O Homem ao Lado (El Hombre de al Lado. 2009)

O filme é muito bom! Mas ao término dele fiquei pensando se nas mãos de um outro Diretor teria ficado memorável. De exclamar um “Uau!”. Até por conta do final que então fecharia com chave de ouro. A história por si só é ótima: uma invasão de privacidade não tão moderna assim. Já que a quebra da intimidade de uma família se deve pela proximidade de uma janela aberta na casa vizinha. Somado a isso, e então posicionando o filme numa atualidade, o fato de se ter uma legislação que proíbe a abertura da tal janela. Com a aglomeração populacional, com a proximidade entre os prédios, houve necessidade dessa legislação mais específica para tentar assegurar os limites físicos de cada unidade.

Quando se trata de uma unidade de um único pavimento um muro mais alto é uma solução. Mas a partir de um segundo andar, uma cortina, ou mesmo um toldo na janela cria uma barreira, não deixando o interior do imóvel tão devassado. Agora, quando se tem várias paredes de vidro e numa casa com mais de um pavimento, complica. Uma casa assim pediria um terreno em torno que a deixasse livre pelo menos do alcance do olhar humano.

O filme “O Homem ao Lado” partiu de uma casa real para criar a história na ficção. O que leva a algumas reflexões.

Uma delas seria que posicionamento leva uma família a morar num prédio assim. Mais! Com a parte real há a importância até histórica da tal casa. Pois se trata da Casa Curutchet – a única na América Latina projetada pelo famoso arquiteto Le Corbusier. Fazendo dela também um ponto turístico na cidade argentina de La Plata. No ficcional, toda a fachada deixa o interior de parte da casa devassada aos olhares dos que param na calçada para admirar, ou até estudar a arquitetura da casa. Deixando os cômodos do meio para o fundo livre dessa invasão. Que não é tão invasão assim, vejo mais como uma exposição dos moradores. De minha parte, eu gosto de uma parede de vidro, mas voltada para um jardim interno, ou mesmo que para uma bela paisagem do exterior desde que não haja um outro prédio no meio dessa visão. No filme, o prédio vizinho infringiu também a lei pelo fato de ter subido uma das paredes já no muro divisório. Mesmo não tendo explicação, um furo maior recairá na história do vizinho que abre a janela. Falo dele mais adiante. Ressalto que o que deixava os moradores livres de olhares indiscretos, nos outros cômodos da casa seria a certeza de que tinham nos fundos, os fundos desse prédio vizinho.

Mesmo partindo de um terreno inapropriado para uma casa envidraçada, a história dá como desculpa que quem foi morar nela é um arquiteto. Denotando alguém que não colocaria o fato dessa exposição sobrepujando a importância da obra arquitetônica. Sendo ele um designer, morar na Casa Curutchet o deixaria com muita evidência, até internacionalmente. Ele é Leonardo (Rafael Spreguelburd), um designer industrial que ganhou fama internacional com o projeto de uma cadeira.

Mas Leonardo passa por um bloqueio criativo. Pressionado profissionalmente, pelo atraso, acaba descontando sem querer na própria família, e em seus alunos. A esposa reclama de mais intimidade. Com a filha adolescente ele não consegue dialogar. Com os alunos, cobra por mais criatividade, enquanto ele mesmo se encontra sem nenhuma. E é assim que a pendenga com o vizinho, Victor (Daniel Aráoz) lhe pega: desnudando o seu interior também.

Victor abre a janela para que entre luz em sua sala. Um cara bem tosco, mas que não esconde o seu jeito de ser. Leonardo já é o contrário. Dinheiro, fama, só o deixou com uma camada de verniz. No fundo, é tão bronco como o outro. Tudo fachada!

O início do filme é brilhante! O final é de deixar sem palavras… Mas como falei no início faltou algo. Talvez se enxugassem um pouquinho, pois teve momentos que me fez querer ter um controle para avançar com o filme por ter dado um tédio. Não sei também se porque não houve química entre os dois atores: Rafael Spreguelburd e Daniel Aráoz. Por conta disso não me deixou vontade de rever. Mas vale a pena ver.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

O Homem ao Lado (El Hombre de al Lado. 2009). Argentina. Direção: Mariano Cohn, Gastón Duprat. Atores: Rafael Spreguelburd, Daniel Aráoz, Ruben Guzman, Eugenia Alonso. Duração: 110 minutos. Gênero: Drama.

Anúncios

Seu comentário é importante para nós! Participe! Ele nos inspiram, também!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s