Tudo Ficará Bem (Alting bliver godt igen. 2010)

História de mais, em roteiro de menos?

Fiquei meio sobre impacto ao término do filme. Com uma sensação de ter “cochilado” durante a projeção. Mas aconteceu justamente o contrário. O thriller prende a atenção o tempo todo. Então me veio a pergunta acima. História tinha sim, bastante. Mas faltou tudo ficar amarradinho.

Se não, vejamos! O cara é um viajandão! Claro que para quem escreve dar asas a imaginação é mais do que produtivo. Acontece que esse do filme, Jacob Falk (Jens Albinus), se encontra em meio a um bloqueio criativo. De não conseguir colocar em texto, toda a sua história. Mais! O Produtor está no seu pé. Seu prazo limite está se esgotando. Ele tem até uma maquete do cenário. Tem os atores. Tem já toda a equipe de iluminação… Todos, tudo esperando pelas Falas, pelo Roteiro. Meio que “8 1/2”, de Fellini. Então Jacob ao se deparar com umas fotos, coloca toda as suas energias nelas.

Pediram a ele que fizesse um filme de guerra que pesasse na alma. O que me fez lembrar de “Gallipoli“. Mas quando o filme traz esse assunto, levanta alguns pontos. Um deles seria em mostrar que mesmo num país “nórdico” há uma de torturar com crueldade física seus presos, e pelos militares. O que me fez lembrar de “A Vida Secreta das Palavras“, onde um tipo de tortura e por quem fez, além de ter tudo a ver com o contexto do filme, quando ele vem à tona, fica sim a ideia de que nos machucam saber desse lado negro da História da Humanidade.

Mas nesse, “Tudo Ficará Bem“, quem é o portador de tais fotos é alguém de origem muçulmana, que foi recrutado por falar árabe, e a tortura é feita por soldados dinamarqueses. O que levanta a dúvida de que esses soldados também entraram nas guerras no Oriente Médio. Ou em que parte eles de fato participaram.

Outra coisa que intriga é que: até onde isso é um fato no filme. Se não se passa de viagem do Jacob. Como se não bastasse essa história, em paralelo há a da vida particular dele, que também parece ter algo fictício: já que não há uma ligação entre a esposa e a irmã de Jacob. Como se uma não existisse, ou ambas não existissem. Agora, a cena onde ele mais parece ser um viajandão, é a dele comendo uvas.

A tal maquete com as cenas do filme da história, não é apenas uma ilustração do início do filme real. Ela é real no filme: Jacob a manipula. Nela há um corpo estendido no asfalto. Na realidade do filme serão dois, cada um num contexto. Sendo que um a cena em si ficaria como: ‘a vida imitando a arte?’ Porque não dá para aceitar como: ‘um dos seus problemas, acabou!’

E onde entraria o significado do título original – Tudo se torna bom de novo (Alting bliver godt igen)? O título dado aqui no Brasil – “Tudo Ficará Bem” -, denota que haja o que houver, tudo entrará no eixo. Mas pelo título original, há o significado de finitude de algo para algo florescer. Mas pelo final, causa espanto esse desprendimento tão cedo. Se essa parte foi de fato real na vida de Jacob, ele é bem viajandão. Se foi ficção, também.

Parece confuso, e é! “Tudo Ficará Bem” é daqueles filmes onde se deve prestar atenção ainda nos créditos iniciais. Como ir juntando as peças de um quebra-cabeça onde não se conhece o resultado final. Como Thriller, é 10! Como Drama, é loucura demais, dai também é 10! Pela atuação de Jens Albinus, também é 10! E até pelo final que foge do padrão comum. É um filme de querer rever! Parabéns para o Diretor, que também roteirizou, Christoffer Boe. Uma longa vida cinematográfica para ele!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Tudo Ficará Bem (Alting bliver godt igen). 2010. Dinamarca. Direção e Roteiro: Christoffer Boe. +Elenco. Gênero: Drama, Suspense. Duração: 90 minutos.

