Os Descendentes (The Descendants, 2011)

Muito mais que os prêmios conquistados até aqui, dois nomes me fizeram ver “Os Descendentes“: o do protagonista – George Clooney -, e o do Diretor Alexander Payne. Clooney por pertencer a uma seleta lista de que estando nos créditos, tendo oportunidade, eu assisto o filme independente da trama. Payne por ter me conquistado com “Sideways – Entre Umas e Outras“. Ele sabe trazer à tona um momento relevante na vida de um homem maduro. Universos masculinos com sensibilidade. Contextos bem diferentes de ambos os filmes. Pois num, a parada para essa revisão fora por livre escolha. Já nesse aqui, foi o destino que lhe trouxe. Meus Aplausos a Alexander Payne por mais esse trabalho!

Os Estados Unidos é um país de contrastes. Que chegam a ser paradoxais em alguns casos. Em “Os Descendentes” temos um deles na trama principal. Está até no título do filme. Perfeito, aliás! Fala da criação: como educar os filhos. De um lado há pais que, mesmo abastados, mesmo ciente de que um dia seus filhos herdarão tudo, incentivam que ainda jovens trabalhem em períodos de férias. Muitos começam entregando jornais de porta em porta, ainda na pré-adolescência. Fazem isso para que comecem a dar valor ao dinheiro conquistado pelo próprio trabalho. O personagem de George Clooney, Matt King, teve um pai assim. Embora tenha herdado um Fundo por Terras deixadas por gerações passadas, e que o deixaria viver com luxo e mordomias, foi cada vez mais vivendo dos próprios rendimentos como advogado.

Dê a seus filhos dinheiro para fazerem algo, mas não o bastante para não fazerem nada.”

Grande parte dessa herança de família eram terras ainda virgens, em Kuai, Havaí. Num ponto super privilegiado entre serras e o mar. Com matas nativas. Um lugar belíssimo, que algum político cobiçou sim, ao criar a lei que tiraria a perpertuidade delas. Bem, o filme não foca essa relevância até Histórica: “Quem é o verdadeiro dono da terra?” Mas face a especulação imobiliária, e manter um latifúndio com também o intuito de preservar a natureza local, é um caso também a pensar. Muito embora, além de Matt e dois ou três primos, todos os outros queriam a venda de tudo, e o mais breve possível. Já que diferentes de Matt viveram só do dinheiro do tal Fundo. E sem o menor controle, estavam à beira da falência. Entre eles, o primo Hugh (Beau Bridges). Um grande canditado a futuro calo na jornada de Matt.

Mas essa iminente falência era problema deles, dos primos, e não de Matt. Pois esse, como já citei, um acidente do destino bateu a sua porta. Sua esposa, Elizabeth (Patricia Hastie), após um acidente no mar, entrara em coma. E pelos médicos: irreversível. Matt era um workaholic. O que o deixava ausente de casa. Mas também da vida da esposa, como das filhas Alexandra (Shailene Woodley) e Scottie (Amara Miller).

Às vezes as trombadas do destino não vem sozinha, vem com mais coisas. É que Matt descobre que a mulher o traía, e que só não o abandonou, porque o tal carinha, Brian Speer (Matthew Lillard) era casado, e nem cogitava se separar da esposa, Julie (Judy Greer).

Ah sim! Ainda é responsabilizado do acidente, pelo sogro, Scott (Robert Forster). Esse condenava Matt por não ter dado todo o luxo que poderia dar a Elizabeth. Na cabeça dele, se ela tivesse grana a rodo, viveria em shoppings, e longe dos esportes radicais.

Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância.” (Simone de Beauvoir)

Matt, como depositário mor, tinha poucos dias para então assinar a venda das terras. Paralelo a isso, tentar se aproximar das filhas. Deixar de ser o pai omisso. Também tentar explicar a filha caçula que iriam desligar os aparelhos que mantinham a mãe viva. Digerir a descoberta de ter sido traído, e pela desculpa por ter sido um marido ausente. Também aceitar o fato que a Alexandra já era uma moça, e que agora poderia se enamorar de um cara como o Sid (Nick Krause). Como também de se entrosar com ele. Enfim, dar um novo rumo a vida.

O filme é muito bom, dentro de tudo a que se propos mostrar. Em se tratando do Havai, dá para imaginar paisagens deslumbrantes. A Trilha Sonora segue a cultura local. Houve química entre os atores. O final traz a assinatura do Payne. Quem viu Sideways irá sacar. Bem, eu saquei e sorri. Vale o ser visto! Mas não me deixou com vontade de revê-lo.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Os Descendentes (The Descendants, 2011). EUA. Diretor: Alexander Payne. Roteiro: Alexander Payne, Nat Faxon, Jim Rash, baseados na obra de Kaui Hart Hemmings. +Elenco. Gênero: Comédia, Drama. Duração: 117 minutos. Classificação: 14 anos.

