Este Filme Ainda Não Foi Classificado (This Film Is Not Yet Rated. 2006)

Assisti por um canal a cabo. E não dá para ficar sem comentar esse Documentário: Esse Filme Ainda Não Foi Classificado. O tema é por demais interessante: Censura e Censores. Sendo que Mercado e Educadores também entram no contexto.

Após um tempo que passei a me dedicar a escrever sobre Filmes foi que voltei a prestar atenção se ele seria adequado ou não a uma faixa etária. Até por me perguntarem se tal filme poderia ser visto com filhos menores de idade. Lá no passado a minha preocupação maior era se eu poderia assistir ou não. Isso já faz um bom tempo, onde havia duas opções para mim ver um filme: Cinema ou Televisão. Bem antes mesmo das fitas em VHS.

Assistindo a esse documentário pude perceber que não houve grandes diferenças entre o que censuravam no passado e o que censuram atualmente. Um exemplo do passado: Por conta de mostrar pelos pubianos de um ator, numa cena bem rápida, o filme fora censurado para menores de 14 anos. Eu e umas amigas tivemos que convencer o gerente para nos deixar assistir. É! O primeiro nu masculino numa tela ficou memorável. Talvez pelo esforço em não perder o filme. Agora um exemplo do próprio Documentário: a atriz Maria Bello conta que o filme ‘The Cooler’ (2003) foi proibido para menores de 17 anos porque apareceram seus pelos pubianos numa cena.

Se no passado do nosso país era a Ditadura Militar o Órgão Censor, atualmente a uma diversidade maior. Mas com o advento de portabilizar os filmes – VHS, DVD, Internet… -, o acesso a filmes “proibitivos” cresceu. Mesmo não se tratando de uma infração para quem assiste, mas onerando muito mais para quem deixa os menores de idade assistirem, vemos nesse Documentário que muitos filmes ainda passam por cortes para adequarem o seu conteúdo ao público menor de idade, e só então receberem o aval para serem lançados. Quando não, mesmo após o lançamento ainda sofrerão em verem seus filmes editados.

Sempre fico intrigada quando assistindo filmes pela televisão vêem com isso: “Esse filme foi editado para adequar o seu conteúdo a esse horário.” Pois me pego a pensar em qual cena foi retirada. E se uma reprise do mesmo após um horário adequado, as tais cenas voltariam. Esse lance de horário, e nos canais de televisão, é também uma baita censura para o Autor de Séries, Novelas… Dependendo do horário que o programa será exibido, ele terá que adequar o texto. Já ouviu uma explanação sobre esse tema num Evento com o autor de Malhação ID.

Como podem ver há cerceamento para Cinema e Televisão. Não sei quais são os critérios para Teatro.

 O pensamento oscila para um lado e para outro. De um, seria se colocariam também uma tanga cobrindo os órgãos genitais das Obras de Artes, das estátuas, nos Museus em certos horários. Mas brincadeiras à parte, quando a nossa preocupação são de fato as crianças – e me refiro até a pré-adolescência -, claro que a Classificação Indicativa se faz necessário.

Vendo esse Documentário confesso que pensei em Michael Moore. Se tivesse sido realizado por ele, creio que o tema teria sido mais abrangente, indo também a outros países, com mais detalhes. Mas o Diretor Kirk Dick conseguiu nos dá uma amostragem bem interessante de como é feita essa Classificação Indicativa lá, nos Estados Unidos. Onde usam esses códigos: G, PG, PG-13, R e NC-17. Procurando pelos significados, encontrei esses:
G: Censura Livre.
PG: Conteúdo com menor grau de violência, insinuações de linguagem grosseira e ausência de temas adultos, recomendável para crianças maiores de 9 anos.
PG-13: Não recomendável para menores de treze anos por conter alguma violência, linguagem levemente grosseira, e sugestão de temas adultos. Cenas leves.
R: Não recomendável para menores de quinze anos por conter cenas de violência, linguagem grosseira e temas adultos leves. Cenas estilo médio.
NC-17: Não recomendável para menores de dezessete anos por conter cenas de descrição explicita de violência, uso liberado de forte linguagem grosseira, e temas adultos tratados de modo detalhado e explícito. Cenas fortes.

