A Última Estação (The Last Station. 2009)


Todos pensam em mudar o mundo, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo.” (Tolstoi)

Se não fosse pelos personagens retratados aqui, eu poderia dizer que num resumo o filme ‘A Última Estação‘ aborda: partilha de bens. Onde de um lado se encontra a Família, tendo a frente, a esposa. E do outro, o Secretário-mor do Movimento de Resistência Passiva. No centro disso tudo, alguém em idade bem avançada querendo morrer em paz com a sua consciência. Devoto ao amor que nutre pela esposa, mas também às suas ideias lançadas, fica difícil tomar uma decisão final: quem ficará com a posse de seus bens: uma mansão, o título de nobreza – Conde -, e os direitos autorais de seus Livros. Sem esquecer que essa história se passa em 1910, numa Rússia dos Czares. Que faz parte da História Universal.

E quem seria essa figura histórica?

Em ‘A Última Estação‘ temos os últimos meses de vida, ou melhor, da vida do notável escritor russo: Leon Tolstoi. Numa grande interpretação de Christopher Plummer. Muito embora enquanto eu assistia pensasse que esse seria um papel para Anthony Quinn. Para logo em seguida me trazer de volta a atuação de Plummer. Que com certeza será um divisor de águas em sua carreira. Seu Leon fez brotar lágrimas em sua despedida a Yasnaya Polyana. Meus aplausos ao Plummer!

Sua esposa, a Condessa Sofya, é interpretada pela brilhante Helen Mirren. Antes de falar dessa atriz e da sua atuação quero falar da Língua do Filme: a Inglesa. Uma história pode ser contada em diversas formas: escrita, falada, por sinais, por um desenho… Um jeito de se perpetuar. Como também em usar uma outra língua para se contar a história de um outro povo. Até ai, eu assino embaixo. Acontece que em algumas cenas, a Condessa Sofya da Mirren me fazia lembrar da sua Rainha Elizabeth. O que me fez querer, e muito, que o filme usasse a Língua Russa. Teria adorado ouvir os embates do Leon e da Sofya em russo. Mesmo tendo que ler as legendas, essa história merecia ter sido contada na língua natal dos personagens. Não que a Mirren não tivesse atuado bem. Pelo contrário! Ela me levou às lágrimas, no finalzinho do filme.

Lá no início, citei o secretário-mor. Ele é Vladimir Chertkov. Quem o interpreta é Paul Giamatti. Sempre que penso em Giamatti, de pronto lembro de sua brilhante atuação em Sideways. Seu Chertkov conseguiu se desvincular dessa sua outra atuação. Mas… Posso não saber diferenciar um russo, ou até ter uma visão estereotipada desse povo já que nunca conheci um russo, agora, para mim o Chertkov do Giamatti parecia americano demais. Sobre o personagem em si, Chertkov tinha uma alma política. Para o Movimento Tolstoiano ser levado adiante precisava alguém com essa visão, já que o próprio Tolstoi era um romântico por natureza.

Enquanto Tolstoi vivia em sua imensa propriedade – Yasnaya Polyana -, Chertkov preferia mesmo ficar no escritório. Longe da Comunidade criada pelo Movimento – Telyatinki. Um local onde todos trabalhavam igualmente, sem distinção de Classes Sociais. Nela vivia Masha (Kerry Condon), uma personagem que fará uma revolução na vida de um outro personagem. Revolução essa, que no fundo segue a filosofia maior do criador do movimento: o amor.

Chertkov, impedido por lei de se afastar do escritório, resolve contratar um dos Tolstoianos letrados para ser o secretário particular de Tolstoi. Quem passa no teste é o jovem Valentin Bulgakov. Interpretado por James McAvoy. Que por sinal, atuou muito bem. Um jovem que seguia à risca os ensinamentos do Movimento. Até o Celibato. Algo meio desvirtuado por Vladimir. Se Tolstoi pregava o amor, a castidade não era bem-vinda. Mas por timidez, Valentin fazia dela a sua armadura. Masha o trará de volta a uma vida fora dos livros, mais real. Mas será o amor de Leon por Sofia que o conduzirá ao caminho.

