Meu Amigo Totoro (Tonari no Totoro. 1988)

Por: Andinhu S. de Souza.

Tonari no Totoro Totoro, totoro totoro

Mori no naka ni, Makushi kara Sunderu
Tonari no Totoro Totoro, totoro totoro
Kodomo no Toki ni Dake, Anata ni Otozureru
Fushigi – na Deai

Magia, emoção, e uma bela viagem aos tempos de infância nessa, que é uma das mais maravilhosas obras do mestre da animação japonesa Hayao Miyazaki, que trás uma bela e emocionante história, que nos faz voltar aos tempos em que acreditávamos em fantasmas, brincávamos no jardim com toda aquela energia. Meu Amigo Totoro é uma dádiva que nos faz perceber com clareza a criança e a inocência escondida dentro de cada um de nós.

Baseado numa obra literária, a obra começa com um homem e suas duas filhinhas se mudando para uma casa localizada na zona rural do Japão; o motivo, ficamos sabendo só algum tempo depois, é a doença da mãe delas, que a obriga a estar em um hospital ali perto. As duas meninas passam a maior parte do dia sozinhas, pois seu pai é professor e trabalha em uma universidade longe dali; são elas o centro do filme, que é de uma delicadeza extrema. Quando chegam no novo lar, as meninas Mei (a mais nova) e Satsuki (a mais velha) começam a explorá-lo, logo ficam animadas em saber que a tal casa pode ser mal assombrada pelos Makure Kurosuke que são fantasmas bem conhecidos nas fábulas do Japão. Ficam maravilhadas ao encontrar os Susu Ataki, que são as bolinhas pretas de fuligem.

Mas é em uma tarde qualquer, enquanto sua irmã Satsuki está na escola e seu pai está trabalhando na sala, que Mei viverá uns de seus dias mais graciosos. Brincando no jardim, ela persegue dois coelhinhos pequeninos até que cai em um buraco, onde conhece Tororo, que é conhecido dentro da fábula do filme como o deus guardião da floresta, e só quem é criança pode conseguir vê-lo. O personagem do Livro é chamado de Tororu, mas Mei pronunciava errado, Totoro. Esse encontro possui algumas caracteríscas do filme Alice no País das Maravilhas, no qual Alice cai num buraco até chegar no tal país.

Totoro é quase um desses bichos fofinhos que costumamos ver em animações, Digo quase porque, em vez de humanizá-lo, o que o tornaria mais adorável, Miyazaki opta por deixá-lo em estado bruto, por assim dizer, como bicho mesmo; ele não possui nenhum sentimento humano, é antes um animal e se comporta assim. O fato de se afeiçoar às meninas não lhe muda em nada o comportamento; e é por isso que às vezes o seu sorriso pode ser assustador. É um personagem apaixonante, demora a aparecer no filme, e continua aparecendo pouco. Mas é impossível não ficar ansioso quando Mei está preste a vê-lo pela primeira vez, e em todos os poucos momentos em que ele aparece.

Miyazaki usa várias referências da cultura japonesa que enriquecem a obra como o costume das pessoas de reverenciar uma árvore com sinal de respeito, como o Jizo-san, o padroeiro dos viajantes e os santuário na estrada; o respeito e a empolgação dos pais ao verem o entusiasmo dos filhos ao se encontrarem com fantasmas ou deuses. Miyazaki cria cenas fabulosas, e de uma intensidade emocional incrível. A relação familiar mostrada é um dos pontos fortes do filme. O laço familiar no qual envolve a familia de Mei é muito belo. A vontade de rever a mãe no hospital, a sintonia entre o pai e as crianças, a vontade de escrever tudo o que está acontecendo para a mãe.

O importante em “Meu Amigo Totoro” é soltar a imaginação, pois no filme não fica claro quando algo é real ou não. E Miyazaki usa vários pontos para nos fazer imaginar, como a cena em que Tororo, os coelhinhos e as meninas estão dançando em frente de um cercado no qual as meninas estão esperando crescer as sementes e com a ajuda de Totoro as sementes crescem e se torna uma árvore gigante. A cena mais maravilhosa do filme, com uma trilha sonora mais do que bela e nostalgica. Outro ponto é o “Gatoônibus” que é um ônibus em forma de gato que transporta Totoro pra não sei aonde. Só alguns conseguem vê-lo. As bolinhas de fuligem do começo do filme, nos faz pensar que elas seriam algo de grande importância para a finalização da obra. Mas é impossível não curtir o momento em que eles estão em cena!

Não possui momentos agitados, a não ser nos minutos finais do filme quando Mei se perde, tudo é levado de maneira alucinante deixando nossos olhos brilhando o filme inteiro, com personagens que gostaríamos de ter em casa e com trilha sonora linda mesmo. A delicadeza com que Miyazaki trata a infância e os sentimentos com ela relacionados é algo entre o melancólico e o feliz, capaz de emocionar tanto crianças como adultos, razão pela qual Meu amigo Totoro possa ser mesmo considerado o ponto alto na carreira do realizador.

Meu amigo To to ro Totoro, To to ro totoro
Que viveu na floresta desde os tempos antigos
Só quando se é criança
Alguém poderá visitá-lo
Será um encontro maravilhoso

Nota: 9.0

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Um comentário em “Meu Amigo Totoro (Tonari no Totoro. 1988)

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