Não descarto a importância de se saber a hora certa de uma criança ver certos fatos da vida. Quando se é adulto já passamos por tantos problemas, por tantas cenas reais… que deixar que vivam mais tempo da infância – a época da inocência -, é bem salutar.

Agora, quem seriam os responsáveis por fazer essa classificação por faixa etária lá nos Estatos Unidos?

Lá, é feita por uma organização única: a MPAA (Associação de Filmes da América). Cujos Membros não podem aparecer, por força de um contrato. São bem arbitrários em suas deliberações. Se algum Diretor, ou Produtor, entra em contato para reclamar, é até aconselhado a não prosseguir. Pois numa instância maior, serão membros da própria MPAA que irão julgar. Tantas as produções hollywoodianas, como as produções independentes, recebem igual tratamento. O que à primeira vista pareceria fator não discriminatório, mas com os caminhos que ambos têem na veiculização, torna-se algo discriminatório sim.

Produções independentes não são transmitidas em muitas Salas de Cinema. Por vezes, nem atingem cidades do interior. Aqui no Brasil, até mesmo um Diretor como Woody Allen, nem em subúrbios das capitais, passam seus filmes. O Documentário não entrou em maiores detalhes no porque de um filme que recebe o – NC-17 -, ficar queimado. Eu presumi que então só poderia ser exibido em poucas Salas. Me peguei a pensar no filme ‘O Caçador de Pipas‘. Pois a versão do livro para o filme adequou a estória para atingir um público muito mais jovem. Só não sei se foi por livre arbítrio do Diretor, ou imposição da MPAA.

Kevin Smith reclama de uma censura restritiva ao seu ‘Menina dos Olhos‘, por conta da personagem da Liv Tyler dizer que se masturba. Para a MPAA deve ser algo inaceitável. Tanto é, que uma das retrições feita ao ‘Meninos Não Choram’ foi por causa de um orgasmo da personagem feminina – muito prolongado na visão deles, quem conta é Kimberly Peirce. Há também a declaração de um membro de uma ONG contra a violência feminina que não entende como a MPAA deixa passar cenas onde a mulher é estuprada, arrastada, violentada… mas ficam incomodados quando não há violência num ato sexual de uma mulher, por exemplo.

O Diretor Kirk Dick contrata duas Detetives para que descubram quem são os membros da MPAA. Elas descobrem. Mas depoimentos mesmo, só de ex-membros. Pelos Estatutos do Ógão Censor, um dos critérios é que deveriam ter filhos menores de idade. Mas pelo que o que investigaram, muitos têm filhos maiores de idade. Seria o alto salário que os prenderiam a esse trabalho? Padre e Pastor também fazem parte do plantel. Por um ex-membro, foi dito que eles não teriam poder de voto. Mas sabe se lá se eles não influenciam a quem pode votar.

O Documentário também aborda uma diferenciação para filmes com teor homossexual. Onde filmes muito violentos recebem uma classificação mais branda que os com temática sexual. O Diretor Darren Aronofsky também fala da censura a seus filmes.

Enfim, fica a recomendação para que assistam. Não faltará temas para um debate, até em Salas de Aulas. Eu até veria outra vez, mesmo ficando a desejar. E essa turminha do MPAA não me sairá mais da mente.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Este Filme Ainda Não Foi Classificado (This Film Is Not Yet Rated) 2006. EUA / Reino Unido. Direção e Roteiro: Kirk Dick. Gênero: Documentário. Duração: 97 minutos.

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3 comentários em “Este Filme Ainda Não Foi Classificado (This Film Is Not Yet Rated. 2006)

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