PRÊMIOS:
– Vencedor do Globo de Ouro 2012 de Melhor Filme – Drama e Melhor Ator (Drama) para George Clooney.
– Melhor filme de 2011 pela Associação dos Críticos de Cinema de Los Angeles.

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9 comentários em “Os Descendentes (The Descendants, 2011)

  1. Então… sai do cinema me perguntando: Foi esse, isso que os críticos lá de Hollywood elegeram como melhor filme de 2011? 2011 foi muito pobre em filmes para os Estados Unidos?

    Não perdi o ingresso. Os Descendentes é um bom filme. Mas não está com essa bola toda.

    Vejam o filme e confiram!

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  2. O drama intimista não chega a emocionar.

    George Clooney e Shailene Woodley (Alexandra) estão bem. Ela tem futuro como atriz.

    O tom divertido mesmo fica pelas “tiradas” do Sid e da Scottie.

    A cena que chama atenção é com Matt e a mulher do Brian no quarto do hospital com a esposa do Matt em coma. O ter que perdoá-la por estar à beira da morte.

    Lindas locações em Oahu e Kauai.

    Em resumo: um bom filme.

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  3. Nunca assisti um filme ruim feito por Alexander Payne. Sim, provavelmente, “Sideways” seja a sua melhor obra!. “Os Descendentes” eh um belo drama- reflexivo com o coração, humor e com atuacoes muito boas de todos os atores.

    Li o romance de Kaui Hart Hemmings, e achei o filme bem melhor do que o livro- talvez seja pela linda configuração do Havaí, um lugar que amo, e sempre que vou fico radiante de felicidade, ou a música nativa ou talvez tenha sido o roteiro de Payne, Nat Faxon e Jim Rash. Certamente essa combinação flui sem esforço de cena para cena, fazendo um caminho perfeito entre comédia e drama – um equilíbrio natural para tracar a satira sobre a sociedade americana – bem comum na filmografia de Payne.

    Nada contra o Clooney – eh um ator bom, mas nada assim que o coloque como o favorite ao Oscar. Ele tem maturidade de expressar um personagem que lida com questoes pesadas, e tem momentos muito bons no filme, mas de vez enquanto , senti o mesmo Clooney de filmes como “Men Who Stare at Goats, Burn after Reading, & Up in the Air.

    Os Descendentes eh um grande filme, mas eh um tipo de filme que depende de nossas reacoes – vai ter gente que vai apreciar os atores, ou vai se conectar em um nivel mais elevado e encontrar uma ligacao pessoal. Eh um drama familiar que oferece algo para todos.

    Nota 8.5

    P.S: Na minha humilde opniao, apenas o roteiro adaptado merecia ter sido indicado ao Oscar!.

    Colocar o Clooney na lista e esnobar as atuacoes mais que perfeitas de atores como Michael Fassbender (Shame); DiCaprio ( J. Edgar); Ryan Gosling (Drive); Woody Harrelson (Rampart) & Gordon Levitt ( 50/50).
    Piada, nao?

    Indicaram o Payne como melhor director enquanto nomes como Lynne Ramsay (We Need to Talk about Kevin);Steve McQueen (Shame); Nicolas Winding Refn (Drive) e Thomas Alfredson ( Tinker Tailor Soldier Spy)- foram esquecidos em quase todas as premiacoes….

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    • Rogerio, lembrei daquela nossa conversa sobre o Ryan Gosling. Ele merecia um Oscar, até pelo conjunto da obra. Mas se esse prêmio não viesse com o gosto de: “A Academia se retrata pelas injustiças.” O prêmio para o Gosling teria que ser de fato pelas atuações.

      Ele foi um grande injustiçado em 2011.

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  4. Vitor, Marcondes, Rodrigo, Rogerio e Silvano!

    O filme é muito bom por aquilo a que se propos: em contar e bem essa história. O que faz o Roteiro levar o peso maior. Depois, vai para o Diretor que soube escolher também as locações e até os atores.

    Se o Clooney levar o Oscar por essa atuação, o prêmio virá com o sabor de: “Vamos aproveitar esse filme do Payner e dar logo o prêmio para o Clooney.” Com o receio dele não pegar um outro filme mamão-com-mel.

    Eu li que a Amanda Seyfried fez teste para a filha mais velha. Ainda bem não conseguiu. Pois sim, a Shailene Woodley atuou muito bem.

    Gostei dessa participações de vocês 🙂

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