É no coração do homem que reside o princípio e o fim de todas as coisas.” (Tolstoi)

Leon meio que adota Valentin. Vendo nele alguém de ideias e ideais nobres, e até próprio. A princípio, Sofya vê em Valentin uma ponte para saber se Leon faria um novo Testamento, mas depois também se encanta com a ternura e a inteligência dele. Se ele tivesse entrado na vida de Tolstoi a mais tempo, poderia ter sido um aliado para uma volta de Tolstoi as suas estórias ficcionais. Por seu cavalheirismo, pelo amor fraternal aos dois – Leon e Sofya -, Valentin só desprende desses laços, nessa última estação. Testamento esse que para Vladimir seria necessário para continuar com o Movimento. Dai também querer ter Valentin como uma ponte, mas para ficar a par da influência da Condessa ao marido.

Há quem passe pelo bosque e só veja lenha para a fogueira.” (Tolstoi)

O título dessa estória – a última estação – é belíssimo! Faz parte do contexto. Mas também nos leva a viajar com ela, até a essa estação final… Até as locações, são puro romantismo. Lindas! Me fez querer ler o Livro, de Jay Parini, o qual o filme foi baseado. O filme é longo. Merece ser visto sem pressa. Ele até entrou para a minha lista de voltar a ver de novo mais tarde. Não recomendo aos que gostam dos bem comerciais. Recomendo sim, aos que gostam não apenas do escritor, Tolstoi, mas também aos que gostam da matéria História. Será mais um incentivo aos adolescentes a gostarem de leituras. Tomara que Professores levem ‘A Última Estação‘ para a Sala de Aula. É um ótimo filme.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

A Última Estação (The Last Station). 2009. Alemanha / Inglaterra. Direção e Roteiro: Michael Hoffman. Elenco: Helen Mirren (Sofya Tolstoy), Christopher Plummer (Leo Tolstoy), Paul Giamatti (Vladimir Chertkov), James McAvoy (Valentin Bulgakov), Kerry Condon (Masha), Anne-Marie Duff (Sasha Tolstoy). Gênero: Drama. Duração: 112 minutos. Baseado em livro de Jay Parini.

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9 comentários em “A Última Estação (The Last Station. 2009)

  1. Brilhante leitura, LELLA!
    Gostei bastante desse filme, e concordo contigo ao destacar o fato do filme nao ter sido “falado” em Russo! Mas a Mirren eh tao boa atriz que acho q nao havevia uma atriz Russa a sua altura, para dar veracidade ao personagem SOFHIA como ela deu!

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    • Rogério, então somos os dois românticos, ao sentir falta da língua russa 🙂

      E sim, também não pensei em outra atriz nas cenas com a Mirren.

      A questão é, se atores latinos aprendem o inglês, um filme com esse conteúdo histórico, mereceria ao menos que tentassem falar em russo.

      Curtido por 1 pessoa

  2. Ótima dica! O filme passou despercebido por mim… Logo eu, que adoro literatura russa, fiquei a ver nuvens…!

    Não vi o filme, mas o título refere-se ao fim de sua vida, que se deu numa locomotiva? Tudo indica que sim…

    Só para constar, Tostoí, enquanto vivo, chegou a ser a maior celebridade do mundo, famoso nos quatro cantos. Esta fama lhe trazia problemas, visto que constratava com a vida simples que ele pregava.

    Por isto era comum ele andar no meio da multidão – mesmo que sua esposa o reprovasse por isto.

    Além disto Tolstói enfrentou a igreja dizendo que Deus estava dentro de cada um, e não nas instituições de fé.

    Se quiserem saber um pouco mais deste grande russo, há alguns anos eu escrevi um post bacana:

    http://www.evenancio.com/2009/05/leon-tolstoi.html

    Até

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  3. Estrelado por Helen Mirren Christopher Plummer Paul Giamatti Anne-Marie Duff Kerry Condon e James Mcavoy sob a direcao de Michael Hoffman trata-se de uma historia de amor complexa ora engracada ora emotiva. Apos quase 50 anos e casamento a Condessa Sofia esposa e musa de Leo Tolstoi ve seu mundo girar de pernas para o ar. Segundo o documento modificado os direitos autorais das obras do romancista passariam para o povo russo. Obcecado com as nocoes do amor ideal de Tolstoi Valentim sente-se desesperado para lidar com as complicacoes do amor no mundo real. A Ultima Estacao e um conto sobre dois romances um que esta comecando e outro que esta terminando.

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