seria: ‘Nadando contra a correnteza‘… O dado no Brasil, entrega o filme. Mesmo assim, relevem. Pois é um drama familiar de nos prender a atenção. Até em procurar entender a personalidade de pelo menos cinco, dos sete membros dessa família: dos pais e três dos cinco irmãos. Onde o pai é o grande vilão, pois fez de tudo para desunir a família. E por que?

O filme se passa em Brisbane, Austrália. No início da década de 50. Recessão… Calor intenso… Alcoolismo por parte do pai. E suas mudanças bruscas de humor, chegando a ser violento… Não conseguem tirar a amizade, carinho entre quatro dos irmãos, mas mais tarde ele conseguirá. Com uma mãe tentando frear os impulsos do marido, tentando manter a união e o amor entre todos. Vou começar a traçar um 3×4 dos personagens, por ela.

Dora (Judy Davis) é a mãe amorosa, conciliadora, enérgica na defesa do filho preterido pelo pai, uma dona de casa exemplar, e além de amar os filhos, amava também o marido… Nem dá para julgá-la em ter feito o que fez… pela data da estória… porque uma separação matrimonial, com cinco filhos menores teria que ter muito tutano para tal feito. Mas afinal, por amor suporta-se apanhar do marido? Ou ficaria uma esperança de que um dia ele mudaria de atitude? De única amiga, Billie (Deborah Kennedy), uma vizinha que só ia até lá quando o marido não estava. Judy Davis continua linda! É tão bom ver uma atriz atuando de cara limpa, sem maquilagem, sem medo de envelhecer. E sua Dora é merecedora de aplausos.

Agora o pai, Harold (Geoffrey Rush), onde desde o início a atenção fica em querer saber porque ele não amava o filho. Ao longo do filme, vamos descobrindo que ele trazia um passado lastimável. Por aquilo que é dito. Por aquilo que fica nas entrelinhas. Agora, se ele pudesse canalizar toda a raiva, toda a mágoa trazida da sua infância, queimar essa energia presa dentro de si, em algum esporte, por exemplo, ai sim teria iniciado uma nova estória com a mulher e os filhos. Mas em vez de quebrar aquele círculo vicioso, ele alimentava ainda mais com o álcool. Uma herança maldita? Sim. Mas que ele poderia ter abdicado dela. Em vez disso, além de prejudicar sua família, estava passando para um dos filhos…

Pessoas como ele, não merecem ter filhos. Mas como para purgar o passado, os tem.

Harold, no fundo não aceitava que o filho, não apenas era alguém amoroso demais, mas por ter uma cabeça maravilhosa que não o deixava cair. Harold era uma triste figura de alguém derrotado. Logo, ansiava por filhos vigorosos, verdadeiros campeões. Que os levariam a brilharem por ele. Vou voltar a falar de Harold, mais abaixo.

Quem nos conta essa estória, é Tony (Jesse Spencer – o Dr. Chase, do seriado Dr. House). Tony conta todo o seu drama, desde a infância. Queria muito que o pai o amasse. Mas as atenções de Harold estavam voltadas para outro filho, por achar que esse outro seria um grande jogador de futebol. Paralelo a isso, Tony se divertia com os irmãos menores numa piscina pública. Com o desenrolar do filme descobrimos que uma maldade do pai fizera Tony aprender a nadar. Mas por sua trajetória na natação, o talento nato viera à superfície. Mas até o pai “descobrir” isso, ele e seus irmãos nadavam por diversão. Há uma cena de Tony numa tentativa de obter o amor do pai… ao fundo ouvindo ‘Adagio for Strings’… ficou difícil segurar as lágrimas.

Harold Junior (David Hoflin) era o irmão a quem parecia que o pai gostava muito. Mas no fundo sabia que se não sobressair-se no Futebol, também seria preterido. No início do filme, chega a dar raiva do que ele faz com os irmãos. Principalmente com o Tony. Com o avançar da estória, o sentimento passa a ser de pena. Era a má influência do pai. Era também o querer ter o amor daquele pai. Numa cena dele, com o Tony, dá um aperto no coração. Com ambos já crescidos.

Tony tinha como companheiro de natação, seu irmão John (Tim Draxl). Até as competições entre si, eram prazeirosas para ambos. Além de que havia entre eles uma linda amizade. Mas que o pai conseguiu destruir quando descobriu que eles eram excelentes nadadores. Acontece que Tony só descobriu depois que o seu talento era noutra modalidade. Mas até chegar ai, o pai jogou todas as fichas em John. Fez mais! Incentivou a rivalidade na cabeça de John. O que me levou a pensar que ele tinha um pouco da personalidade do pai. Primeiro, que se deixou influenciar. Depois, já crescido, não aceitou a amizade do irmão de volta. Algo que o irmão mais velho fez.

Sei que me estendi demais, contando até detalhes do filme. mas como falei no início, esse filme deixa uma vontade de rever. Porque o drama desses irmãos é muito denso. Triste, por vir do próprio pai, os conflitos. Que nos leva a várias reflexões.

Há nessa família, mais um casal de irmãos. A única irmã dos cinco, Diana (Brittany Byrnes), também é muito amorosa. O diferencial, é que não tem que brigar pelo amor do pai. Mesmo tendo, o que ela quer é a volta do tempo onde eram felizes nadando. E é com as trocas de cartas com o Tony que surge a ideia de que a estória pode virar um filme. É Tony que diz que têm um Roteiro em mãos.  Queria exorcizar de vez os velhos fantasmas.

Comprando o Dvd, ou locando, não deixem de ver. O filme é ótimo! Claro que para quem gosta desse tipo de enredo.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Campeão (Swimming Upstream). 2003. Austrália. Direção: Russell Mulcahy. Gênero: Biografia, Drama, Esporte. Duração: 102 minutos. Baseado numa estória real.

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