Anúncios

7 comentários em “Tudo Ficará Bem (Alting bliver godt igen. 2010)

    • Jô! Valeu e muito seu post lá no Fórum 🙂

      Sobre esses filmes, prometo pesquisar mais tarde. Vim postar um texto, e depois indo para cozinha 🙂 Tenho um convidado para o almoço.

      Bom domingo pra ti também!

      Beijo,

      Curtir

    • Jô, como prometido, fiz uma pesquisa… E até eu me interessei em ver todos os filmes. Assim, grata novamennte 🙂

      —-
      Além do livro “Os Homens que Não Amavam as Mulheres“, a trilogia Millenium é composta pelos livros “A Menina que Brincava com Fogo” e “A Rainha do Castelo de Ar“, foram escritos por Stieg Larsson, que morreu após entregar a trilogia pronta.

      -> O primeiro filme: Os Homens Que Não Amavam as Mulheres (Män som hatar kvinnor. 2009).

      Sinopse: Há quarenta anos, Harrier Vanger desapareceu em uma ilha isolada de propriedade da poderosa família Vanger. Não há cadáver, nem testemunhas e evidências. Mas seu tio, Henrik, está certo de que ela foi assassinada por alguém da família. O desacreditado jornalista Mikael Blomqvist (Michael Nyqvist) é então contratado para investigar, com a ajuda de sua nova assistente, uma hacker de computadores chamada Lisbeth Salander. Juntos, eles mergulham no passado sinistro da ilha e dessa família e se vêem prestes a descobrir o quão longe os Vangers estão dispostos a ir para protegerem o seu segredo.

      Trailer dublado:

      -> O segundo filme da Trilogia de Stieg Larsson: A Menina que Brincava com Fogo (Flickan som lekte med elden, The Girl Who Played with Fire, 2009).

      Sinopse: Mikael Blomkvist (Michael Nyqvist), publisher da revista Millennium, fez carreira expondo a corrupção das autoridades da suecas. Quando uma jovem jornalista se aproxima dele com uma detalhada apuração em um caso de tráfico sexual, Blomkvist imediatamente mergulha na investigação.

      Trailer legendado:

      -> O terceiro filme: A Rainha do Castelo de Ar (Luftslottet som sprängdes / The Girl Who Kicked the Hornet’s Nest).

      Sinopse: Lisbeth Salander faz seus planos de vingança contra o homem que tentou matá-la e contra as instituições do governo que quase destruiram sua vida. Mas não será uma tarefa fácil. Com a ajuda do jornalista Mikael Blomkvist e seus investigadores da revista Millennium, Salander não só irá provar sua inocência, mas também deve identificar e expor os políticos corruptos.

      Trailer legendado:

      =>> Versão de Hollywood para Os Homens que não Amavam as Mulheres.

      Dirigido por David Fincher e baseado no primeiro volume da trilogia Millennium, do autor Stieg Larsson. Na história, o personagem de Daniel Craig, que interpreta o jornalista Mikael Blomkvist, investiga o caso desaparecimento de uma mulher. A atriz Rooney Mara dará vida a personagem Lisbeth Salander.

      Essa versão, vi um trailer/chamada no Cinema. E gostei! Vou querer ver.

      Curtir

  1. Assisti ao filme “Tudo ficará bem” hoje e o filme me fez lembrar de “A Ilha do Medo”, com Leonardo Di Caprio. Depois da morte da mulher, o sujeito pirou o cabeção e “inventou” todo o roteiro maluco com personagens inexistentes como o tal Ali, as fotos e a própria espôsa. Tanto que tudo lhe foi desaparecendo aos poucos e a piração dele era principalmente com o pessoal do governo, que errou na documentação para a adoção do filho…

    Curtir

    • Oi José Maria,

      Eu ainda não vi “A Ilha do Medo”, dai pensei em “Memento”, mas no sentido de prestar atenção em cada cena como peça de um quebra cabeça.

      E como só há um corpo na maquete, só uma pessoa morreu de fato.

      É bem instigante!

      Curtir

Seu comentário é importante para nós! Participe! Ele nos inspiram, também!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s