Histórias Cruzadas (THe Help, 2011)

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Baseado no romance de Kathryn Stockett, “The Help”, o filme de Tata Taylor, narra a história de uma determinada jovem branca, que se sente injuriada com o tratamento que as empregadas domesticas afro-americanas são vitimadas por suas patroas, em Jackson, Mississipi, na década de 1960.

Não li o romance de Stockett, mas o roteirista e diretor Tate Taylor não sacrifica muito, pois nada é explicíto no seu modo de narrar. A violencia vivida pelos negros no conturbado anos 60 nos Estados Unidos, não tem a mesma visão realista usada por Alan Parker, em “Mississipi em Chamas” (1988). Em “The Help”, o saldo se mede em comédia, drama- o que permite que os espectadores sintam compaixão e tornem parte do mundo das personagens.

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“The Help” é uma vitrine para seus atores. Viola Davis e Emma Stone, aparecem como fio contudor do filme. Stone vive Skeeter, a tal determinada jovem, que luta pela causa da classe minoritaria. Aibileen (Davis) é a voz que representa todas essas mulheres afro-americanas violadas pela discriminação racial. E, o seu testemunho serve de base para o livro “The Help” escrito por Skeeter, que subsequentemente representa outras multiplas vozes, dispositando uma Metaficção, onde Tayler exponhe ficção na ilusão ficcional, para dar um clima de verdade a narrativa.

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Curiosamente, achei as performances de apoio bem melhores do que as que foram entregues a Viola Davis e Emma Stone. Por examplo, a bela Bryce Dallas Howard como Hilly, encarna a personificação do mal como uma dona de casa racista, e ignorante. No entanto, o destaque do filme pertence a Octavia Spencer como a amiga de Aibileen, Minny, e Jessica Chastain como adoravel Celia Foote. Esta ultima é vista como uma “white trash” por Hilly e outras senhoras.  Chastain brilha em todos os filmes que fez este ano- “The Tree of Life”, “Take Shelter”,  “Debt” e Coriolanus-, e deveria concorrer ao Oscar contra si mesma da categoria de melhor atriz coadjuvante de 2011.  A Celia de Chastain é uma personagem cheia de vida, mas que sofre por não se enquadrar no grupo das senhoras respeitadas da cidade. Como Minny, Spencer está em fuso. Com os olhos arregalados e de fogo, ela comanda a atenção do público tanto quanto ela chama a atenção dentro da narrativa. Minny é o personagem que você torce, ri e deseja ser. Se Davis e Stone são o coração deste filme, Chastain e Spencer são o sangue pulsando a alma, e corpo  de “The Help”.

Por mais que haja aquela mensagem social, o filme de Taylor é vago. “The Help” não me tocou depois que acabou. Não que seja ruim, pois não é, mas não me deixou com aquele gostinho de querer rever.

P.S.: Sucesso de público e crítica, o filme provavelmente vai receber muitas indicacões ao Oscar. E, merecidamente Davis vai ser indicada como atriz – mesmo que o material aqui não chegue aos pés do seu desempenho em “Doubt” ( 2009).

Lindissima a trilha escrita pelo sempre injusticado Thomas Newman, que diferente do seu pai, o maravilhoso Alfred Newman, esse ganhou 9 Oscars, nunca ganhou nada, e esse ano provavelmente nem indicado aos Oscar vai ser! 😦

 Nota: 6

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4 comentários em “Histórias Cruzadas (THe Help, 2011)

  1. Fala, Rogerio! Voltou com vários 🙂 Bom demais!!

    Sobre “The Help”, eu adorei! De querer rever. Assisti no Festival do Rio. Até já escrevi um texto. Mas depois resolvi esperar o filme entrar em circuito, e isso será em fevereiro. Estranhei, porque seria um ótimo filme para uma estreia em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra.

    Voltando ao seu texto, eu não acho que possa ser comparado ao “Mississipi em Chamas”. Nesse aqui é o olhar de uma jovem que até então não tinha se dado conta do tamanho do racismo por ali. Não seria preciso escancarar a violência física, embora também mostrou, as humilhações, as separações até do banheiro, também é um ato violento.

    No filme “A Vida Secreta das Abelhas” tivemos essa década de 60, ao Sul dos Estados Unidos, já pelo olhar de uma adolescente.

    “The Help” aqui no Brasil ganhou o título de “Histórias Cruzadas”. Acho que vou acrescentar nesse seu texto. Assim quando eu publicar o meu, ele entrará com o número 2. Pode ser?

    E, novamente, valeu esperar por esse seu sumiço 🙂
    Abração,

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  2. Lella, querida

    Voltei, mas vou tentar publicar os outros….pois foram tantos filmes q vi, e escrevi, mas que nao tive tempo de revisar os textos, e assim vai…

    Que legal q vc viu THE HELP, e escreveu um texto sobre o mesmo!!! Pensei que THE HELP ja estivesse nos cinema do Brasil, mas como sempre….

    Nao quis comparaH THE HELP com Mississipi em Chamas, da forma que vc “tirou.” A linguagem de CHAMAS eh realista…..the HELP eh um filme LEVE- um conto sobre os direitos civis….um conto feminista, e tbem uma forma de como uma pessoa branca é projetada para corrigir os erros do passado. Nao chega ser didatico, mas gostei mais do personagens do que da historia em si—– um tanto batida!!

    Vc pode acrescentar o que quiser no meu texto, querida!!!

    E, publica o seu texto……quero ler!!!

    ValeU!

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    • Eu vi a sua volta 🙂 E coloquei as tags e as categorias, ontem mesmo. O acréscimo no “The Help” será só no título. Assim, num Busca a pessoa saberá que há duas análises desse filme.

      Pois é, aqui no Brasil a previsão é para fevereiro. O porque, eu desconheço. Vou deixar para publicar mais próximo da estreia.

      O “Mississipi em Chamas” tem um outro contexto. Por isso é que, ao meu ver, não dá para comparar. E como vi que você não gostou do “The Help”, eu pensei que fora por ter comparado os dois.

      Como eu amei “The Help”, me motivo a sair em defesa 😀

      Esse lance de separações entre patroas e empregadas domésticas pode ter virado lugar comum, porque ainda hoje em dia há muito disso.

      A “branquinha” da estória só percebeu o entorno por conta do sumiço da babá dela. Do contrário, não teria feito nada para tentar mudar aquele contexto social.

      Lembra do filme onde a personagem da Sandra Bullock leva o jovem negro para dentro de casa? Bem água com açúcar, mas que mostrou a carga de racismo que ainda perdura.

      Pense em “The Help”, mas sem pensar no do Alan Parker. Pois esse aqui deu voz e vez as borralheiras negras.

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  3. Oi, querida!

    Adoro falar sobre filmes! LOL
    Bem, nao posso dizer que nao gostei do filme THE HELP! EH um bom filme, mas a historia no meu ponto de vista eh BATIDA demais…..um pouco na linha cliche!!!!

    Nao quis comparar o filme THE hELP e MISSISSIPI em CHAMAS….os dois filmes partem do mesmo contexto socio politico dos anos 60. Compararei a linguagem usada pelo diretor TATA TYLER, que usou uma linguagem comico-dramatica- leve. Sim isso nao eh um defeito, mas particularmente nao me engagei pela causa, embora achei que o melhor desse filme seja as atuacoes, e por tal, dei nota 6, se nao, o mesmo seria reprovado! 🙂

    Aguardo o seu texto, querida!

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