Notas Sobre um Escândalo (Notes on a Scandal. 2006)

Confesso que relutei um pouco a ver esse filme. Talvez pelo cansaço em ver em muitos a propagação de mais que estereótipos, o de acharem que uma homossexual é uma mulher recalcada, e o que é pior, quando veem que é por falta de uma…. com licença da palavra: piroca. Afe! Ainda mais quando isso sai do reino da ficção e vem para o mundo real e atual. Já que existem países onde a homossexualidade é crime. Ou até como ocorre na África do Sul com a aberração humana com o tal do “estupro corretivo“. Enfim, venci esse meu cansaço-pré-conceito e…

Fiquei aliviada em ver que o filme não veio com o chavão de mulher mal amada que por conta disso ficou homossexual. Muito embora há quem só se encontre numa relação homo, como pode ser visto em “Banquete de Amor“. Só que esse não é bem o caso da personagem de Judi Dench, a Bárbara. “Notas Sobre um Escândalo” até traz uma personagem homossexual, mas é de alguém que necessita, e muito, ter alguém aos seus pés… De um tipo de plateia particular, e submissa. E isso independe da sexualidade de uma pessoa. Tem a ver com algum tipo de sociopatia. Mas essa não é a minha praia, muito embora sempre fica como fonte de pesquisa em distúrbio comportamental.

Nessa personagem nem se trata apenas de um ciúme doentio, nem muito menos de medo da solidão, é mais. Aqui é sim de alguém vampirizando a outra. Até que essa sua vítima consiga sair por si só dessa teia. Fazendo-a escolher uma nova vítima.

Logo no início do filme há um caminho a nos guiar num quebra-cabeça psicológico. Em ir traçando o perfil de Bárbara. A primeira peça dele é de alguém que não quer que o sistema mude. Mudança para ela vem como fazer uso do lado lógico do cérebro. Pois esses, são mais difíceis de se controlar. Deixa de ser uma marionete.

Bárbara é uma Professora já perto da aposentadoria. Sem ter feito amigos pela vida lhe vem o medo de nem mais ter os seus dias preenchido com a balbúrdia dos alunos. Se fosse apenas o medo da solidão, poderia aproveitar os dias livres para pequenas ou longas viagens. Conhecer pessoas, lugares, culturas, comidas… Ou até escrever um romance ficcional. Já que gostava de escrever pequenas anotações como páginas de um Diário.

Então, Bárbara precisa de uma nova presa. Algo para se ocupar nos dias que virão. E lhe vem como um presente: uma professora novata e com problemas pessoais. Como também, alguém cheia de ideia para mudar um esquema educacional, que eu não o veria como falido, mas sim como acomodado. Assim, essa “estrangeira” lhe vem como uma presa fácil. Ela é Sheba (Cate Blanchet).

Sheba é alguém sedenta de amor. Casada com um homem mais velho, em vez de sair dessa união, acaba se envolvendo com um aluno bem mais jovem. Alguém que se sente a tentar mudar toda uma estrutura acomodada no campo profissional, deveria primeiro fazê-lo no pessoal. Essa contradição na vida que leva vem como uma peça chave para traçar o perfil de Sheba. Em fazer o quanto de uma personalidade como a dela vai de encontro a uma como a de Bárbara. Mais! Se haveria nela, intimamente, a igual necessidade de ter alguém a seus pés. Levando a crer, que os iguais também se atraem.

Sheba, a princípio, vê em Bárbara uma amiga em quem se pode confiar, e até sentir nela um olhar de mãe. Mas isso não fazia parte dos planos de Bárbara. Assim, vamos acompanhando essa caça-ao-ratinho, ver até onde vai esse gato, como também o que fará esse ratinho para se livrar disso, tendo certeza de que será um escândalo não de notinhas, mas sim de uma manchete.

Não deixem de ver! O filme é muito bom!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Notas Sobre um Escândalo (Notes on a Scandal). 2006. Reino Unido. Direção: Richard Eyre. Roteiro: Patrick Marber (Closer – Perto Demais). +Elenco. Gênero: Drama, Romance, Thriller. Duração: 92 minutos. Baseado no livro homônimo de Zoe Heller.

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4 comentários em “Notas Sobre um Escândalo (Notes on a Scandal. 2006)

  1. Gostei demais desse filme! A atuacao de Dench chegou a me assustar. Ja me deparei nesse vida com muitas mulheres como a personagem dela( e homens tbem!).

    A Cate eh sempre tbem maravilhosa, mas e a trilha sonora de P. Glass eh um espetaculo a parte!

    Uma otima leitura!!! Gostei muito, e tbem entendo o seu ponto de vista sobre os esteriotipos destacado na sociedade e no cinema!

    XXXOOO

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  2. Bem lembrado, a Trilha Sonora é um coadjuvante de peso.

    Eu que amo música, por vezes tenho deixado de complementar as resenhas com as Trilhas Sonoras.

    Nessa, foi a pressa em publicar, e em seguida ir estudar Html para imagens ao lado da outra, mas com espaçamento. Para algo bem trabalhoso, mais que dará ao blog um destaque maior 🙂 Surpresa.

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  3. Nossa, amei esse filme, é um dos meus favoritos!
    Ele tem uma história diferente, não se trata de apenas homossexualismo, é algo muito mais profundo!

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