Dente Canino (Dogtooth / Kynodontas. 2009)

Imagem“Dogtooth” explora as características da evolução da educação familiar – quando um casal decide fechar seus filhos ao mundo de um modo geral. Psicologicamente perturbador, este filme tem uma abordagem quase documental para analisar a educação mal concebida e os danos na vida dos três filhos do casal.

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Os três adolescentes sem nome vivem trancados em casa, e sendo educados no sistema “home school”-  onde os pais promovem uma educação  fora do sistema tradicional, e acrescentam uma instrução moral de acordo com suas respectivas crenças. Em muitas cenas, esses adolescentes escutam a mãe dá-lhes palavras do vocabulário do dia:  “mar” é uma poltrona de couro;  “telefone” significa saleiro; “zumbis” significa flor amarela e “b*ceta” significa luz grande. Protegido pelos pais, os adolescentes só estarão prontos para explorar o mundo exterior quando seus dentes incisivos (referencia ao dente canino) cairem.

Ocupando o seu tempo jogando jogos de resistência controlada pelo pai, os jovens tem um único contato com o mundo exterior, quando recebem a visita de Christina (Anna Kalaitzidou), que trabalha na empresa do pai. Ela entra na casa para satisfazer os desejos sexuais do filho do casal, o qual, logo como a cantora Sandy, se encanta com o prazer anal, e frustra Christina ao não querer “desfrutar” mais de sua vagina. A moça, em seguida, contamina o ambiente estéril da casa com influências externas. Se conhecimento pode ser perigoso, aqui fica mais claro, diante da reação da filha mais velha do casal, em querer explorar o mundo exterior.

O cineasta Giorgos Lanthimos foi agraciado com o premio  “Un Certain Regard” em 2009 no Festival de Cannes, e chegou a receber uma inesperada, mas justa indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro no ano passado, mas perdeu o premio para o drama a la telenovela “In a Better World” (2010). Lanthimos me envolveu instantaneamente com sua narrativa, simplesmente porque me senti solto neste mundo louco que ele criou – em vez de fazer uso de “voice over” para guiar a história, ele  nos coloca dentro das emoções dos personagens, evitando os “reaction shots“,  isto é, não temos “close-ups” da emoção expressa pelos atores, mas o efeito é sentido!. Lanthimos também faz um belo uso da cultura pop para nos dar uma conexão com a história; enquanto o uso de sexo, incesto e violência, agita as nossas emoções.

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Os atores não atuam, mas vivem as suas personagens. Nem notei que o filme era falado em grego, de tão fascinado, e chocado com as cenas, principalmente vendo um pai encorajar os membros de sua família a ficarem de quatro e latirem como cães em seu quintal. Não achei engraçado, mas me encontrei intrigado como tal experiência afetaria os personagens mais tarde na história.

Não me importei tanto com o humor negro do filme, e nem foi por isso, que ja revi “Dogtooth” por 2 vezes, mas porque Lanthimos traça um olhar sobre o quão suscetíveis nós seres humanos somos quando somos condicionados a um passo em falso na educação de uma criança e como isso pode causar sérios danos.

Nota 10

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