Meu Malvado Favorito (Despicable Me. 2010)

Não faço parte da corrente de que o meio influencia negativamente uma pessoa. A Lei da Ação e Reação dependerá da essência. A resposta dela até pode levá-la por um tempo a cometer mal feitos, mas seu interior fica quase a clamar por uma mão amiga que o faça mudar de vida, de lado.

Em ‘Meu Malvado Favorito‘ temos dois exemplos de reações contrárias ao meio. De um lado, Gru, o malvado em questão. Do outro lado, três menininhas órfãs: Margo, Edith e Agnes.

Ao longo do filme em flashback temos um pouco da infância de Gru. Uma criança que clamava pela atenção, carinho, elogio da indiferente mãe. Essa, muito mais preocupada com as manchetes das Revistas e das Tvs. Naquela época a Corrida Espacial era um dos assuntos em evidência. Com isso os astronautas tornavam-se os heróis de algumas crianças, e Gru uma delas. Gru se não conseguiu chamar a atenção da mãe sendo um bom garoto cresceu como um cara fechado para o mundo. Sendo que as maldades feitas na fase adulta não passavam de maus feitos de um meninão. Ser motivo de orgulho para a sua mãe ainda era forte em si. Só deixaria de dar tanta importância a isso quando finalmente amadurecesse de fato. Gru passou por essa transformação em algo inesperado.

Ainda por esses flashback – creio que o autor ao colocar um ritmo musical do momento preferiu a Bossa Nova -. Gru ouve “Garota de Ipanema”. Não deixou de ser uma bela homenagem, mas poderiam ter escolhido outra música mais apropriada com o contexto da estória. A menos que fizeram isso para não dar um caráter homossexual ao personagem. O que estaria errado. Primeiro, que paternidade/maternidade independe de sexo. Depois, é sempre benvindo o ato de adotar alguém pela quantidade de crianças abandonadas.

Gru nas suas tentativas frustradas de mostrar que era um grande vilão, como também de mostrar a mãe que estaria numa grande manchete, tenta pedir um empréstimo a um certo banqueiro. Enquanto espera a sua vez é importunado por um jovem nerd: Vector. Gru quer a grana para criar uma arma que lança um raio encolhedor. Como não consegue o dinheiro rouba uma de outros cientistas. E Vector depois rouba dele.

Vector é fissurado pelo mundo marinho. Sem sofrer tanto por uma rejeição paterna/materna como Gru, ele quer mais é brincar de ser um menino mau. De se isolar do mundo em seu QG com tudo que a tecnologia pode lhe dar em conforto, segurança, e como não poderia deixar de ser, muita, mais muita diversão.

Diferente de Gru que se cercou de vários serezinhos, Vector prefere ficar sozinho. Para Gru os amarelinhos eram mais que servos diante de um rei. Eram como uma grande platéia ovacionando um grande astro.

Carência, rejeição, solidão, são os principais temas dessa estória. Mas não vivenciadas apenas por esses dois vilões. As três órfãs também o sentem. E como já vacinadas por conta da malvada dona do orfanato, eles dois serão fichinhas para elas. Com um porém, é que elas não sabem do caráter criminoso deles.

E como elas – Margo, Edith e Agnes – entram no meio dessa contenda? Desses dois mostrarem ao mundo quem é o grande vilão.

Tudo começa por acaso. Após várias tentativas de entrar no QG do Vector, Gru vê que elas tem passe livre. Por serem obrigadas a venderem biscoitos, e mais, por terem uma cota diária a ser vencida, as três são persistentes. Vector como uma criança grande quer mesmo é comer os biscoitos. Não fica freguês por caridade, mas sim por comodidade. A princípio, pareceu que era por ter companhia de pessoas no eu QG, mas com o desenrolar, isso não foi adiante. Eu teria gostado mais que assim fosse. Até pelo teor da estória – adoção. Mesmo porque elas não se veriam diante do impasse de ter que escolher por um pai entre os dois já que Vector ainda era bem infantil para isso.

Gru então se candidata para ser o pai delas. Trapaceia na ficha para conseguir levá-las logo para a sua casa. Consegue. E ai varíamos do riso a emoção com esse quarteto: Gru, Margo, Edith e Agnes. Eles conquistam o nosso coração. Contar mais é tirar o prazer de ver o desenrolar dessa bela e divertida estória de adoção. Mas que fica também a reflexão: quem adotou quem?

Não deixem de ver. O filme é muito bom. E nem faz diferença em ver sem o 3D. Pois só irá perceber que vem com essa tecnologia com as cenas já na subida dos crédito, no final do filme.

Por: Valéria Miguez (LELLA)

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