Caminho da Liberdade (The Way Back. 2010)

Os convido para uma longa e emocionante jornada em busca da liberdade. De poder vivenciá-la dentro dos seus próprios ideais. Por um grupo de prisioneiros que ousaram afrontar um governo tirano. Essa história começa em naquela que veio a ser a 2ª Grande Guerra. E para um deles, essa caminhada só findará décadas depois. A jornada é longa sim, mas que nos deixa atentos até o final.

Pontos altos:

Meus primeiros aplausos irão para o Diretor: Peter Weis. Para alguém que tem no currículo o filme “Gallipoli“, já carimba o meu passaporte para assistir outras obras suas. Ainda mais um com relatos de guerras. Em “Caminho da Liberdade” Weis se baseou em memórias de quem sobreviveu, e quis contar. Assim é também uma vibrante aula de Geopolítica. Mais! Quando se ver o nome da National Geographic nos créditos iniciais já se pode esperar por paisagens de tirar o fôlego.

Com o filme também temos uma aula interessante de História. Até em mostrar como sobreviviam os prisioneiros nos Gulags. Como barreiras: invernos rigorosos da Sibéria, fome, trabalhos forçados, guardiões desumanos. Eram etapas diárias a serem vencidas para permanecerem vivos, sonhando com a libertação. E em caso de tentarem uma fuga, teriam que escapar da população local, pois essas receberiam recompensas por suas cabeças. Para os Gulags, basicamente iam dois tipos de sentenciados: os contrários ao regime político e os profissionais do crime: ladrões, assassinos. Inocentes ou culpados, não tinham a quem apelar. Então, só ficava a alternativa de sobreviverem também nessa guerra lá dentro.

Era o alicerce da União Soviética se formando. Precisava de prisioneiros para o trabalho sem remuneração, como também para intimidar quem fosse contrário ao Comunismo. Assim, tendo a Sibéria como escolha do local da prisão, era como já estar com o pé-na-cova.

A temática principal: um grupo de prisioneiros fogem de um Gulag, e do Comunismo.

A própria localização dessas prisões já se tornava um grande desafio para uma segunda etapa de uma fuga. Porque a primeira era a motivação que os levariam a saírem dali. Nesse ponto, e sem demérito nenhum a esse filme, eu lembrei de uma cena de um outro, de o “O Sol da Meia-noite“. De quanto cada um conseguirá se libertar da sua própria prisão. De não mais se acomodar àquela situação. De qual seria o tamanho da sua liberdade?

De onde então segue agora meus aplausos para as performances dos atores. Em destaque: os prisioneiros.

Inicio com Jim Sturgess. Quem o viu em “Quebrando a Banca”(21), e o vê nesse aqui, no mínimo exclamará um “Uau!”. O cara cresceu também como ator! Não sei se nesse caso os aplausos vão quase na totalidade para o Diretor que o conduziu nesse soberbo voo. Seu Janusz o deixou um outro homem. Não dá para comparar. O que carimba de vez o seu passaporte para o time dos grandes atores. Bravo!

Para uma fuga se faz necessário buscar por uma saída mais facilitada. O que quase sempre vem de alguém com mais tempo ali. É quando Janusz é notado pelo personagem de Mark Strong. Esse fora condenado por interpretar um aristocrata; que para o Regime era enaltecer a antiga nobreza. Numa espécie de tour, ele dá a Janusz um raio-X do local. Meio que o adota-o como um aprendiz.

Janusz se cai nas boas graças de um, o mesmo não acontece de pronto com o personagem de Ed Harris. Mas o que pode ser visto como um cara sem coração, mais tarde verá que fora uma primeira aula de sobrevivência. Ele faz um engenheiro americano, Sr. Smith. Pode até ser lugar comum elogiar a atuação de Ed Harris, mas não dá para não aplaudi-lo também nesse filme.

Contrário de Janusz, temos o personagem de Colin Farrell. Um escroque. Pavio-curto. Frio ao extremo. Muito ladino, pressente que um grupo está planejando escapar. Seu salvo-conduto para ser aceito é que é o único a possuir uma faca.

A Fuga!

Quantos irão? Num grupo bem heterogêneo, o talento de cada um também pesará. Além é claro, da resistência física. Mas um jovem quase cego, Kazik, clama ao amigo que também o leve. Andrei, que sobrevivia ali desenhando, sem contar aos demais, leva o rapaz. Com eles seguem mais dois. Decidem fugir numa noite de tempestade, em pleno Outono. Para que a neve encubra os rastros, dificultando também a perseguição dos cães.

No meio desse caminho, aparece uma jovem, Irena. Irão relutar em levá-la, por temer que ela os retardará. Mas Irena mostra que até uma fragilidade também pode ser mais um instrumento que ajudará nessa fuga. Ela é a personagem de Saoirse Ronan. Outra atriz rumando para o topo.

O Destino!

Planejam seguir pelo sul até o Lago Baikal. De lá tentariam cruzar a Transiberiana com destino a Mongólia. Mal sabendo eles que o Regime Comunista também chegara até ali. Guiando-se mais pelo instinto de sobrevivência, esse grupo irão descobrir o quanto de força interior têm de reserva.

Cenas que emocionam:

– a baixa de se pensar na frase “Tão longe, tão perto!
– a de quem ultrapassou todos os limites das suas forças.
– a de quem a redenção lhe deu novas forças.
– a cena final.

Pontos negativos: não há. Talvez porque não atrairá um grande público sedentos dos filmes bem comerciais. Fica então uma esperança de ser levado à Sala de Aula. Para que mais gente assistam a esse filme.

Fotografia, Maquiagem, Figurino irretocáveis também. Enfim, um excelente filme! De querer rever.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Caminho da Liberdade (The Way Back). 2010. EUA. Direção e Roteiro: Peter Weir. +Elenco. Gênero: Aventura, Drama. Duração: 133 minutos.

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2 comentários em “Caminho da Liberdade (The Way Back. 2010)

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