Um Plano Simples (A Simple Plan. 1998)

um-plano-simples_1998_capaDecidi assisti a todos os filmes de Sam Raimi; não que eu pense que se trate de um diretor excepcional, mas tem algo nele que eu gosto: ele não faz do cinema um momento de contos de fadas (o final desse filme deixa claro a que me refiro). O quanto de metáfora isso possa significar, a saber. De saída, um filme que se pretende simples já demonstra ser complicado. Porém, nem por isso o diretor precisa complicar as coisas. Neste sentido, Sam Raimi está de parabéns. Não dificultou o contexto e nem coloriu com fantasias todo o plano, ou melhor, o longa. Aliás, as cores do filme são duas: o branco da neve e o preto dos corvos. No entanto, não é por isso que o filme não se apresenta colorido.

O branco da neve é uma constância nos 121 minutos de longa-metragem. Cenário gélido, relações gélidas. Tudo é muito gelado no filme. Tanto a relação de Hank Mitchell (Bill Paxton) com seu irmão Jacob Mitchell (Billy Bob Thornton, de Vida Bandida), quanto sua relação com sua esposa grávida Sarah Mitchell (Bridget Fonda) são congelantes, mesmo quando os ímpetos violentos comparecem. Na verdade, Hank Mitchell é o branco da neve (não confundir com Branca de Neve 😛 ).

um-plano-simples_1998_01Em contrapartida, há de se lembrar do preto dos corvos. O corvo já foi fonte de inspiração para Edgar Allan Poe, e é preciso reconhecer que o escritor não se engana em eleger como sua musa esse pássaro que anuncia a morte; afinal, “é apenas uma visita que pede entrada na porta” (…). No filme, o corvo não é tão facilmente identificável. Tende-se a pensar que são as pessoas mortas ou as mortes que batem na porta de entrada; mas, a morte, ou melhor, o corvo, isto é, o preto dos corvos, é o dinheiro.

Aqui é necessário rebobinar a fita e falar um pouco do que se trata o filme: Hank, Jacob e Lou (Brent Briscoe), em uma reserva florestal, encontram um avião abandonado, piloto morto e uma sacola contendo 4,4 milhões de dólares. Ou seja, 4,4 milhões de “problemas” em uma sacola. O corvo à espreita sabe que os três, por maior que seja a deliberação, vão decidir ficar com o dinheiro. Pois se 4,4 milhões é sinônimo de problemas, então é sinônimo de soluções, também. O que pesa mais: problemas ou soluções? Eis o plano simples proposto por Hank Mitchell, o branco da neve, “quando a neve passar, a primavera chegar e ninguém reclamar da falta do dinheiro, então o dividiremos em três partes iguais. Até lá a soma ficará comigo”, não é literal, mas a ideia é essa. A partir desse momento, o branco e o preto se misturam. E a raposa? Bom, esta já capturou sua parte há muito tempo.

Por: Deusa Circe.

Um Plano Simples – A Simple Plan

Direção: Sam Raimi

Gênero: Drama, Suspense

EUA – 1998

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