O Inferno de Henri-Georges Clouzot (2009)

Serge Bromberg e Ruxandra Medrea decidiram fazer um documentário sobre a obra inacabada de Clouzot: “L’Enfer” assim que tiveram acesso a cerca de treze horas de filmagem através da viúva do diretor.

O projeto delirante e caríssimo envolvia estrelas do porte de Romy Schneider (Sissi) no auge de sua beleza e ousadias visuais nunca antes experimentadas. A ação do roteiro original de Clouzot se passava na região de Cantal no centro-sul da França tendo como cenário um suntuoso hotel à beira de um lago. Serge Reggiani fazia par romântico com Romy. As cenas reais da conturbada relação foram rodadas em preto e branco e os delírios causados pelo ciúme doentio do homem em colorido feérico.

O documentário acaba por resultar num fiasco em parte por não se aprofundar nos bastidores da filmagem e por outro lado por deixar o espectador frustrado diante de uma obra-prima despedaçada. Os depoimentos são desinteressantes, inconclusivos e repetitivos até o momento da inesperada morte de Clouzot que aborta o projeto.

No entanto, é valido, exclusivamente para os amantes do cinema, para assistir às cenas preciosas nunca antes vistas como a impressionante sequencia de Romy mudando de expressão somente pelo movimento da luz, além de muitas outras imagens caleidoscópicas e com testes inéditos mirabolantes de cor e maquiagem.

Melhor teria sido utilizar o enorme material encontrado e tentar montar um novo filme com os novos recursos digitais disponíveis e com base no roteiro palidamente aproveitado por Claude Chabrol em 1994 (Ciúme – O inferno do amor possessivo).

Carlos Henry

O Inferno de Henri-Georges Clouzot (L’enfer d’Henri-Georges Clouzot). 2009. França. Direção: Serge Bromberg (Roteiro) e Ruxandra Medrea. Elenco: . Documentário. Duração: 102 minutos.

Curiosidade: Em 1964, Clouzot começou a filmar O INFERNO, uma produção financiada por americanos [COLUMBIA], de quem recebeu carta-branca, com um orçamento astronômico. Contaria a história de um gerente de hotel de Provence [Serge Reggiani], de mais de 40 anos, que se casa com uma deusa de 26, Romy Schneider, e passa a desenvolver um ciúme doentio. O hotel enche de turistas a fim de curtir as férias diante do lago. Marido e mulher trabalham para entreter os hóspedes.
O diretor se prepara durante meses para filmar seu grande clássico. São 3 equipes de filmagem, que captam cada cena, depois de 4 meses de ensaios, testes e invenções de traquitanas. Um dos câmeras era COSTA GAVRAS.
Convocou artistas plásticos para criarem efeitos óticos. Era a pop art dando seus primeiros passos. Decidiu criar uma obra que fugisse da linguagem tradicional. A trama ajudava, já que os delírios do marido ciumento poderiam levar à tela imagens distorcidas. O filme seria em preto e branco. Os delírios, coloridos. Na era pré-computador, pintavam os atores de azul.
No entanto, depois de 3 semanas de filmagens delirantes, a produção foi interrompida. CLOUZOT, diretor, roteirista e produtor, sofria um surto psicológico.
Filmava e refilmava as cenas diversas vezes, em dias alternados. O filme não andava. A equipe se desgastava. Levava os atores e a equipe à exaustão. Acordava-os de madrugada para discutir o filme. Até o ator abandonar a produção, e CLOUZOT enfartar e morrer. As imagens ficaram guardadas num depósito por mais de 40 anos.
Recuperam e contam a história do filme interrompido.

Site do autor da caricatura de Henri-Georges Clouzot: http://www.nalair.fr/

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